O Uno é, sem dúvida alguma, o produto mais importante da Fiat desde que estreou no Brasil em 1976. Embora a família Palio tenha no conjunto um peso maior nas vendas, o pequeno hatchback foi responsável por mudanças vitais na história da marca italiana por aqui - e de quebra é o carro mais vendido da marca nos últimos 10 anos.

Quando chegou ao mercado, em 1984, ele era o veículo mais moderno produzido no país. Com seu design pensado de dentro para fora, oferecia espaço interno e soluções sem igual na concorrência. Além disso, já adotava alguns conceitos aerodinâmicos que só seriam vistos na concorrência bem mais tarde como a ausência de calhas.

Seis anos mais tarde, a versão Mille do Uno protagonizou outra revolução ao praticamente criar o carro popular no Brasil. Foi quando a Fiat deixou seu papel de figurante no mercado para brigar com a Volkswagen, Chevrolet e Ford de igual para igual.

Ofuscado pelo Palio a partir dos anos 90 o Uno sobreviveu como carro de entrada até 2010 quando a Fiat decidiu recriar o modelo. Com uma proposta original que investia num design batizado de “rounded square” (quadrado arredondado), o novo Uno surfou na onda da personalização e do que viria a ser um movimento geral da indústria, o de produzir carros com estilo aventureiro. Seu formato quadrado e com frente alta deu origem inclusive a uma versão emblemática, a Way.

O sucesso foi imediato e no ano seguinte nada menos que 273 mil unidades foram emplacadas, apenas 20 mil a menos que o Gol, então um concorrente praticamente imbatível.

Grazie Mille

O declínio do Uno, no entanto, estava prestes a começar. Em 2013, com a obrigatoriedade do airbag e ABS, o Mille, então ainda responsável por parte da demanda, teve ser aposentado compulsoriamente e com ele parte do bom volume de vendas – até versão de despedida, o modelo teve, a Grazie Mille, um sinal claro da importância do carrinho na história da Fiat.

O mercado também passava por mudanças com clientes buscando mais conteúdo e com mais concorrentes entrando na briga. A Fiat ainda viu aí a oportunidade de modernizar o Uno de segunda geração, aplicando nele um estilo mais esportivo e conteúdo superior, mas a resposta do consumidor foi decepcionante.

Desde então, o Uno já não é nem sombra do que foi no passado. Em 2015, as vendas levaram um tombo imenso, caindo de 122 mil para 79 mil por conta da ausência do Mille. Em 2016 e no ano passado a situação parecia ter chegado no fundo do poço com apenas 34 mil emplacamentos, mas em 2018 a situação do Uno é tão ruim que parece pouco provável que vá superar as 13 mil unidades vendidas até dezembro.

Por isso não é surpresa que a Fiat tenha decidido ressuscitar a versão Way, aquela mesma que nasceu em 2010. Oferecida com motores 1.0 e 1.3, elas custam R$ 46.990 e R$ 52.690, respectivamente. Ou seja, têm preços bastante interessantes em relação às outras duas versões, a Attractive e a Drive.

Mas elas serão capazes de mudar a situação do modelo? Pouco provável. A Fiat já deixou claro por sua estratégia que o foco é vender o Argo, um hatch compacto mais moderno e espaçoso e que tem tido boa aceitação desde que a marca lançou a versão básica 1.0. Para o papel de entrada existe ainda o Mobi, mais barato que o Uno.

Em outras palavras, o Uno seguirá por algum tempo na linha como alternativa para quem busca um carro versátil, mais espaçoso que o Mobi e que novamente tenha uma aparência aventureira, seara em que a Fiat não tem muitas opções a oferecer, por enquanto.

 
 
Fiat Uno 2018
 
Fiat Uno 2018
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Fiat Uno 2018
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Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/