Fim da Frontier argentina leva junto a Alaskan e sonho de pólo de picapes médias
Decisão da Nissan de encerrar produção da picape em Córdoba até o final deste ano é mais um caso de plano ambicioso que frustrou expectativa
Há muitos anos, a Argentina tornou-se a "meca" da picapes médias. Começou a com Ford Ranger, ganhou a companhia da Toyota Hilux em 1997 e da inédita Amarok, da Volkswagen, em 2009.
Não é por menos, portanto, que a Nissan decidiu em 2017 instalar em Córdoba uma linha de montagem da Frontier, numa parceria simbiótica com a Renault e tendo como cliente nada menos que a Mercedes-Benz.
O plano, ambicioso, previa produzir não só a nova Frontier como também a Renault Alaskan e a Mercedes-Benz Classe X, esta que logo deu adeus, em 2019.
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Oito anos depois, no entanto, o sonho acabou após a montadora japonesa confirmar o fim da produção na Argentina.
A linha de montagem, que usa ferramental da Nissan, mas funcionários da Renault, vai funcionar até o final do ano, quando o acordo original acaba. Poderia ser renovado, é claro, mas os tempos são outros e as duas parceiras já não gozam mais da mesma sinergia.

Picape intermediária
A Frontier, como mostramos aqui, virá do México, onde a atual chegou a ser exportada para o Brasil. Já a Alaskan não terá sucessora.
A Renault, em vez disso, vai lançar no mercado a "Niagara", uma picape intermediária de chassi monobloco e porte mais próximo da Fiat Toro - a Oroch nunca conseguiu encará-la de igual para igual.
Há esperança que a Nissan aproveite essa base para ter um modelo próprio, porém, isso não é certo. A fabricante japonesa anda sob pressão devido ao grande prejuízo e a queda nas vendas.
No Brasil, o foco são os SUVs compactos, onde teremos não só a segunda geração do Kicks como um crossover menor, baseado no Kardian. Ambos produzidos em Resende, no Rio de Janeiro.

Modelo expatriado não se deu bem
O fim da Frontier argentina é mais um caso curioso, o de modelos antes nacionais que mudaram para o vizinho e se deram mal.
A Peugeot, por exemplo, levou para a Argentina o 208 e, mesmo com toda a ofensiva bancada pela Stellantis, não vende bem. O irmão 2008 acaba de ser expatriado e até começou bem. A ver se resiste.
A Renault começou a produzir o Mégane no vizinho, depois transferiu a produção de geração seguinte para o Paraná e então colocou no mercado o Fluence, feito na Argentina. Nenhum deles emplacou.
No caso da Nissan, a Frontier foi produzida no Brasil e teve um relativo sucesso. Em 2011, por exemplo, mais de 17,5 mil unidades foram emplacadas.

A atual geração apenas atingiu um volume razoável em 2020, em meio à pandemia, com 11,8 mil vendas.
Fato é que são raros os veículos argentinos que lideram no Brasil. A Hilux é a exceção e pode-se dizer que o sedã Fiat Cronos se sai bem.
Vir do México, mesmo que sem pagar impostos e agora com a "ajuda" de Donald Trump em fechar o mercado dos EUA, ajuda menos ainda.
Questões logísticas acabam sendo uma barreira difícil para brigar com modelos nacionais, mas parece que algumas marcas se importam mais com margem de lucro do que atender a um público mais amplo.
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