Clone indiano do Jeep Willys tem revés nos EUA

Mahindra Roxor abusava da semelhança com o clássico veículo, mas montadora decidiu mudar grade para não dar tanto na cara
O Mahindra Roxor antes da mudança da grade: cara de pau da Mahindra

O Mahindra Roxor antes da mudança da grade: cara de pau da Mahindra | Imagem: Divulgação

A montadora indiana Mahindra não é o que podemos chamar de um exemplo de empresa emergente. Ao contrário da concorrente Tata, que soube valorizar as marcas Jaguar e Land Rover, a Mahindra & Mahindra até hoje tenta sem sucesso se globalizar. Para isso virou dona da sul-corenana SsangYong, um raro exemplo de iniciativa frustrada no país asiático. Os indianos também andaram buscando clientes para seus estranhos modelos mundo afora, incluindo o Brasil, onde tivemos uma frustrada parceria com a empresa Bramont, que vendeu por algum tempo o Scorpio, um SUV bastante antiquado montado em Manaus.

A Mahindra, no entanto, também é uma empresa abusada. Em 2018, os indianos ousaram entrar no mercado norte-americano, mas para isso escolheram um modelo polêmico, o Roxor. Para quem não o conhece, trata-se de um clone do Jeep Willys, o clássico veículo militar que até hoje vive no imaginário das pessoas.

Embora modesta para os padrões americanos, a comercialização do Roxor irritou os dirigentes da FCA, dona da marca Jeep, que entraram com uma ação na Comissão de Comércio Internacional dos EUA para barrar a venda do veículo. O caso foi julgado na semana passada, com ganho de causa para o grupo ítalo-americano, é claro, e que proibiu a importação de certas partes do modelo que configuram uma imitação do visual da Jeep - governo americano ainda precisa ratificar a decisão de fato, o que deve ocorrer em até 60 dias.

Apesar disso, a Mahindra afirmou em nota que continuará produzindo e vendendo o Roxor nos EUA: "A empresa e a Mahindra Automotive North America permanecem firmes em sua posição de que o Roxor não viola a aparência comercial da Jeep", afirmou a montadora, que avalia entrar com um recurso na Justiça para reverter a decisão.

Curiosamente, os indianos aplicaram algumas mudanças visuais no Roxor na linha 2020 justamente na sua grade, que deixou de apresentar frisos verticais semelhantes aos da Jeep. A FCA, por sua vez, declarou que " está satisfeita com a decisão da comissão nessa questão".

O novo Wrangler e o Jeep original: sucessor oficial
O novo Wrangler e o Jeep original: sucessor oficial
Imagem: Divulgação

Produção sob licença

A ligação da Mahindra com o Jeep Willys é de fato antiga. A empresa fechou um contrato de produção local do jipe em 1947 ainda com a Willys, tempos em que ninguém ainda imaginava que o rústico modelo daria origem a uma marca global. Com pequenas modificações, a montadora vende a cópia do Jeep, batizada de Thar, até hoje na Índia e em 2017 resolveu lançá-lo nos EUA, escolhendo uma fábrica em Auburn Hills, vizinha à FCA, para montá-lo.

Embora use um motor diesel da própria Mahindra e seja oferecido em versões diversas, não há como negar que o Roxor se beneficia da criação original para encontrar uma clientela carente do icônico veículo, não mais produzido pela própria Jeep. A marca americana, ao contrário, faz alusão ao Jeep CJ em seus novos veículos como o Renegade e a nova geração do Wrangler, o sucessor oficial do primeiro Jeep. No entanto, tratam-se de veículos infinitamente mais avançados e que em nada compartilham as características do pioneiro Jeep, como seria de esperar.

Apesar de todo rigor da Justiça, é bem possível que o Roxor siga à venda nos EUA, com uma carinha disfarçada, mas bebendo na fonte de um dos mais importantes veículos já criados. É bom a Land Rover e a Volkswagen tomarem cuidado com a Mahindra. Vai saber se os indianos não resolvem lançar clones do Defender no Reino Unido e do Fusca na Alemanha...

Mahindra Roxor 2020
Mahindra Roxor 2020
Imagem: Divulgação
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