Carro elétrico pesa na conta de luz? Saiba o melhor horário para carregar
Tendência é que a recarga dos veículos deixe de depender da decisão do usuário e passe a ser realizada de forma inteligente
Já parou para pensar que, com um carro elétrico na garagem, a pergunta “quando abastecer?” ganha um peso bem diferente? No posto de combustível, tanto faz se você enche o tanque às 8h ou às 20h.
Na tomada de casa, a história muda, e o horário escolhido pode fazer diferença no bolso e também no funcionamento da rede elétrica do país.
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Essa é a avaliação da TYR Energia, uma energytech (empresa de tecnologia voltada ao setor elétrico). Para os especialistas da companhia, a tendência é que, em breve, o dono do carro nem precise mais se preocupar com isso, a própria tecnologia vai decidir o melhor momento para carregar.
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Quem decide a hora é o software
Em vez de você plugar o carro ao chegar do trabalho e deixar carregando de qualquer jeito, um sistema inteligente analisaria fatores como o preço da energia naquele momento, a quantidade de energia renovável disponível e o perfil de consumo da sua casa.
A partir disso, escolheria sozinho os horários mais baratos e de menor demanda.
“A tendência é que a recarga dos veículos deixe de depender da decisão do usuário e passe a ser realizada de forma inteligente. Com apoio de softwares e inteligência artificial, será possível identificar os horários mais eficientes para carregar o veículo, reduzindo custos e contribuindo para o equilíbrio da rede elétrica”, explica Pedro Bittencourt, CTO da TYR Energia.
Segundo ele, o carro elétrico passa a fazer parte de um ecossistema energético mais conectado, em que diferentes tecnologias trabalham juntas para otimizar o consumo.
Além de softwares e IA, entram nessa conta os medidores inteligentes (que registram o consumo em tempo real) e os sistemas de armazenamento de energia.
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Por que o horário importa?
O Brasil vem aumentando a geração solar, que, como era de se esperar, se concentra durante o dia.
Só que o pico de consumo acontece no começo da noite, justamente quando muita gente chega em casa, liga chuveiro, ar-condicionado e, cada vez mais, o carro na tomada.
Se uma parte dessa demanda for deslocada para horários mais adequados, a rede trabalha com menos sobrecarga e de forma mais eficiente.
E o motorista elétrico tem uma vantagem nessa história, ao contrário de quem depende do posto, ele pode carregar o carro em vários momentos do dia. Com isso dá para aproveitar períodos de menor demanda e, no futuro, tarifas mais competitivas.
“Os veículos elétricos representam uma mudança importante na relação entre consumidores e energia. A partir do momento em que o horário da recarga influencia o custo da eletricidade, o consumidor passa a ter um papel mais ativo na gestão do seu consumo”, afirma Eduardo Miranda, CEO da TYR Energia.
Dados recentes da consultoria automotiva Bright Consulting apontam que os veículos eletrificados responderam por quase um quarto das vendas de automóveis no país na primeira quinzena de julho.

E se o carro também abastecer a casa?
Em mercados mais avançados, há iniciativas em que a bateria do carro é usada para abastecer a residência ou até devolver energia para a rede nos momentos de maior demanda. O conceito tem nome: Vehicle-to-Grid, ou simplesmente V2G (algo como “do veículo para a rede”).
Por aqui, essa tecnologia ainda está em desenvolvimento. Os especialistas enxergam uma integração cada vez maior entre carros, sistemas de armazenamento e geração distribuída, como os painéis solares instalados em telhados.
“Nesse contexto, a mobilidade elétrica desponta como um dos principais vetores para acelerar a digitalização do sistema elétrico e estimular um modelo de consumo mais inteligente, eficiente e alinhado aos desafios da transição energética”, conclui Miranda.
