Lepas L8 e outros 4 SUVs chineses que desafiam marcas tradicionais de luxo no Brasil

Além de estarem superando modelos populares, fabricantes vindas da China agora sobem de patamar
Lepas L8

Lepas L8 | Imagem: Divulgação

As fabricantes chinesas estão ampliando sua ofensiva no segmento de luxo brasileiro. Depois de conquistar espaço entre os modelos elétricos e híbridos de preços mais acessíveis, as marcas do país asiático passaram a mirar consumidores de SUVs premium, com veículos que combinam desempenho elevado, eletrificação, acabamento sofisticado e ampla oferta de equipamentos.

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Modelos como Lepas L8, Denza B5, Wey 07, Zeekr X e MG IM6 representam diferentes estratégias para enfrentar fabricantes tradicionais como BMW, Mercedes-Benz, Audi, Volvo, Land Rover e Porsche. Alguns já estão disponíveis no Brasil, enquanto outros fazem parte dos próximos lançamentos previstos para o mercado nacional. 

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A proposta dessas marcas não se resume a oferecer mais equipamentos por um preço competitivo. A intenção é demonstrar que a indústria chinesa também consegue disputar espaço em categorias nas quais tradição, qualidade de construção e prestígio da marca costumam ter grande influência na decisão de compra.

1. Lepas L8: novo SUV premium para enfrentar os europeus

Lepas 8
Lepas 8
Imagem: Divulgação

O Lepas L8 será um dos principais representantes da nova marca premium do Grupo Chery no Brasil. A fabricante confirmou a estreia da Lepas no país para o segundo semestre de 2027, com uma linha inicial formada pelos SUVs L4, L6 e L8. A marca ficará posicionada acima da Omoda e da Jaecoo em sua estratégia comercial.

Com 4,69 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,69 m de altura e entre-eixos de 2,80 m, o L8 tem porte de SUV médio. A configuração híbrida plug-in apresentada em outros mercados combina motor 1.5 turbo a gasolina, de 143 cv, a um propulsor elétrico de 204 cv. A potência combinada declarada é de aproximadamente 279 cv, com torque de 36,5 kgfm.

A bateria de 18,4 kWh proporciona autonomia elétrica de cerca de 100 km pelo ciclo WLTC, enquanto a aceleração de zero a 100 km/h ocorre em 8,5 segundos. Esses números correspondem à configuração internacional e não necessariamente à versão brasileira.

O modelo também oferece central multimídia de 13,25 polegadas, painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas, sistema de som Sony, bancos ventilados e assistências eletrônicas à condução. O porta-malas tem capacidade de 507 litros, podendo chegar a 1.314 litros com os bancos traseiros rebatidos.

A proposta é atrair consumidores interessados em SUVs de marcas como BMW, Mercedes-Benz e Audi, que valorizam conforto, tecnologia e acabamento refinado. A Lepas ainda precisará construir sua imagem no mercado brasileiro, mas contará com a experiência industrial do Grupo Chery para desenvolver sua operação.

Os preços, os equipamentos definitivos e os detalhes técnicos da configuração brasileira do L8 deverão ser conhecidos mais perto do lançamento. Por enquanto, o modelo representa uma aposta futura no segmento premium, e não um concorrente já disponível nas concessionárias nacionais.

2. Denza B5: SUV híbrido que mira o Land Rover Defender

Denza B5
Denza B5
Imagem: Divulgação

A Denza, marca premium da BYD, já tem no B5 um de seus principais representantes no mercado brasileiro. O SUV aposta em um desenho robusto, com carroceria de linhas retas, aparência de veículo fora de estrada e recursos voltados à condução em terrenos difíceis.

Com 4,92 m de comprimento e entre-eixos de 2,80 m, o Denza B5 utiliza um conjunto híbrido plug-in formado por motor 1.5 turbo a gasolina, de 197 cv, e dois motores elétricos. A potência combinada chega a cerca de 677 cv, com torque de aproximadamente 77,5 kgfm. A transmissão é automática, e a tração integral permite distribuir a força entre os dois eixos.

A bateria de 31,8 kWh proporciona autonomia elétrica de até 74 km pelo padrão do Inmetro. Mesmo com peso próximo de três toneladas, o modelo acelera de zero a 100 km/h em cerca de 4,8 segundos, segundo dados divulgados para o veículo. A autonomia combinada supera 900 km, conforme a fabricante.

