Se hoje figura na sétima posição no ranking de vendas da categoria, um posto que não é ruim, mas pode ser considerado apenas discreto para um modelo como o Renault Logan, a partir de sua linha 2020 o sedan reúne todas as condições para dar um salto em seu número de vendas.

Isso ocorre porque a partir de agora o Logan finalmente passa a contar com uma transmissão automática alinhada com o desejo do público, ou seja, de atuação suave e eficiente, sem os trancos ou “soluços” de transmissões automatizadas geralmente oferecidas em modelos que priorizam o custo-benefício como é o caso do Logan. Outro ponto muito elogiável é a oferta dos controles de tração e estabilidade como um item de série para as versões com o câmbio CVT, bem como a presença de 4 airbags de série em todas as versões do sedan. O modelo, assim como o Sandero a partir da linha 2020, também conta com reforços estruturais para melhorar sua proteção aos passageiros no caso de colisões. Certamente, ao avançarmos para a próxima década, o ESP bem como o controle de tração deverão ser ampliados para o restante da gama, até mesmo por força de lei. De qualquer forma, a Renault promoveu avanços importantes no quesito segurança tanto para o Logan quanto o Sandero 2020. 

Algo um tanto quanto curioso na gama Logan 2020 vai para a maior altura em relação ao solo das configurações automáticas, o que faz dele quase um “sedan aventureiro”, algo inédito por aqui. Segundo nos explicou Ricardo Gondo, presidente da Renault do Brasil, a elevação em 40 mm na altura da suspensão ocorreu por uma necessidade de facilitar a adaptação da caixa CVT ao modelo. A marca achou interessante a ideia de um sedan com altura em relação ao solo mais elevada e resolveu apostar na solução, que a partir de agora será testada com a receptividade do modelo no mercado.

Com a mesma altura do aventureiro Stepway, que abordaremos em outro teste aqui no Autoo, o Logan CVT 2020 é beneficiado com um facilidade maior para encarar buracos, valetas, entre outras imperfeições que geralmente encontramos na cidade. De quebra, a maior altura em relação ao solo também permite ao sedan enfrentar vias não pavimentadas, como o acesso a um sítio, por exemplo, com mais desenvoltura. Visto de perfil, o grande vão nas caixas de roda do Logan CVT sugere que a marca poderia adotar rodas um pouco maiores para o sedan, porém isso poderia encarecer um modelo que ainda foca no custo mais acessível como é o caso do Logan.

Dinamicamente, os 40 mm a mais na suspensão em relação às versões manuais do Logan pouco impactaram no comportamento do sedan ao volante. Podemos dizer que a inclinação lateral da carroceria em algumas curvas é até menos sentida em relação ao Sandero 2020 com a transmissão CVT, que também ganhou uma altura em relação ao solo maior.

Assim como mencionamos em nossa avaliação do Sandero 2020 Intense CVT, nossa única crítica ao Logan no que diz respeito ao comportamento dinâmico vai para um certo “peso” excessivo no volante, algo que a Renault poderia rever com uma recalibração do sistema de assistência eletro-hidráulica para a direção.

Uma dupla já conhecida de modelo como os Nissan March e Versa, o motor 1.6 16V (chamado SCe na Renault) forma uma boa dupla com o câmbio automático X-Tronic. Há quem não goste da forma de atuação das transmissões CVT, mas é inegável que seu funcionamento é muito superior em relação à falta de suavidade de operação das transmissões robotizadas, como era o caso da EasyR usada na linha Renault anteriormente. Além disso, o câmbio CVT é um grande aliado na busca por maior eficiência, colaborando sobretudo com a economia de combustível. A marca francesa até o momento não liberou os dados de consumo do Logan 2020 uma vez que aguarda o Inmetro atualizar sua tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, mas podemos esperar boas médias para o sedan, ou, no mínimo, equivalentes ao que encontramos em modelos de mesma proposta e preço do Logan.

