Lista: 5 dicas para comprar um carro usado sem dor de cabeça

Saiba como identificar se um carro teve km adulterada, foi batido ou possui dívidas
Usados: público busca levantar dinheiro vendendo o carro atual

Usados: público busca levantar dinheiro vendendo o carro atual | Imagem: Agência Brasil

O mercado de carros seminovos e usados está em alta. Só em 2020 foram quase 9,5 milhões de transações envolvendo esse tipo de veículo, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Houve queda de 13,9% em relação a 2019, é verdade, mas esta pode ser considerada até sutil num ano afetado duramente pela pandemia do novo coronavírus. E, se compararmos com o mercado de automóveis e comerciais leves zero-quilômetro, que despencou 26,6% de um ano para o outro, perceberemos que os lojistas de usados não têm muito do que reclamar.

Além disso, os últimos meses do ano marcaram uma forte aceleração do setor, com alta de 4,3% nas vendas de dezembro em relação a novembro e de 22,3% no comparativo com o mesmo mês do ano anterior.

Tal aquecimento pode ser explicado pelos fortes reajustes nos preços de carros novos, impulsionados pela inflação e pela disparada do dólar ao longo de 2020. Para piorar, a produção de veículos segue limitada no país, devido à Covid-19, o que tem deixado os estoques baixos e promovido filas de espera pelos modelos mais procurados. Aí entra a popular lei da oferta e demanda.

Se o jeito é comprar um seminovo ou usado, o melhor é se certificar de que a aquisição não acarretará dores de cabeça no futuro. Para isso, preparamos uma lista com cinco dicas para avaliar bem o veículo pretendido antes de fechar negócio. Confira:

1) Como saber se o carro foi batido

Um lojista ou proprietário desonesto pode usar das mais diversas artimanhas e maquiagens para esconder de você que o carro que ele está tentando te vender já foi batido. Mas é possível fugir desse tipo armadilha.

Na parte dianteira e traseira, verifique se elementos como faróis, lanternas, para-choques, capô e tampa do porta-malas estão mais desalinhados entre si do que costumam estar em outros exemplares daquele mesmo modelo.

Observe também os parafusos em cofre do motor, porta-malas e portas laterais. Se houver diferenças de desgaste e alguns parafusos parecerem muito mais novos que outros, pode ser sinal de que houve substituição da alguma peça. Questione.

Outra dica é consultar se há diferenças de tonalidade da pintura entre as diversas partes da carroceria. Esse item pode não ser visivelmente óbvio, mas há um truque: pegue uma folha de papel e corte um quadrado no centro dela. Aplique a folha com o quadrado vazado no meio de duas chapas (porta do motorista e o para-lamas, por exemplo). Voilà!

Por fim, observe se para-brisa e vidros apresentam a numeração de chassi. Em caso negativo, este é um detalhe que indica peremptoriamente que houve troca.

2) Como saber se a quilometragem foi adulterada

Este é outro temor constante entre quem deseja adquirir um carro usado, especialmente se o exemplar em questão já tiver mais do que cinco anos de uso. Porque sim, infelizmente, a prática é muito comum entre lojistas multimarcas.

Uma boa maneira de saber se aquele carro usado está com a quilometragem correta é solicitar o registro de revisões no manual. Se o manual não possuir essa folha, fuja que é cilada!

Uma coisa é o documento não estar devidamente preenchido, o que por si denota desleixo do antigo dono e já é motivo para ficar com o pé atrás. Outra é ele simplesmente desaparecer, o que pode significar “queima de arquivo” para facilitar a adulteração.

Caso os registros estejam em ordem, compare a quilometragem atual com aquela anotada na última revisão, e pegue ainda a média de quilômetros rodados entre todas as visitas.

Desconfie, por exemplo, se o antigo proprietário rodava cerca de 8.000 km por ano entre as revisões, mas o odômetro só está com 2.000 km a mais desde a última e ela aconteceu há mais de três anos.

Outro meio de descobrir essa fraude é observar se há desgaste excessivo em componentes internos como pedais, estofamentos, volante, freio de estacionamento e manopla de câmbio. Carros com esses itens muito desgastados certamente já passaram de 100.000 km e apresentam estado incompatível com os atrativos 42.000 km mostrados no odômetro.

Faróis, lanternas e para-brisa com riscos e embaçamento, pintura desgastada, pneus no fim da vida e peças específicas novas demais em relação ao restante do veículo (a popular “maquiagem”) são outros sintomas de carro muito mais rodado do que o vendedor quer te fazer acreditar.

3) Como conferir a parte mecânica e lataria

Aqui é preciso se escorar, pelo menos parcialmente, na ajuda de um mecânico de confiança. O comprador consegue, por si mesmo, verificar o estado de conservação dos pneus e se há possíveis corrosões ou ferrugem na lateria ao observar atentamente sob tapetes e forrações de cabine, capô e porta-malas.

Com a ajuda do especialista, será possível checar o estado do conjunto de suspensões, motor, câmbio e se há focos de vazamento.

4) Estado geral do acabamento interno

Os tempos são de coronavírus, é verdade, mas não deixe de tocar em todos os elementos possíveis da cabine do carro pretendido. Leve, claro, um vidro de álcool em gel para desinfetar as mãos logo após esse procedimento.

Só assim será possível constatar se há peças soltas no painel ou nas portas, revestimentos descosturados, buracos no tecido causados por cinzas de cigarro ou outros detalhes do tipo que o vendedor, muitas vezes, tentará esconder.

5) Numeração de chassis e Renavam

Lembra da dica para olhar se para-brisa e vidros estão com a numeração de chassi? Fique atento se os códigos batem entre si e em relação ao documento do veículo. Esta dica vale especialmente na negociação particular.

Também é possível consultar no site do Detran de seu estado, com o número de Renavam e a placa do carro, se há pendências como IPVA e licenciamento atrasados, além de multas não quitadas (e quais os valores para regularizar tudo isso).

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Com todas as dicas ficará mais fácil - e seguro - comprar um carro usado
Imagem: Reprodução internet