O ano de 2019 será marcado pela renovação dos modelos mais importantes em termos de volume de vendas no Brasil. Depois de a GM apresentar os novos Onix e Onix Plus, na semana seguinte a Hyundai lançou a segunda geração de sua gama de compactos fabricada localmente, no caso o hatch HB20, o aventureiro derivado HB20X e o sedan HB20S.

Por chegar primeiro à rede Hyundai na primeira quinzena de outubro, escolhemos para avaliar aqui o carro-chefe da família, no caso o HB20 em sua inédita configuração topo de linha Diamond Plus.

Olhando o novo HB20 por fora, é inegável que a atualização visual está longe de ser uma unanimidade. Vários internautas manifestaram sua insatisfação em vários comentários aqui no Autoo, bem como em nossas redes sociais, muitos deles desaprovando o novo design. Em linhas gerais, o HB20 renovado manteve o porte, mas a nova grade dianteira bem maior em conjunto com as lanternas e faróis mais pronunciados, parecem ser o foco das críticas de muita gente. Presencialmente, contudo, o novo HB20 nos pareceu um carro neutro: sem muitas ousadias no design, o hatch ganhou apenas uma adaptação da nova linguagem visual da marca, que estreou no começo deste ano no sedan médio-grande Sonata.

Como a questão do design é subjetiva e cabe a cada pessoa criar a sua ideia sobre o novo HB20, é importante dizer que, ao menos na parte estrutural, o modelo recebeu boas evoluções. A Hyundai optou por preservar a competente plataforma que deu vida ao HB20 desde sua primeira geração, mas atualizando a arquitetura em alguns pontos-chave para que o comportamento dinâmico, o nível de ruído e a segurança estrutural do hatch fossem aprimorados a partir da linha 2020. Para tanto, o uso de aços de ultra resistência aumentou de 19% no primeiro HB20 para 30% na nova geração, resultando em um ganho de 17% na rigidez estrutural do modelo. A Hyundai ainda explica que favoreceu a aplicação de adesivos estruturais, técnica de montagem mais avançada e eficiente, bem como promoveu reforços estruturais para colisão lateral.

Em termos gerais, o novo HB20 cresceu 2 cm no comprimento, 4 cm na largura e outros 3 cm no entre-eixos, o que colaborou para aumentar em quase 5 cm o espaço disponível para as pernas dos ocupantes do banco traseiro. É fato que a sensação de espaço interno está melhor na nova geração do HB20, que também oferece mais área livre para cabeça e ombros dos passageiros no banco traseiro. O porta-malas, que já tem uma capacidade coerente com a proposta do hatch, manteve os 300 litros.

 

O que, sem dúvida, será um dos pontos fortes da nova geração do HB20 é a inclusão do motor 1.0 com turbo e injeção direta no portfólio do modelo. Ele será oferecido apenas nas configurações mais caras e trabalha apenas com o câmbio automático de 6 marchas. Com 120 cv e 17,5 kgfm de torque com etanol ou gasolina, o propulsor importado garante ao HB20 respostas mais do que suficientes para quem deseja um compacto esperto nas acelerações e retomadas. Podemos esperar um 0 a 100 km/h na casa de 10,5 segundos para o HB20 Diamond Plus, sendo que, graças ao start-stop, os baixos níveis de consumo da novidade merecem atenção. De acordo com os números oficiais, ele será capaz de registrar médias de até 12,2 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada com gasolina. Abastecido com etanol, os números ficam em 8,6 e 10,3 km/l, respectivamente.

As melhorias estruturais no HB20 são sentidas ao volante. Sua dinâmica mostra-se bem equilibrada e a suspensão, apesar de priorizar o conforto, não descuida da estabilidade e do maior controle sobre a trajetória desejada pelo motorista. Ponto positivo é que, finalmente, o HB20 recebe os controles de tração e estabilidade, porém eles figuram como um item de série somente a partir da versão intermediária Vision 1.6 automática.

Por falar em equipamentos, a Hyundai traz para o segmento de compactos dois recursos importantes até então ausentes no segmento e que saem de fábrica no HB20 Diamond Plus. A opção de R$ 77.990 avaliada aqui conta com o alerta de colisão com frenagem automática na iminência de um acidente, operação que é realizada desde que o modelo não esteja trafegando acima de 50 km/h. Também faz parte da nova geração do hatch o alerta de saída involuntária de faixa, que avisa o condutor por meio de sinais gráficos (no painel de instrumentos) e sonoros, mas não realiza a correção automática como ocorre em versões mais sofisticadas do recurso.

Em uma tentativa de enobrecer o interior do HB20 Diamond Plus, a Hyundai apostou na cor Marrom Desert para destacar o compacto frente os rivais. Uma tonalidade interessante, que aparenta ser um pouco acinzentada e mais opaca do que um marrom tradicional, a cor está presente no painel, no elemento central do volante, console, painéis de porta e no revestimento de couro dos bancos. Só achamos um pouco exagerado o contraste com a cor azul nas costuras e no elemento plástico central do painel. Ainda no interior, importante destacar que agora o HB20 conta com uma regulagem de altura "de verdade" para o banco do motorista, elevando todo o conjunto, bem como traz aletas para trocas de marchas no volante. O modelo ainda oferece uma entrada USB no console central dedicada para o carregamento rápido de smartphones. O painel de instrumentos nas versões mais caras traz display digital contrastando com o conta-giros analógico. 