Se não sobra em termos de desempenho, o Logan 2020 com motor 1.6 16V e câmbio CVT atende muito bem a grande parte do uso urbano. Futuramente teremos a oportunidade de avaliar o modelo carregado, algo que não foi possível realizar em nosso breve contato com o sedan durante seu lançamento, mas considerando nosso contato prévio com o Logan 1.6 SCe manual, os 118 cv de potência e 16 kgfm de torque são condizentes com a proposta do sedan. O Logan conta com um bom apelo familiar graças à sua boa cabine para cinco passageiros e o generoso porta-malas de 510 litros, o qual transporta muita bagagem com tranquilidade.

Modelos como o Logan e o Sandero são, inegavelmente, destinados a um público que toma como base critérios muito mais racionais na escolha do próximo carro, em especial olhando para o preço como um atributo decisivo. Mesmo assim, é nítido hoje em dia um comportamento de uma parcela crescente de consumidores do segmento de hatches e sedans compactos por modelos um pouco mais sofisticados, como a boa aceitação da dupla VW Polo e Virtus comprova. A Chevrolet, por exemplo, vai entrar nesse subsegmento como o Onix Sedan, bem como a Nissan prepara a importação da nova geração do Versa de olho nesse público.

Por essa razão, a Renault apostou na criação do catálogo Iconic para o Logan a partir da linha 2020. Opção mais cara para o sedan e posicionada acima da Intense, o Logan Iconic traz de série recursos como os bancos de couro, acendimento automático dos faróis, sensor de chuva e as mesmas rodas de liga leve aro 16” com acabamento diamantado presentes a partir da opção Intense. Com tudo isso, o preço de R$ 71.090 não deixa de ser bem competitivo dentro da categoria.

Em especial para o público PcD, é bom destacar que a transmissão automática CVT é oferecida desde a opção intermediária Zen, que custa R$ 66.490 já com o câmbio em questão. Nessa configuração o Logan já conta com os controles de tração e estabilidade, 4 airbags, central multimídia com suporte aos sistemas de espelhamento Apple CarPlay e Android Auto, sensor de estacionamento, computador de bordo, alarme, entre outros. Posicionada entre a Zen CVT e a Iconic, a versão Intense (R$ 68.990) traz recursos como o ar-condicionado automático, câmera de ré, faróis de neblina, trio elétrico, controlador e regulador de velocidade e as já citadas rodas de liga leve aro 16”, formando, com isso, um excelente pacote dentro do teto de R$ 70.000 para a compra com isenção dos principais tributos.

Segundo a Renault, quando somadas as versões automáticas do Logan 2020 deverão responder por cerca de 40% das vendas dos emplacamentos do sedan a partir de sua chegada ao mercado e não é sem razão, uma vez que a demanda por carros automáticos no Brasil cresce cada vez mais em qualquer segmento.

Se você deseja um modelo mais refinado ou com melhor desempenho, tem como opções na categoria as versões topo de linha do Volkswagen Virtus com motor 1.0 turbo, porém o preço também é bastante superior ao cobrado no Logan. O sedan compacto da Renault é claramente destinado a um público que está muito mais procupado com questões como os custos de aquisição e propriedade e, sob esse aspecto, o Logan é um modelo que atende muito bem a esse perfil. Se esse é o seu caso, com as melhorias em termos de segurança e a chegada do câmbio CVT ao modelo, o Logan torna-se um modelo para o qual vale muito a pena você destinar seu dinheiro.

 
 
Renault Logan 2020
 
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Renault Logan 2020
 
 

Ficha técnica

Renault Logan 2020 Iconic 1.6 16V flex automático 4p
Preço R$ 71.090 (07/2019)
Categoria Sedã compacto
Vendas em 2017 26.018 unidades
Motor 4 cilindros, 1597 cm³
Potência 115 cv a 5500 rpm (gasolina)
Torque 16 kgfm a 4000 rpm
Dimensões Comprimento 4,349 m, largura 1,733 m, altura 1,529 m, entreeixos 2,635 m
Peso em ordem de marcha 1160 kg
Tanque de combustível 50 litros
Porta-malas 510 litros
Veja ficha completa

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo | http://www.jcceditorial.com.br/