A Fiat e a Jeep passarão a contar com uma nova família de motores modernos em 2021 que será aplicada em boa parte dos modelos nacionais do grupo Fiat Chrysler. De acordo com a empresa, os novos motores GSE Turbo (Firefly turbo) não tiram de produção os atuais propulsores fabricados por aqui pela FCA, sendo que a gama fica composta pelas linhas Fire, Firefly, Firefly Turbo e E.torQ, além dos importados Tigershark e Multijet turbodiesel. A FCA, holding que reúne as duas marcas, anunciou nesta quarta-feira (22) em Betim (MG) um investimento de R$ 500 milhões na sua principal fábrica para produzir os dois novos motores 1.0 (T3) e 1.3 turbo flex (T4) com injeção direta de combustível

O valor é parte de um montante de R$ 8,5 bilhões já confirmado anteriormente. A nova linha de motores é crucial para que tanto a Fiat quanto a Jeep possam oferecer seus atuais e futuros modelos com um desempenho e economia compatíveis com a evolução do mercado. Segundo a fabricante, a fábrica de motores dedicada para a nova linha Firefly Turbo será capaz de produzir 100 mil propulsores ao ano e vai gerar 1,2 mil empregos. A FCA destaca também o foco na exportação e adianta que que já tem contratado o embarque de mais de 400 mil motores até 2022. O destino inclui vários mercados, principalmente o europeu.  

"Com a chegada dos motores GSE Turbo, a FCA passa a ter uma das maiores gamas de propulsores na América Latina. Em Betim (MG) são produzidos os motores Fire 1.0 flex e 1.4 gasolina e flex, Firefly 1.0 flex e 1.3 gasolina e flex, além da nova família GSE Turbo, flex e gasolina. A planta de Campo Largo (PR) vai continuar a produzir os motores E.torQ 1.6 (gasolina, exportação) e 1.8, nas configurações gasolina e flex", detalha a marca. 

A empresa não forneceu detalhes sobre potência ou torque dos dois motores mas confirmou que ambos serão equipados com o sistema MultiAir de 5ª geração. Para quem não sabe, trata-se de um recurso técnico avançado que controla o tempo de abertura e o curso das válvulas de acordo com o perfil de funcionamento do motor. O sistema, no caso dos motores Firefly Turbo, atuará com controle eletrônico nas vålvulas de admissão. O resultado é uma maior eficiência que deve se traduzir em um consumo excelente. Os propulsores T3 e T4 ainda contam com os seguintes diferenciais: bloco de alumínio com alta rigidez estrutural; câmara de combustão com 4 válvulas por cilindro, alinhado com a exigência do sistema turboalimentado; coletor de descarga integrado ao cabeçote; sistema de arrefecimento misto água/ar integrado no coletor de admissão para refrigerar o ar aspirado; bomba de óleo a cilindrada variável e turbo controlado eletronicamente.

A performance dos novos motores será tão elevada que a FCA já adiantou que a nova fábrica exportará parte da produção para outros países, incluindo a Europa. Produção essa que será iniciada no último trimestre de 2020 para que os primeiros carros equipados com os novos propulsores cheguem ao mercado brasileiro no início de 2021.

Onde veremos os novos motores

Como era de se esperar, a FCA faz segredo a respeito dos futuros modelos que receberão os motores. No entanto, é bastante razoável que eles serão introduzidos em seus veículos mais vendidos sobretudo o Renegade e Compass na Jeep e a picape Toro na Fiat – além dos novos produtos que estão a caminho.

A razão é bastante óbvia: hoje a montadora utiliza o motor 1.8 aspirado, projeto antigo que foi herdado da antiga fábrica da Tritec no Paraná. Com desempenho razoável e consumo alto, eles acabam prejudicando os bons produtos de ambas as marcas. Os três certamente contarão com a versão 1.3 turbo enquanto a 1.0 pode se tornar a padrão nas versões mais caras do Argo e do Cronos, assim como ocorre nos rivais Polo e Virtus, da Volkswagen.

Por falar em novos produtos, o presidente da FCA no Brasil, Antonio Filosa, voltou a afirmar que a Fiat terá de dois a três SUVs novos nos próximos anos, parte do plano de 15 lançamentos até 2024. 

Solução interessante 

A FCA também anunciou o trabalho em um propulsor muito interessante derivado do 1.3 Firefly Turbo. Chamado de E4, ele "irá elevar os motores a etanol a um outro patamar de aproveitamento energético", destaca a Fiat Chrysler em comunicado. "Trata-se de um motor concebido para uso otimizado do etanol, baseado na arquitetura do T4. O objetivo é reduzir o gap de consumo do etanol em relação à gasolina, que é de 30% atualmente, para obter um motor de alta eficiência energética e baixo impacto ambiental", explica a FCA. A produção do motor E4, entretanto, ainda não está confirmada. 

 

Acima o motor 1.3 turbo já usado pela Fiat Chrysler na Europa
Acima o motor 1.3 turbo já usado pela Fiat Chrysler na Europa
Imagem: Divulgação

 

 

 

 

 

César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo | http://www.jcceditorial.com.br/