Mesmo com IPI nas alturas, Prius vem ao Brasil

Carro híbrido mais vendido do mundo, modelo da Toyota chegará ao país por cerca de R$ 130.000

Toyota Prius | Imagem: Ricardo Meier

Mesmo sem apoio – por ora – do governo brasileiro e já vítima do aumento do IPI, o Prius, primeiro híbrido de massa do mundo, começará ser importado para o Brasil no 2º semestre de 2012 pela Toyota.

Há motivos para comemorar, afinal não existe hoje nenhum tipo de incentivo que encoraje a venda de veículos ecológicos, mesmo que eles poluam pouco e que consumam bem menos combustível que o mais econômico dos populares flex brasileiros. Ainda assim, mais de 90 países já vendem o modelo, lançado em 1997 na primeira geração, mas que passou a ter presença global na 3ª geração, introduzida em 2009.

É este modelo, com algumas modificações reveladas pela Toyota na véspera do Salão de Tóquio, que passará a ser vendido no Brasil com preço na casa de R$ 130 mil, já com os 48% de alíquota de IPI.

A Toyota, no entanto, mantém esperança de ver algum avanço nas conversas que têm com várias esferas do governo para que seja criada uma escala de cobrança de impostos baseada na emissão de poluentes e não no volume do motor, como hoje. Além de buscar a redução do IPI, a montadora também tenta com governos estaduais benefícios no IPVA e até mesmo com a prefeitura da cidade de São Paulo para que o Prius não entre no rodízio municipal.

Se fosse dispensado de recolher o IPI, por exemplo, o Prius poderia custar bem menos – “cerca de R$ 90 mil”, segundo Ricardo Bastos, gerente geral de relações públicas da Toyota no Brasil. É o dobro do que se cobra dos japoneses e quase 150% a mais que os americanos pagam. Mesmo assim, a montadora acredita que terá demanda mensal de pelo menos 100 unidades. “Consultamos nossos concessionários após o primeiro anúncio e a resposta foi acima da esperada”, revelou Bastos. Segundo o executivo, a Toyota reduziu margens de lucro para viabilizar a vinda do carro para o país.

Além do preço, outro empecilho foi contornado, o fato de a gasolina brasileira utilizar etanol em sua composição. “Já conseguimos equalizar isso e o Prius chegará ao Brasil preparado para o E25 (gasolina com 25% de etanol)”, diz Bastos que adianta que o híbrido terá versão flex em breve.

Com 1,2 mil carros vendidos por ano, o Prius será de longe o híbrido mais popular do país. Contudo, a participação do nosso mercado nas vendas globais do modelo será ínfima: o veículo teve 2,3 milhões de unidades comercializadas em 2010 e já é há dois anos o automóvel mais vendido do Japão.

Mas, afinal o que há de tão especial no Prius? AUTOO foi ao Japão conhecer em primeira mão a versão que será vendida no Brasil e andou no modelo nesta terça-feira.

Longe dos holofotes

A crise global de 2008 e os problemas de qualidade com seus carros foram um duro baque para a Toyota, que acabava de se tornar a maior montadora do mundo na época, ao superar a GM. A empresa não só viu sua imagem arranhada justamente num dos seus pontos mais admirados como também atrasou seus planos de crescimento, um deles justamente a entrada no mercado de compactos populares em países em desenvolvimento como o Brasil.

O outro foi ver suas concorrentes roubarem sua bandeira da ecologia em favor de seus novos projetos de veículos híbridos e elétricos, nascidos após a escassez do petróleo do final da década passada. A Chevrolet, com o Volt, e a Nissan, com o Leaf, foram duas das marcas que se beneficiaram dessa iniciativa.

O que pouca gente se deu conta nesse período é que a Toyota já possuía um bem sucedido programa de híbrido com o Prius já na sua segunda geração. Enquanto suas rivais falavam de idéias, a montadora tinha algo palpável. Mas a apatia por conta da crise deixou a gigante japonesa na defensiva desde então.

É justamente isso que a Toyota busca agora. Voltar a ser protagonista nessa tecnologia. Para isso, ela está criando a família Prius, com uma variante familiar e um compacto híbrido, além de outros veículos adaptados como o sedã Camry.

Trazer o Prius ao Brasil é parte dessa estratégia, de renovação da marca, mesmo que isso signifique poucas vendas nesse começo.

 Viagem a convite da Toyota

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