Picapes grandes evoluem nos EUA, mas estão distantes do Brasil

Chevrolet Silverado e Ram 1500 estreiam suas novas gerações em Detroit
RAM 1500 2019

RAM 1500 2019 | Imagem: Divulgação

Aqui no Brasil até chegamos a ter o gostinho da Chevrolet Silverado em nosso país, picape que foi comercializada por aqui de 1997 a 2001 e contou inclusive com sua derivação SUV, o Chevrolet Grand Blazer, que figurou nas concessionárias brasileiras de 1999 a 2001. Por outro lado, muito se falou sobre a chegada da Ram 1500 ao Brasil, mas, pelo menos o que a FCA explicou para o Autoo, a importação do modelo está descartada. De qualquer forma, tanto a Silverado como a Ram 1500 acabam de estrear no Salão de Detroit deste ano suas respectivas novas gerações, mostrando como essas picapes evoluíram ao longo do tempo.

Algo comum à nova Chevrolet Silverado 2019 e à Ram 1500 2019 foi a notável redução no peso graças ao uso de materiais mais nobres na composição da carroceria, como o alumínio por exemplo. A nova Ram 1500 emagreceu 102 kg, enquanto a Silverado 2019 ficou notáveis 204 kg mais leve dependendo da versão e vale destacar que a picape da Chevrolet cresceu 10 cm no entre-eixos e pouco mais de 4 cm no comprimento.

Claro que a busca por maior eficiência também é algo que mesmo as picapes grandes não podem deixar de lado e, além da redução no peso, os conjuntos mecânicos tem um papel relevante nesse sentido. Modelos como a Silverado e a Ram 1500 geralmente tem opções de motores com alto deslocamento, mas as fabricantes estão se esforçando para torná-los menos sedentos por combustível.

A Chevrolet equipou a Silverado 2019 com os propulsores 5.3 e 6.2, ambos V8, com um avançado sistema de gerenciamento (Dynamic Fuel Management) que pode desativar qualquer número de cilindros dependendo do uso da picape, o que resulta em uma boa economia de combustível.

Além dos propulsores a gasolina, a Silverado 2019 terá a opção do motor 3.0 de 6 cilindros em linha turbodiesel, que, assim como o 6.2 V8, trabalha em conjunto com o novo câmbio automático de 10 marchas e conta com start-stop para poupar mais gasolina ou diesel no tanque.

A Ram, por sua vez, equipa a nova 1500 2019 com as opções de motores 3.6 V6 e o tradicional 5.7 V8 Hemi, ambos a gasolina, porém a dupla passa a contar com a assistência de um motor gerador elétrico que substitui o alternador, uma tecnologia que a Ram chama de eTorque. Com isso, as versões da Ram 1500 2019 passam a ser um “híbrido leve”, tradução do termo inglês para mild hybrid. O sistema eTorque trabalha com um conjunto de baterias de 48 V e atua desempenhando o papel de start-stop e recuperando a energia cinética nas frenagens. De acordo com a Ram, o eTorque de forma isolada traz um acréscimo de 12,4 kgfm de torque para o motor 3.6 V6 e outros 17,9 kgfm para o 5.7 V8 Hemi. Apenas como exemplo do ganho que o eTorque proporciona, o motor 1.8 16V presente no Honda HR-V produz, sozinho, até 17,4 kgfm de torque com etanol.

O câmbio, comum às duas opções de motores da Ram 1500 2019, é um automático de 8 marchas.

Além de muito espaço interno para 5 pessoas e boa capacidade de carga, as gigantonas picapes norte-americanas apresentam um alto nível de conforto a bordo. A Ram 1500 2019 pode receber até mesmo um sistema de som produzido pela famosa Harmann Kardon com 19 alto-falantes e um amplificador surround de 900W de potência.

O visual das picapes, marcado pelas formas que exalam robustez, também é realçado pela presença de rodas de liga leve que podem chegar até o aro 20”, como é o caso da Silverado 2019.

Tanto a Chevrolet Silverado como a Ram 1500 são as concorrentes diretas da Ford F-150, picape que também foi renovada recentemente e traz o mesmo nível de tecnologia que as concorrentes. A F-150 é um dos veículos de maior sucesso no mundo e é o modelo mais vendido nos EUA há mais de 40 anos consecutivos, o que é uma prova da predileção dos norte-americanos por esse tipo de produto.

Uma pena que, se não produzidas aqui, as novas picapes grandes de GM, Ford, e Ram acabam chegando por um preço elevado demais, o que acaba por retirar toda sua competitividade frente às picapes de médio porte produzidas localmente. Sem dúvida nenhuma, contudo, as picapes grandes são um nicho de mercado que poderia ter futuro no Brasil.