Conselhos de Fiat Chrysler e Peugeot S.A. dão sinal verde para fusão

Se aprovada, união criará o quarto maior conglomerado automotivo do mundo
Peugeot 208 2020

Peugeot 208 2020 | Imagem: Divulgação

Ao contrário de sua negociação prévia com o grupo Renault, marcada por uma série de disputas e conflitos políticos, a Fiat Chrysler e a Peugeot S.A. surpreenderam pela agilidade de suas negociações. Entre o surgimento dos primeiros rumores de que as duas empresas estavam negociando uma fusão até o anúncio oficial da medida, não se passou sequer uma semana.

As duas empresas emitiram nesta quinta-feira (31) comunicados de mesmo teor em que detalham os passos da fusão que criará o quarto maior conglomerado automotivo do mundo, com vendas anuais na casa de 8,7 milhões de unidades e receitas combinadas de aproximadamente 170 bilhões de euros. A empresa resultante do acordo só ficará atrás do grupo Volkswagen, atualmente a maior empresa automotiva no mundo, seguido pela Toyota na vice-liderança e a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi em terceiro lugar.

A estruturação do acordo entre as duas companhias prevê que a transação será efetivada por meio de uma fusão sob controle de uma companhia holandesa e a estrutura de governança da nova companhia será equitativa entre os acionistas das empresas, com a maioria do conselho de administração composta por membros independentes. O corpo administrativo será composto por 11 executivos. Cinco membros serão nomeados pela FCA (incluindo John Elkann como presidente) e cinco serão nomeados pelo grupo PSA (incluindo o diretor sênior independente e o vice-presidente). O CEO será Carlos Tavares para o mandato inicial de cinco anos. Ele também será membro do conselho de administração.

“O plano para combinar os negócios do grupo PSA e da FCA resulta de intensas discussões entre a alta gestão das duas companhias. Ambas compartilham a convicção de que há lógica convincente para esse movimento ousado e decisivo, que criará um líder na indústria com a escala, capacidades e recursos suficientes para capturar com sucesso as oportunidades e gerenciar de forma efetiva os desafios da nova era em mobilidade”, relatam as duas empresas em comunicado.

O plano, segundo as duas empresas, não contempla o fechamento de fábricas. “O significativo acréscimo de valor resultante da transação é estimado na ordem de 3,7 bilhões de euros em sinergias anuais, derivadas principalmente de maior eficiência na alocação de recursos para investimentos de larga escala em plataformas de veículos, motores e transmissões e novas tecnologias, além da melhoria da capacidade de compras resultante da nova escala combinada do grupo”, explicam. “Projeta-se que 80% das sinergias sejam alcançadas após quatro anos. O custo total único para que essa sinergia seja alcançada é estimado em 2,8 bilhões de euros”.

A empresa controladora do novo grupo, localizada na Holanda, será listada na Bolsa Italiana (Milão), Euronext (Paris) e na Bolsa de Valores de Nova York, e continuará a manter presenças significativas nos atuais escritórios centrais da França, Itália e Estados Unidos. Antes do fechamento da transação, a FCA vai distribuir aos seus acionistas um dividendo especial de 5,5 bilhões de euros, assim como sua participação acionária na Comau. Adicionalmente, antes da conclusão, a Peugeot vai distribuir a seus acionistas a sua parcela de 46% na Faurecia. Isso permitirá que os acionistas dos grupos combinados compartilhem igualmente as sinergias e benefícios que resultarão de uma fusão, reconhecendo o valor significativo da diferenciada plataforma da FCA na América do Norte e sua forte posição na América Latina, incluindo sua liderança e participações de mercados nessas regiões.

Interessante destacar a quantidade de marcas que se tornarão unidas caso o acordo seja aprovado por todas as autoridades competentes. Por parte da FCA, o grupo atualmente é composto pela Fiat, Alfa Romeo, Maserati, Lancia e Abarth. O grupo ítalo-americano ainda administra a Case New Holland no setor de tratores, máquinas de construção e colheitadeiras; a Iveco e a Irisbus no segmento de caminhões e ônibus; Magneti Marelli, Teksid, FPT Powertrain e COMAU para componentes e serviços automotivos e a Innocenti, que se especializou na fabricação de motos. Desde 2016, a Ferrari já não faz mais parte da FCA. Do lado norte-americano, integram o grupo a Chrysler, Dodge, Jeep e Ram.

A PSA, por sua vez, engloba as marcas Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall. Entre os investimentos e holdings, atualmente a PSA conta com a Faurecia, GEFCO e a chinesa Dongfeng (também acionista do grupo). 

Com isso, a futura empresa que nascerá da fusão entre PSA e FCA terá ao menos dez marcas focadas apenas do desenvolvimento e fabricação de automóveis. "Esse amplo portfolio cobrirá todos os segmentos de mercados com marcas icônicas e produtos fortes, baseados em plataformas racionalizadas e na otimização de investimentos". 

Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio 2018
Alfa Romeo: uma das marcas premium da FCA ao lado da Maserati
Imagem: Divulgação

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