Fernando Calmon

Engenheiro e jornalista especializado desde 21 de agosto de 1967, quando produziu e apresentou o programa Grand Prix na TV Tupi (RJ e SP) até 1980

Audi Q3 fica um pouco maior e mais potente; confira rápida avaliação

SUV da nova geração começa a ser fabricada no Brasil e marca uma nova fase no país

Após investimento de R$ 50 milhões na fábrica, a Audi inaugura a produção da terceira geração dos suves médios-compactos Q3 e Q3 Sportback, em São José dos Pinhais, PR. Os dois modelos devem ajudar na recuperação de vendas, que sofreram retração no ano passado com o acirramento da concorrência e o final da geração anterior.

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Estilisticamente adotam a nova identidade global da marca alemã: faróis afilados e a grade redesenhada. O Sportback mantém sua silhueta cupê, com caimento de teto pronunciado que traz um bom impacto visual, embora sacrifique sutilmente o espaço para cabeças no banco traseiro.

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 Esta nova geração está 60 mm mais larga e 40 mm mais comprida. No interior, impressiona pelas telas curvas integradas (11,9 pol. para instrumentos e 12,8 pol. para multimídia) com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Sistema de som tem 260 W de potência e 10 alto-falantes. Alavanca de câmbio tradicional no console foi substituída por seletor eletrônico na coluna de direção.

Audi Q3
Audi Q3 passou a ter interior mais moderno de sofisticado, com tela de 12,8 polegadas do sistema multimídia
Imagem: Divulgação

Outros destaques ficam sob o capô. O motor 2.0 TFSI foi recalibrado e agora entrega 258 cv (mais 11,6%) e 37,7m·kgf (ganho de 9%). Câmbio passa a ser o robotizado de dupla embreagem (S tronic) de sete marchas e tração 4×4 permanente quattro. Esse conjunto melhorou a aceleração de 0 a 100 km/h: 5,9 s.

Em avaliação de 135 km entre a capital paulista e Nova Odessa, SP, o avanço mecânico ficou evidente. O motor mostra respostas imediatas em baixas rotações e o câmbio S tronic evoluiu bastante em suavidade no trânsito urbano, além de minimizar as hesitações em reduções de marchas. Isolamento acústico elevou conforto a bordo em rodovias, ajudado pelos vidros laterais dianteiros laminados no lugar de temperados.

Audi Q3
Audi Q3 pode acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 5,9 segundos, de acordo com dados da fabricante
Imagem: Divulgação

No comportamento dinâmico, o Q3 convencional prioriza a absorção de impactos com ótimo controle de carroceria. Já o Sportback dispõe de calibração bem firme, entrega respostas de direção rápidas e menor rolagem em curvas. 

A tração quattro atua de forma discreta e eficiente, o que garante aderência impecável. O pacote de sistemas avançados de assistência ao motorista é completo, mas o preço exige ponderação diante dos rivais.

  • Preços: R$ 389.990 (suve) e R$ 399.990 (suve cupê).

Campo de provas aberto a todos os interessados

Campo de provas
Campo de provas fabricado em parceria entre a Bosch e a Mercedes-Benz, em Iracemápolis (SP)
Imagem: Divulgação

Parceria entre Bosch e Mercedes-Benz elevou o patamar da engenharia brasileira com a inauguração oficial, semana passada) do Centro de Testes Veiculares de Iracemápolis (CVTI), no interior paulista, a 180 km da capital. 

Fruto de um investimento conjunto de R$ 130 milhões, o empreendimento nasce como o mais completo complexo de pistas do Hemisfério Sul. As pistas são vizinhas da fábrica em que a marca alemã montou o Classe C e o GLA, de 2016 a 2020, quando encerrou a produção.

Em 2021, vendeu as instalações industriais para a GWM, mas continuou com o campo de provas em sociedade com a Bosch.
A estrutura de 400.000 m² impressiona: sete oficinas e cinco pistas que incluem oval de alta velocidade, pavimentos com diferentes coeficientes de atrito e áreas de frenagem com perfeito sistema de irrigação. 

