Novos compactos não tiram mercado das grandes

Em novembro, vendas dos hatches asiáticos foi alta, mas Volks e Fiat mantiveram participação

Hyundai HB20: coreano nacional tem tudo para causar estragos nos rivais mais tradicionais | Imagem: Divulgação

Há anos, o mercado imagina o cenário em que um novo produto roubará espaço dos modelos mais vendidos do mercado, o Gol e o Uno. Depois de algumas tentativas, este ano essa previsão parecia mais provável, porém, os números de novembro mostram exatamente o contrário: embora o HB20, o March e o Etios tenham acumulado um número significativo de vendas, nem Volkswagen nem Fiat acusaram o golpe.

De acordo com os dados de emplacamento de novembro deste ano, a Volks teve 28,4% das vendas de hatches compactos, com exceção dos modelos considerados "premium" (veja quadro abaixo). Já a Fiat obteve uma participação semelhante, de 28,6%. Detalhe: há um ano, as duas marcas haviam ficado com 27% cada do mercado. Ou seja, ampliaram suas vendas proporcionalmente.

Veja também: ranking completo com as vendas de novembro

Se somarmos as vendas quatro marcas tradicionais (além de VW e Fiat, também Chevrolet e Ford) o que se vê é uma queda de 2,4%, mas ainda assim um domínio absoluto nesse segmento: se em 2011 elas tinham 85,2% no mês passado esse percentual caiu para 82,8%. A pequena queda se deve principalmente à GM que, curiosamente, está renovando sua linha. No ano passado, ela tinha três modelos nessa categoria, o Celta, o Corsa e o Agile. Agora, existe também o Onix, que estreou com mais de 7,4 mil emplacamentos, porém, o Corsa saiu de linha e Celta e Agile perderam espaço.

Participação no segmento de hatches compactos
Fonte: Fenabrave

Mesmo com a chegada de rivais como o HB20 e Etios, Volks e Fiat ainda dominam entre os carros de entrada. (Dados de novembro de 2011 e 2012)

Entre as chamadas marcas novatas, a francesa Renault, 5ª colocada no acumulado, também perdeu espaço. A razão é que o Clio renovado ainda não chegou em peso aos concessionários e o Sandero perdeu quase mil emplacamentos em relação a 2011.

O novo regime automotivo também tem sua parcela de culpa. As marcas importadoras, por exemplo, "sumiram" do mapa, praticamente. As chinesas JAC, Chery e Effa, mais a coreana Kia acumulavam 2,3% de participação e neste ano possuem apenas 0,8% somadas.

Mais mudanças à vista

O que se lê dessa situação é que a Hyundai, Nissan e Toyota, que chegaram competitivas a esse mercado, acabaram roubando clientes de outras marcas sem tradição no país além de aproveitarem a entressafra da GM. A marca coreana fez bonito, é verdade. O HB20 já está entre os 10 veículos mais vendidos em seu segundo mês de vendas com 8.077 exemplares e só não emplacou mais por incapacidade da fábrica de produzir conforme a demanda. Já o Etios patinou. O hatch da Toyota teve apenas 1.322 emplacamentos, pouco pelo histórico de qualidade da marca. É cedo, no entanto, para taxá-lo de fracasso. Os japoneses costumam atuar sempre pensando no longo prazo.

É verdade que ainda é cedo para esperar mudanças drásticas na categoria mais vendida do Brasil. O ápice de vendas desses novos modelos só deve ocorrer em meados de 2013. Até lá teremos novos concorrentes como o Peugeot 208 e o Chery Celer. No ano seguinte, então, veremos o sucessor do Ka e os primeiros chineses "nacionais", além do March feito no Brasil. Por outro lado, Fiat e VW estarão perto de lançar seus dois modelos de entrada (o projeto 344 e o up!, respectivamente) e vão "embaralhar as cartas" novamente. Sorte do consumidor.

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