Chinesa DFM estreia no Brasil com dois elétricos e rede de 60 concessionárias

Dongfeng cria agora uma operação própria de automóveis no país, embora veículos ligados ao grupo chinês já circulem no mercado brasileiro há anos
DFM Box 2027

DFM Box 2027 | Imagem: Divulgação

Mais uma chinesa está no Brasil: a Dongfeng oficializou sua entrada no mercado brasileiro de automóveis com uma operação própria, 60 concessionárias e dois modelos elétricos. A fabricante adotará por aqui a marca DFM e começará a vender ainda este ano o compacto BOX e o SUV VIGO, ambos já homologados pelo Inmetro.

O anúncio foi feito durante o Festival Interlagos, em São Paulo. A pré-venda dos dois modelos começará em breve pela loja oficial da DFM no Mercado Livre, mas a empresa ainda não revelou os preços nem informou uma data exata para o início das entregas.

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A rede anunciada chama atenção pelo tamanho. Segundo a DFM, serão 60 concessionárias distribuídas por 21 estados e pelo Distrito Federal. A empresa também afirma que está estruturando uma operação própria de pós-venda e pretende ampliar gradualmente sua presença industrial no país.

Produção brasileira está nos planos, mas ainda sem prazo definido. No comunicado de lançamento, a DFM fala primeiro em fortalecimento da montagem e desenvolvimento de fornecedores locais para, posteriormente, produzir veículos no Brasil. A empresa não revelou fábrica, investimento ou cronograma para essa etapa.

DFM Box 2027
DFM Box 2027 Imagem: Divulgação

BOX será o elétrico de entrada

Menor dos dois modelos escolhidos para a estreia, o DFM BOX mede 4,02 m de comprimento, 1,81 m de largura e 1,57 m de altura, com 2,66 m entre os eixos. O porta-malas comporta 309 litros.

O motor elétrico dianteiro desenvolve 95 cv e 16,3 kgfm, enquanto a bateria tem 43,89 kWh. A autonomia homologada pelo Inmetro é de 275 km.

A recarga em corrente contínua aceita potência de até 88 kW. Segundo a fabricante, é possível passar de 30% para 80% da bateria em aproximadamente 30 minutos. O BOX também oferece V2L, recurso que permite utilizar a bateria para fornecer eletricidade a equipamentos externos.

Com pouco mais de 4 metros, o BOX deverá disputar uma faixa que ganhou vários participantes chineses nos últimos anos. O preço será fundamental para determinar onde ele ficará diante de modelos como BYD Dolphin, Geely EX2, GAC Aion UT e outros elétricos compactos.

DFM Vigo 2027
DFM Vigo 2027 Imagem: Divulgação

VIGO mira famílias

O segundo lançamento é consideravelmente maior. O DFM VIGO tem 4,306 m de comprimento, 1,868 m de largura, 1,645 m de altura e entre-eixos de 2,715 m. O porta-malas oferece 500 litros.

Seu motor dianteiro entrega 163 cv e 23,5 kgfm. A bateria de 51,87 kWh proporciona 302 km de autonomia pelo Inmetro.

Uma diferença importante em relação ao BOX é a capacidade de recarga. O VIGO aceita até 167 kW em corrente contínua e, segundo a DFM, recupera de 30% a 80% da carga em 18 minutos.

O SUV também chega com um pacote mais sofisticado de assistência à condução, incluindo monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, estacionamento automático e recursos de condução assistida de nível 2. Há ainda sistema de câmeras com visualização de 540 graus, bancos com memória e tampa traseira bipartida.

DFM Box 2027
DFM Box 2027 Imagem: Divulgação

DFM é a nova cara da Dongfeng no Brasil

A escolha do nome DFM também faz parte da estratégia brasileira. A Dongfeng Motor Corporation, fundada em 1969 e sediada em Wuhan, decidiu simplificar sua identidade comercial no país e usar a sigla nos automóveis vendidos pela nova operação.

O grupo é um dos grandes fabricantes chineses e sua estrutura é bem mais complexa do que a marca que aparecerá nas concessionárias brasileiras. Além dos automóveis Dongfeng/DFM, controla negócios em veículos comerciais e marcas como Voyah e MHero, além de manter uma longa história de associações com fabricantes estrangeiros.

É justamente aí que o anunciado “desembarque” brasileiro ganha uma curiosidade: a Dongfeng está longe de ser uma desconhecida por aqui.

Dongfeng já circulou pelo Brasil

Veículos identificados como Dongfeng aparecem em registros brasileiros desde os anos 2000. Tabelas oficiais estaduais incluem caminhões como LZ4250, EQ1060 e DFL 1120B, com anos de fabricação entre a segunda metade daquela década e o início da seguinte.

Em 2010, a fabricante chegou a procurar uma representação mais estruturada no país. Na época, grupos brasileiros disputavam a possibilidade de distribuir seus veículos, inicialmente com atenção aos comerciais pesados.

A presença acabou nunca assumindo a dimensão de uma operação nacional de automóveis como a anunciada agora. Ainda assim, unidades continuaram aparecendo esporadicamente nos registros brasileiros durante os anos seguintes.

Effa V22 2020
Effa V22: utilitário da Dongfeng Imagem: Divulgação

A história também passa pela DFSK. A sigla surgiu da Dongfeng Sokon, associação formada pela Dongfeng com a Sokon para produzir principalmente veículos comerciais leves e, posteriormente, automóveis.

Produtos dessa empresa chegaram ao Brasil por meio da Effa, que comercializou picapes e utilitários como K01, K02, V21 e V22. É necessário fazer uma distinção: a Effa já trabalhava anteriormente com outros fabricantes chineses, como Changhe e Hafei, portanto nem todo Effa vendido no Brasil tinha relação com a Dongfeng. O próprio M100, que chegou em 2008 e chegou a ser o automóvel mais barato do país, era originalmente um produto da Changhe.

A ligação com fabricantes japoneses é ainda mais relevante. Na China, a Dongfeng construiu durante décadas joint ventures com empresas estrangeiras, entre elas Nissan e Honda. A Dongfeng Nissan, por exemplo, tornou-se uma das principais operações da fabricante japonesa no mercado chinês.

Ricardo Meier

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