Contran ratifica fim da Kombi em 2014

Órgão negou o pedido da Volkswagen para abrir exceção ao utilitário por mais dois anos

Cada uma será vendida a R$ 85.000 | Imagem: Divulgação

Nem sindicato, nem Volkswagen, nem o ministro Guido Mantega foram capazes de convencer o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) a voltar atrás na aplicação da lei que obriga que os novos veículos produzidos no Brasil a partir de 2014 tenham de série airbags e ABS. O órgão, que regulamenta as leis de trânsito no País, ratificou a resolução que entrará em vigor no dia 1º de janeiro.

"Todas as montadoras tiveram o tempo necessário para adequar a sua linha de produção à resolução 311/2009-312/2009", justificou o presidente do Contran, Morvam Duarte.

A polêmica surgiu 20 dias antes de a resolução entrar em vigor. Segundo apurou o AUTOO, tudo teria começado com um contato entre executivos da Volkswagen e a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Nessa reunião, a montadora teria alarmado os sindicalistas que o fim da Kombi causaria várias demissões.

Com trânsito com o ex-presidente Lula, os sindicalistas fizeram chegar à presidente Dilma Rousseff a proposta de salvar a Kombi por mais dois anos. A tarefa foi passada ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que decidiu propor que a resolução fosse aplicada aos poucos até 2016, temendo impacto nos preços dos carros populares – o custo dos itens é estimado em R$ 1.500 a R$ 2 mil.

Só não haviam combinado isso com o Ministério das Cidades, a quem o Denatran e o Contran são subordinados. A resolução deu o tempo necessário para que empresas adaptassem veículos e realocassem funcionários nesses quatro anos desde a decisão. A ideia também encontrou resistência na opinião pública e na de especialistas e empresas que se prepararam por anos para dar conta da demanda de airbags e sistemas de ABS.

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A última tacada dos defensores da postergação da adoção dos itens de segurança foi abrir uma exceção para a Kombi, mas o ministro das Cidades foi taxativo: “seria um retrocesso no esforço para reduzir os acidentes”, explicou Aguinaldo Ribeiro.

No fim, a proposta tardia serviu apenas para desgastar a imagem dos que ainda resistem aos avanços do setor automobilístico, mas também mostrou que a sociedade está mais atenta às questões de segurança.

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