Apesar da ênfase na tela da central multimídia – que oferece câmera de ré e espelhamento de smartphones via Apple CarPlay e Android Auto –, de maneira geral, o painel e o console central do novo HB20 nos pareceram mais conservadores em relação à primeira geração, que contava com saídas de ar mais trabalhadas, por exemplo. A Hyundai adotou traços horizontais, que realçam a sensação de maior largura da cabine, mas as linhas não empolgam. Outro ponto é que o ar-condicionado presente no HB20 topo de linha oferece display digital, mas perdeu a função de regulagem automática da temperatura como ocorria nas versões mais caras da primeira geração.

Até pela proximidade dos lançamentos e a posição comercial que cada um ocupa, é difícil não traçar um paralelo entre a nova geração do Hyundai HB20 com o Chevrolet Onix 2020 (que chega ao mercado em novembro). Nessa comparação, podemos dizer que a renovação do Onix empolgou mais.

O novo HB20 preservou as qualidades que já notávamos no modelo, apenas atualizando uma receita de sucesso. A sensação que fica é de que o HB20 em sua linha 2020 estreia muito mais um profundo facelift, por assim dizer, do que uma nova geração propriamente dita.

Talvez parte desse impacto seja ocasionado pela renovação extremamente bem-sucedida pela qual passou o Onix e seu sedan derivado, o Onix Plus. Outro ponto que pesa a favor do Chevrolet é o custo-benefício muito mais competitivo em todas as suas versões. Desde sua configuração mais barata, o Onix 2020 já conta com 6 airbags e os controles de tração e estabilidade de série. Mesmo no HB20 Diamond Plus aqui avaliado (um carro que beira os R$ 80.000), não encontramos em sua lista de equipamentos de série mais do que 4 airbags.

Traçando um paralelo entre as configurações topo de linha de HB20 e do novo Onix, o Chevrolet é muito mais competitivo na opção Premier. Se colocarmos todos os opcionais existentes no Onix topo de linha, o Chevrolet alcança um valor tabelado de R$ 72.990, portanto uma diferença (elevada para a categoria) de R$ 5.000 entre os dois modelos. Por esse preço, o Onix Premier também conta com motorização 1.0 turbo e ainda traz diferenciais como o assistente de estacionamento, carregamento de smartphones por indução e o alerta de pontos cegos nos retrovisores, preservando requintes como o revestimento interno de couro, central multimídia avançada com a opção de Wi-Fi nativo, sistema de telemática OnStar, entre outros recursos. Em que pese o fato do propulsor da Chevrolet não contar com injeção direta, ao menos ele oferece níveis de aceleração e consumo tão bons quanto os registrados pelo HB20.

A Hyundai, é bom que se diga, vai manter os 5 anos de garantia para o novo HB20, fato que ajudou a construir a boa imagem do HB20 em nosso mercado, bem como promete custos de revisões acessíveis para as versões com motorização turbo. As três primeiras inspeções, segundo a Hyundai antecipou, vão somar R$ 1.204, valor de fato mais convidativo se considerarmos que as três primeiras revisões de um Polo Comfortline, também com motor 1.0 turbo e injeção direta, somam R$ 1.617.

Preservando grande parte de sua essência, é certo afirmar que graças à boa reputação que a marca Hyundai construiu no Brasil, a nova família HB20 deverá seguir registrando uma boa procura. Hoje, é sempre bom lembrar, o HB20 figura como o segundo carro mais vendido por aqui.

Em sua configuração topo de linha, a estreia do motor 1.0 TGDI deu fôlego renovado ao hatch, assim como a evolução no pacote de tecnologia com os importantes alertas de colisão com frenagem automática e de saída involuntária da faixa de rodagem. Faltou, contudo, um reforço no número de airbags, bem como a Hyundai ser mais agressiva na precificação do modelo, porém cada marca adota a estratégia comercial que melhor lhe convier, considerando as muitas variáveis em uma intrincada equação que leva em conta a capacidade fabril, custos de produção, entre tantos outros fatores.

Design à parte, o novo HB20 segue o ótimo carro de sempre. Apesar de o modelo estrear no segmento equipamentos de segurança até então restritos a carros mais caros, o que é um inquestionável avanço, ele não chega ao mercado causando o mesmo impacto de quando foi revelado em 2012. Talvez, por essa razão, esperávamos uma atualização mais ousada por parte da fabricante sul-coreana. Para um público cativo da Hyundai, todas as melhoras da linha 2020 podem ser o bastante para motivar a troca pela nova geração. Já para quem está mais aberto e realizando uma ampla pesquisa no segmento, a concorrência cada vez mais acirrada pode conquistar alguns clientes que, em outros tempos, sonhavam em estacionar um HB20 na garagem de casa. 

 
 
Hyundai HB20 2020
 
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Ficha técnica

Hyundai HB20 2020 Diamond Plus TGDI 1.0 12V flex automático 4p
Preço R$ 77.990 (09/2019)
Categoria Hatch compacto
Vendas em 2017 105.544 unidades
Motor 3 cilindros, 998 cm³
Potência 120 cv a 6000 rpm (gasolina)
Torque 17,5 kgfm a 1500 rpm
Dimensões Comprimento 3,94 m, largura 1,72 m, altura 1,47 m, entreeixos 2,53 m
Peso em ordem de marcha 1091 kg
Tanque de combustível 50 litros
Porta-malas 300 litros
Veja ficha completa

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo | http://www.jcceditorial.com.br/