Versões PcD liberadas ao público em geral: compra exige cautela

Modelos como o T-Cross Sense e os Honda Fit e City Personal agora podem ser adquiridas no varejo
Acima o Honda City Personal versão destinada ao público PCD que não traz sequer calotas

Acima o Honda City Personal versão destinada ao público PCD que não traz sequer calotas | Imagem: Divulgação

As alterações recentes nas regras para a compra com isenção, sobretudo em alguns estados, aliadas ao contexto da escassez de componentes e alta nos preços dos insumos utilizados na fabricação dos carros, fizeram com que algumas montadoras buscassem soluções para preservar a oferta de modelos competitivos nos seus portfólios, sobretudo em uma época onde o preço final dos automóveis torna-se cada vez mais caro por conta dos motivos descritos anteriormente.

Se as chamadas “versões PcD” na maioria dos casos já não cumprem com a legislação vigente ao extrapolarem o valor limite para as isenções integrais de impostos, o conceito desses catálogos passou a ser explorado por algumas marcas como a saída para oferecer aos consumidores em geral uma opção com preço mais convidativo de determinado modelo.

Hoje temos três bons exemplos que se enquadram nesse raciocínio. Estamos falando de modelos como o Volkswagen T-Cross Sense e, na gama Honda, o Fit e o City na configuração Personal. As versões em questão eram voltadas ao público PcD e também atendiam a modalidade de venda direta com as montadoras, porém recentemente passaram a ser oferecidas aos consumidores finais. 

Panorama do mercado

É fato que opções como o VW T-Cross Sense cativam pelo valor consideravelmente menor do que outros catálogos do mesmo modelo.

No caso do VW, o modelo tem um apelo ainda maior por ser um SUV compacto, categoria amplamente desejada pelos consumidores atualmente.

O T-Cross Sense é tabelado R$ 92.990, exatos R$ 19.800 a menos do que o T-Cross 200 TSI automático, que até então ocupava o posto de versão de entrada com a caixa automática.

Na gama Honda, o Fit Personal (R$ 79.100) é bem mais barato do que o Fit LX (R$ 89.000) considerando os dois catálogos com câmbio CVT. A mesma diferença é vista também entre o City Personal (R$ 79.900) e o City LX (R$ 89.700).

Questão de equipamentos

A diferença gritante de preço que encontramos nos catálogos até então exclusivos do público PcD em relação às versões oferecidas ao consumidor final é facilmente explicada quando observada a lista de itens de série.

No caso da linha Personal, City e Fit sequer contam com calotas. Assim como no T-Cross Sense, esqueça também central multimídia ou qualquer sistema de som, bem como sensor de estacionamento, câmera de ré ou qualquer outro equipamento de conforto e conveniência mais desejado hoje em dia.

Curioso que os dois modelos da Honda na versão Personal contam com o acendimento automático dos faróis, único mimo que a dupla oferece. O T-Cross Sense, até por ser algo inerente ao projeto, conta com 6 airbags de série e os controles de tração e estabilidade, pelo menos merecendo destaque no quesito segurança.

Para quem essas versões são indicadas?

Optar pela versões de entrada com câmbio automático até então oferecidas somente ao público PcD exige uma ponderação detalhada sobre o seu perfil de consumidor e o que você espera encontrar em termos de conforto, conectividade e tecnologia em seu próximo automóvel.

Se você não faz tanta questão de itens como sensor de estacionamento e câmera de ré, por exemplo, bastando apenas acrescentar um rádio ou uma central multimídia como acessório para que o carro lhe atenda de forma plena, só aí torna-se interessante considerar a compra de um modelo como o T-Cross Sense bem como o Fit ou o City Personal.

Por ficarem devendo muito em termos de itens de série, essas versões certamente terão uma liquidez menor no mercado de usados, uma vez que sua aceitação vai depender muito do nível de acessórios que esses carros vão receber.

Já se você não abre mão de um pacote mais completo de itens de série, não seria recomendável você gastar uma boa soma de dinheiro com acessórios, tornando mais vantajoso você migrar para um catálogo mais caro, porém com a lista de equipamentos de fábrica condizente com os recursos que você demanda em um carro moderno.

Outro ponto a ser observado é que, na hora de precificar o modelo para a revenda, um T-Cross 200 TSI automático já terá embutido em seu valor todos os recursos que oferece de série. Já quem optar por um T-Cross Sense, por exemplo, dificilmente conseguirá reaver eventuais gastos com acessórios na hora de negociar o veículo.

Acima o Volkswagen T-Cross 2021 em sua versão Sense destinada aos clientes PcD
Volkswagen T-Cross 2021 em sua versão Sense
Imagem: Divulgação