A proposta também inclui chassi com estrutura voltada ao uso fora de estrada, suspensão com controle eletrônico e recursos para enfrentar terrenos irregulares. No interior, o B5 traz painel digital de 12,3 polegadas, central multimídia de 15,6 polegadas e tela adicional de 12,3 polegadas para o passageiro dianteiro. Há ainda bancos com ajustes elétricos, aquecimento, ventilação e massagem, além de sistema de som premium e 11 airbags.

O principal referencial do Denza B5 é o Land Rover Defender, especialmente pela aparência aventureira e pela combinação entre luxo e capacidade fora de estrada. A comparação, entretanto, vai além do estilo: a engenharia, o comportamento em trilhas, a autonomia e a resistência dos componentes também serão determinantes para conquistar consumidores desse segmento.

A Denza procura se diferenciar com a eletrificação e o conteúdo tecnológico, em uma categoria na qual o Defender construiu sua reputação ao longo de décadas. Para o comprador brasileiro, o B5 representa uma alternativa de origem chinesa que já participa efetivamente da disputa entre os SUVs de alto padrão.

3. Wey 07: luxo e espaço para seis ocupantes

GWM Wey 07 2026
GWM Wey 07
 Imagem: Divulgação

O Wey 07 é o SUV de luxo da GWM no Brasil e aposta principalmente no conforto dos passageiros, no desempenho e na tecnologia embarcada. Com seis lugares, o modelo procura atender famílias que desejam um veículo espaçoso sem abrir mão de acabamento refinado e recursos normalmente associados a categorias superiores.

O sistema híbrido plug-in Hi4 combina motor 1.5 turbo a gasolina e propulsores elétricos, com potência combinada de 517 cv e torque de 820 Nm, equivalente a 83,6 kgfm. A tração integral inteligente contribui para distribuir a força entre as rodas, enquanto a transmissão híbrida dedicada gerencia o funcionamento dos motores.

A bateria tem capacidade de 42,5 kWh e proporciona autonomia elétrica de até 128 km pelo Inmetro ou 185 km pelo ciclo WLTP. Segundo a fabricante, o SUV acelera de zero a 100 km/h em 4,9 segundos e pode atingir 190 km/h, com velocidade máxima limitada eletronicamente.

O modelo mede 5,16 m de comprimento, 1,98 m de largura e 1,81 m de altura, com entre-eixos de 3,05 m. O porta-malas oferece 239 litros com os seis lugares em uso e chega a 1.040 litros com a terceira fileira rebatida.

A cabine reúne bancos revestidos de couro Nappa, ar-condicionado de três zonas e itens voltados ao conforto dos ocupantes. O conjunto coloca o Wey 07 em uma faixa de mercado na qual o consumidor também considera modelos como BMW X5, Mercedes-Benz GLE e Audi Q7, embora existam diferenças de porte, configuração e proposta entre eles.

O modelo é vendido no Brasil por R$ 429 mil. A GWM aposta na combinação de desempenho, eletrificação e espaço interno para disputar consumidores que tradicionalmente procurariam marcas alemãs ou suecas.

4. Zeekr X: SUV elétrico compacto com proposta premium

Zeekr X
Zeekr X
Imagem: Divulgação

Ligada ao grupo Geely, a Zeekr foi criada para atuar no segmento de veículos elétricos de maior valor agregado. O Zeekr X representa sua proposta para o segmento de SUVs compactos premium, com desenho contemporâneo, interior minimalista e foco em tecnologia.

O modelo mede 4,43 m de comprimento, 1,84 m de largura e 1,57 m de altura, com entre-eixos de 2,75 m. A bateria tem capacidade de 66 kWh e alimenta motores elétricos que variam conforme a versão.

Na configuração de tração traseira, o Zeekr X desenvolve 272 cv e 343 Nm de torque, acelera de zero a 100 km/h em 5,6 segundos e tem autonomia de até 332 km pelo padrão PBEV do Inmetro. Já a versão com dois motores e tração integral entrega 428 cv e 55,3 kgfm, permitindo acelerar de zero a 100 km/h em apenas 3,8 segundos. Nesse caso, a autonomia declarada é de até 304 km pelo mesmo padrão.

O SUV também oferece recursos de conectividade, assistências eletrônicas à condução e acabamento com proposta premium. A entrega imediata de torque favorece as acelerações, enquanto a ausência de motor a combustão proporciona uma condução silenciosa e sem emissões pelo escapamento.

