Opinião: apesar da falta de suavidade, câmbio automatizado cumpriu sua função no Brasil

Marcas como VW e agora a Fiat já estão retirando a transmissão de suas gamas
Acima detalhe do VW up! equipado com o câmbio automatizado

Acima detalhe do VW up! equipado com o câmbio automatizado | Imagem: Divulgação

Depois da Renault, na linha Sandero e Logan, e a Volkswagen em modelos como o Fox, chegou a vez da linha Fiat iniciar de forma discreta a retirada do câmbio automatizado dos modelos que ainda ofereciam o recurso. O Mobi e o Argo já passaram por essa etapa, que também deverá chegar ao Cronos nos próximos meses. Como anunciado pela fabricante italiana há um bom tempo, a caixa robotizada dará lugar a uma transmissão automática CVT, processo que vai se iniciar em 2021 para os modelos de volume da marca.

Longe de figurarem como unanimidade entre o público e a crítica especializada pela falta de suavidade nas trocas quando operava no modo automatizado (os famosos “soluços”), esses câmbios, justiça seja feita, tiveram um papel importante para criar nos brasileiros a vontade de dirigir e comprar um carro que dispensasse o pedal da embreagem.

Com a estrutura de um câmbio manual convencional, porém com a ajuda de uma unidade robotizada para realizar o acionamento da embreagem e as trocas de marchas, as caixas automatizadas estrearam no mercado brasileiro custando a metade do que um câmbio automático propriamente dito, com conversor de torque, adicionava ao preço final de um automóvel à época.

Com isso, modelos com as transmissões Dualogic na linha Fiat e ASG (Automated Shift Gearbox) na Volkswagen começaram a figurar em modelos como o Stilo, Polo I-Motion, entre outros.

Para um público que não tinha a experiência prévia com um câmbio automático, até que os “soluços” nas trocas poderiam ser encarados como normais com o câmbio operando no modo Drive. O preço mais acessível das transmissões robotizadas – e o fato delas equiparem carros naturalmente mais baratos – colaborou para que uma boa parcela do público constatasse o alívio que é encarar horas de trânsito pesado sem ter que acionar a embreagem a todo momento.

A grande questão é que as caixas automáticas tradicionais começaram a apresentar um preço mais competitivo, ainda que em configurações mais simples com apenas quatro marchas, tornando-se viáveis financeiramente para a aplicação mesmo em hatches compactos, como ocorreu com o Renault Sandero de 2011 até 2014 e segue atualmente no Toyota Etios.

Na medida em que o público constatava a suavidade e o conforto superior de uma caixa automática ou CVT (já oferecida desde a primeira geração do Honda Fit, por exemplo), era esperado que grande parte dos consumidores buscassem por esse tipo de solução. O crescimento da demanda fez com que caixas automáticas mais eficientes, com seis marchas e até mesmo a opção de trocas sequenciais, passassem a figurar também nos segmentos de entrada, como começou a ocorrer com o Chevrolet Onix. A partir daí, o público brasileiro estava cada vez mais envolvido pelo câmbio automático.

Segundo estudos, 2019 foi o primeiro ano no Brasil em que a caixa automática superou a venda de carros manuais. Em alguns segmentos, como os sedans compactos, hoje praticamente sequer encontramos opções com caixa manual. O segmento de clientes PcD (Pessoas com Deficiência), que ganhou uma relevância enorme no mercado brasileiro, também colaborou para a difusão do câmbio automático.

De todo modo, podemos apontar que a tecnologia das transmissões automatizadas ou robotizadas marcou uma época de transição entre o câmbio manual e o mundo das caixas automáticas, função, que, sem dúvida, elas cumpriram muito bem.

Fiat Stilo Dualogic: modelo que ajudou a introduzir o câmbio robotizado no Brasil
Fiat Stilo Dualogic: modelo que introduziu o câmbio robotizado no Brasil
Imagem: Divulgação