Europa persegue carros grandes com taxas e impostos. E se a moda pega no Brasil?
Paris adota tarifas mais altas para SUVs e modelos pesados, enquanto o aumento do tamanho dos veículos também é realidade no mercado brasileiro
A prefeitura de Paris implementou em outubro tarifas de estacionamento significativamente mais altas para veículos grandes, como parte de uma estratégia para conter o aumento do tamanho dos carros nas ruas da cidade.
A medida faz parte de um conjunto de políticas para reduzir o tráfego intenso e a poluição, que já inclui zonas de baixa emissão e restrições ao trânsito desde meados dos anos 2000.
As novas taxas triplicaram: uma hora de estacionamento para SUVs e outros modelos pesados passou de €6 (R$ 37) para €18 (R$ 111), enquanto seis horas saltaram de €75 (R$ 465) para €225 (R$ 1.396), segundo dados oficiais da prefeitura.
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Após a adoção das tarifas, o número de veículos grandes estacionados nas ruas de Paris caiu em dois terços, confirmando que a medida surtiu efeito.
O movimento não é exclusivo na França, como apontou reportagem da BBC. No País de Gales, a prefeitura da capital Cardiff também passou a cobrar mais pelo estacionamento de veículos pesando mais de 2,4 toneladas, mais do que o dobro de um carro popular brasileiro.

Levantamentos confirmam que os veículos estão crescendo, um fenômeno conhecido como carspreading, No Reino Unido, a largura média dos novos modelos subiu 5,5cm desde 2018, enquanto o peso aumentou mais de 16%, explicada pela tendência global de preferência por SUVs, que atraem por sua sensação de segurança.
No Brasil não é diferente, com os segmentos de SUVs e picapes crescendo de forma acelerada, com impacto direto no desenho urbano, mobilidade e políticas de trânsito. Dados da Fenabrave mostram participação crescente desses modelos nas vendas nacionais, acompanhando o padrão mundial.
Mas e se medidas similares de restrições ocorressem também em nosso país? Hoje talvez a única iniciativa para restringir a circulação de veículos tem sido o rodízio de São Paulo, mas quem foi implantado há décadas e certamente tem pouco impacto na poluição.
Pior que isso é que ele acaba afetando proprietários de carros de menor valor já que a restrição se resume ao final da placa e não o tamanho, potência ou preço do modelo. Quem pode, mantém mais de um carro na garagem para não ter de usar transporte público. Ou seja, por enquanto seguir o exemplo europeu parece fora de questão por aqui.
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