Honda e Nissan protagonizaram papelão em tentativa frustrada de fusão
Pressionadas pelas fabricantes chinesas, montadoras do Japão ensaiaram união em dezembro, mas desde então as diferenças só cresceram
Carlos Ghosn deve ter sorrido na quinta-feira, 13, quando Honda, Nissan e Mitsubishi anunciaram o fim prematuro do Memorando de Entendimento que poderia criar o quarto maior grupo automobilístico do mundo.
As três fabricantes japonesas pioraram o que já era ruim. Pressionadas como estão pelo avanço das novas marcas de automóveis da China - e seu domínio sobre eletrificação - as montadoras correram para anunciar em dezembro o início das conversas para uma possível fusão.
Parecia uma saída digna para as três, já que juntas teriam força no mercado, além de capacidade produtiva e o principal, custos mais competitivos para desenvolver novos produtos.
Porém, faltou combinar o restante. Já na largada ficou claro que a Nissan tinha a situação mais precária e logo a Honda ousou sugerir que a rival virasse sua subsidiária.
A despeito do fim, as empresas reafirmaram que outro acordo assinado em agosto, para explorar tecnologias em conjunto, seguirá valendo.
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A falta de entendimento mostrou que o anúncio foi precipitado, típico do abraço de afogados. A Honda ainda segue com uma situação mais confiável, mas sozinha, não tem força para enfrentar a concorrência.

Já a Nissan, que vive uma crise desde 2018 quando o Ghosn foi afastado após um escândalo que culminou com sua prisão no Japão, o cenário é dos piores. A empresa registrou uma queda de 2% nas vendas no terceiro trimestre fiscal a despeito de um ligeiro aumento nos Estados Unidos.
As ações na Bolsa de Valores de Tóquio, que havim subido bastante desde o anúncio dos planos de fusão no final de dezembro, caíram para 387 ienes em 5 de fevereiro, quando o fim da parceria já era noticiado no mercado.
E se notícia ruim não bastasse, ambas estão ainda deglutindo a guerra comercial decretada pelo presidente Donald Trump, que resolveu taxar produtos importados de seus tradicionais parceiros, o Canadá e o México.
Este último passou a contar com uma grande infraestrutura de produção de veículos sob a benção do NAFTA, o acordo de livre comércio com os EUA. Agora produzir lá pode não ser mais viável.
O brasileiro ex-CEO da Nissan já havia previsto que a união de Honda e Nissan não fazia qualquer sentido. Pelo jeito, o executivos das empresas só descobriram isso depois.
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