Lecar perde acesso aos benefícios do Programa Mover após suspensão do governo
Montadora brasileira não comprovou investimentos exigidos em pesquisa
A montadora brasileira, Lecar, foi suspensa do Programa Mover, iniciativa do governo federal que permite incentivos fiscais e créditos financeiros para empresas que investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor automotivo.
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A decisão foi publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no último dia 2 e tem efeito retroativo a 1º de maio. Segundo o órgão, a fabricante não apresentou a documentação técnica necessária para comprovar os investimentos exigidos pelo programa.
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Sem acesso aos benefícios do Programa Mover

Imagem: Divulgação
Com a suspensão, a Lecar ficará sem acesso aos benefícios até que regularize a situação e envie os documentos pendentes. Outras empresas também foram afetadas pela mesma medida, entre elas Cummins Filtros, Simoldes, Nione e 3Sat Tecnologia.
Fundada em 2022 pelo empresário Flávio Figueiredo Assis, a Lecar ainda não conseguiu colocar nenhum veículo nas ruas. Embora tenha anunciado inicialmente o início das entregas para 2026, o cronograma acabou sendo adiado e os modelos seguem em fase de desenvolvimento.
A marca quer trabalhar com dois veículos, o cupê 459 e a picape compacta Campo. Apesar da divulgação constante de novidades, os dois projetos ainda estão longe da linha de produção. A própria Campo foi apresentada ao público durante o último Salão do Automóvel apenas como um protótipo construído com peças de isopor.
Mas recentemente, a empresa revelou uma evolução do Lecar 459. O carro já aparece com pintura em tom azul metálico, novas maçanetas e rodas que parecem ser as escolhidas para a versão final. Ainda assim, o modelo segue incompleto, sem itens fundamentais como vidros, bancos e o conjunto mecânico instalado.
Ainda não há fábrica

Imagem: Divulgação
Eles querem utilizar um sistema híbrido flex formado pelo motor 1.0 turbo fornecido pela Horse, conhecido por equipar modelos como Renault Kardian e Nissan Kicks, trabalhando em conjunto com um motor elétrico de 163 cv e 26,3 kgfm de torque.
Nesse sistema, o motor a combustão atuaria apenas como gerador de energia, enquanto a movimentação do veículo ficaria totalmente a cargo da unidade elétrica.
Além das dificuldades relacionadas aos veículos, a empresa também ainda não iniciou a construção da fábrica anunciada para Sooretama, no Espírito Santo. O projeto prevê uma unidade com capacidade para produzir até 120 mil veículos por ano e gerar cerca de 1.300 empregos.
O complexo ocuparia uma área construída de 90 mil m² dentro de um terreno de 420 mil m². No entanto, até o momento não há confirmação de investimentos nem licenças emitidas para o início das obras.
Empresa foi acusada de operar de forma irregular

Imagem: Projeções/ Kleber Silva
Há ainda outra polêmicam, em abril, a empresa foi acusada de operar uma espécie de sistema irregular de comercialização ao oferecer seus futuros veículos por meio de uma modalidade chamada “Compra Programada”.
Os modelos 459 e Campo eram anunciados por R$ 159.300, com pagamentos realizados através de boletos emitidos pela própria fabricante, mesmo sem os veículos estarem finalizados ou homologados para venda.