Tudo projetado para avaliar dinâmica e segurança ativa com precisão milimétrica. Antes dedicada apenas a caminhões e ônibus, agora pode receber automóveis, suves, picapes, motocicletas e tratores, além de fabricantes de autopeças.

Oval de alta velocidade tem 2.600 metros de perímetro, três faixas de rodagem e comporta testes de sistemas avançados de assistência ao motorista (Adas, na sigla em inglês) e de direção autônoma. 

Foi construído visando avaliações a até 180 km/h, limitação de velocidade que marcas europeias de modelos de média e alta produção tendem a adotar em maior escala daqui para a frente. Há pistas para medições de estabilidade, ruído, conforto, vibração e cansaço. Inclui uma exclusiva para avaliar frenagens, que é irrigável e dedicada a testar ABS e ESP.

Outros recursos de segurança, presentes no exterior e com prazos para se tornarem obrigatórios em todos os modelos à venda no País, exigirão avaliação e homologação que poderão ser feitas aqui. 

Além da versatilidade (até veículos autônomos), funciona nos 365 dias do ano, o que pode abreviar o desenvolvimento de novos produtos voltados às necessidades da América Latina. É garantido sigilo absoluto desde o conceito inicial até a homologação final. O CTVI está preparado para o desenvolvimento e testes também de modelos híbridos e elétricos.

Elétricos elevam prejuízo para 18 marcas e há recuos anunciados

Questão dos carros elétricos ainda está em compasso de espera para se consolidar no mundo todo
Questão dos carros elétricos ainda está em compasso de espera para se consolidar no mundo todo
Imagem: Divulgação

Levantamento foi feito por Paul Eisenstein, um dos jornalistas especializados em automóveis mais respeitados e publicados do mundo. Seu trabalho já apareceu em numerosos veículos de notícias. 

O premiado americano é pioneiro no jornalismo digital e fundou o site Headlight.News. Agora em março, publicou no Autoblog um texto que surpreendeu ao nominar 18 marcas que tiveram prejuízos ao lançarem carros elétricos. A maioria já mudou os planos de curto prazo e decidiu investir em híbridos.

Não se trata de desistir dos elétricos e sim de repensar estratégias. Os subsídios elevados acabaram ou foram drasticamente reduzidos pelos governos do Hemisfério Norte e também do Sudeste Asiático, incluindo Japão, Coreia do Sul e até a China. Os balanços financeiros dão razão a Eisenstein. São prejuízos recuperáveis adiante, contudo fica difícil indicar quando e como.

Em ordem alfabética, esta é a lista compilada pelo jornalista: Acura, Chevrolet, Dodge, Ford, Genesis, Honda, Hyundai, Infiniti, Kia, Lamborghini, Land Rover, Maserati, Nissan, Polestar, Porsche, Ram, Tesla e Volkswagen. Nenhuma marca chinesa foi citada porque as informações disponíveis são pouco precisas ou mesmo comparáveis.

No caso da Tesla, que só produz elétricos, as vendas recuaram em 2024 e 2025. BYD não está incluída, todavia o recuo alcançou mais de 35% no primeiro bimestre de 2026 com o fim dos subsídios estatais, embora a empresa se mantenha como maior produtora de elétricos.

A Honda, este mês, foi a última a anunciar seu primeiro prejuízo contábil em 70 anos atribuído aos gastos com desenvolvimento e às baixas vendas. Seu foco agora concentra-se em híbridos e abandonou a meta de só vender elétricos até 2040.

Hoje, o problema principal concentra-se na rede de recarga em estradas, além do tempo que exige. Alcance também é menor durante viagens por dificultar a regeneração obtida em frenagens.

Em poucas palavras, volto a resumir o cenário atual: rumo certo, ritmo incerto.

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