Entre suas referências estão o Volvo EX30 e o Mercedes-Benz EQA. O primeiro também pertence ao universo industrial da Geely, enquanto o segundo representa a tradição alemã entre os SUVs elétricos premium. O Zeekr X procura se destacar pelo desempenho, pelo desenho e pelo pacote de equipamentos.

A disputa, porém, não se resolve apenas com potência e telas digitais. Rede de assistência, disponibilidade de peças, garantia da bateria, infraestrutura de recarga e valor de revenda serão fatores importantes para determinar a aceitação do modelo no Brasil.

5. MG IM6: elétrico de alto desempenho para desafiar a Porsche

MG IM6
MG IM6
Imagem: Divulgação

A MG prepara uma ofensiva mais sofisticada no Brasil com o IM6, SUV elétrico de grande porte que inaugura a atuação da marca IM Motors no país. O modelo foi apresentado no Festival Interlagos de 2026 e tem chegada ao mercado brasileiro prevista para outubro.

O IM6 terá duas opções de bateria no Brasil, com capacidades de 75 kWh e 100 kWh. Na configuração de maior desempenho, equipada com dois motores elétricos e tração integral, a potência chega a 752 cv, com torque de 81,7 kgfm. A aceleração de zero a 100 km/h ocorre em 3,5 segundos, e a autonomia declarada pelo Inmetro chega a 400 km.

O SUV mede aproximadamente 4,90 m de comprimento, com entre-eixos de 2,90 m. Entre os destaques técnicos estão a arquitetura elétrica de 800 volts nas versões mais sofisticadas, a recarga rápida em corrente contínua e a direção nas quatro rodas, recurso que facilita as manobras em baixas velocidades e contribui para a estabilidade em velocidades mais altas.

A cabine traz duas telas integradas, de 26,3 e 10,5 polegadas, além de bancos com formato voltado ao conforto e sistema de isolamento acústico com vidros duplos laminados. O pacote de assistências eletrônicas inclui recursos para prevenir colisões e auxiliar o motorista em diferentes situações de condução.

O principal referencial entre os modelos tradicionais é o Porsche Macan elétrico, embora o IM6 também possa ser comparado a SUVs elétricos premium de BMW e Mercedes-Benz. A disputa envolve não apenas potência e autonomia, mas também comportamento dinâmico, calibração da suspensão, qualidade de acabamento e experiência ao volante.

A chegada do IM6 amplia a atuação da MG para além dos veículos eletrificados de perfil mais acessível. Com ele, a marca pretende demonstrar que também pode disputar consumidores interessados em tecnologia e desempenho de alto nível.

O desafio será transformar os números expressivos em uma experiência completa de produto premium, incluindo assistência técnica, disponibilidade de peças, garantia e atendimento após a compra.

Chineses ampliam a disputa pelo consumidor de luxo

Os cinco SUVs mostram como a indústria chinesa vem diversificando suas estratégias para conquistar espaço entre os consumidores de maior poder aquisitivo. O Lepas L8 representa uma aposta futura em SUVs híbridos plug-in; o Denza B5 combina eletrificação e vocação fora de estrada; o Wey 07 prioriza conforto e espaço; o Zeekr X aposta na mobilidade elétrica em formato compacto; e o MG IM6 busca atrair quem valoriza desempenho elevado.

A ofensiva coloca as marcas tradicionais diante de uma concorrência que combina tecnologia, equipamentos abundantes e novas soluções de propulsão. Em vez de disputar apenas pelo preço, as fabricantes chinesas procuram estabelecer uma identidade própria no segmento premium.

Para conquistar espaço de forma duradoura, entretanto, será necessário demonstrar qualidade de construção, confiabilidade, pós-venda eficiente e boa valorização no mercado de usados. São fatores que pesam tanto quanto a potência ou a quantidade de equipamentos na compra de um veículo de alto valor.

O mercado brasileiro começa, assim, a oferecer mais alternativas para quem deseja um SUV sofisticado. A questão é saber até que ponto os novos concorrentes conseguirão transformar seus argumentos tecnológicos em confiança e prestígio — dois atributos que sustentam há décadas a presença das marcas tradicionais no segmento de luxo.

Carlos Guimarães

Jornalista há mais de 20 anos, já acelerou várias novidades, mas não dispensa seu clássico no final de semana