Fernando Calmon

Engenheiro e jornalista especializado desde 21 de agosto de 1967, quando produziu e apresentou o programa Grand Prix na TV Tupi (RJ e SP) até 1980

BMW M135 xDrive: hatch que impõe respeito; veja breve avaliação

Modelo esportivo anda bem e mostra uma série de outras qualidades diante dos rivais

Aspecto geral já atrai dentro do conceito da BMW de sua linha M. Num mundo dominado por SUVs, sempre é bom ter oferta de hatch tão sofisticado quanto em desempenho acima da média. Logo chamam atenção a traseira com quatro saídas de escapamento, o defletor de teto e a menor distância livre do solo que garante comportamento em curvas brilhante.

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Durante impressões iniciais de São Paulo a Itu (ida e volta, cerca de 200 km), o M135 xDrive demonstrou que os 317 cv e 40,7 m·kgf asseguram desempenho, principalmente em curvas, superior a concorrentes com números semelhantes de potência e torque, a exemplo do Civic Type R ou GR Corolla. Estes dois modelos sem representar marca premium, têm preços não muito menores.

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BMW M135 xDrive
BMW M135 xDrive tem entre os destaques a boa posição de dirigir bem como o nível de sofisticação
Imagem: Divulgação

O hatch de entrada de vocação esportiva da BMW custa R$ 459.950 (GR Corola com teto de compósito de fibra de carbono, R$ 461.990). Mais impressionante no modelo alemão é o desempenho no modo esporte: muda desde o ronco do motor (com os apreciados estampidos) até a troca de marchas tão brusca quanto admirada por motoristas que entendem e valorizam este comportamento. Há ainda mais emoção.

Basta manter acionada a aleta do lado esquerdo do volante e por 10 segundos o motor libera potência adicional. Aceleração de 0 a 100 km/h em 4,9 s demonstra a sua esportividade, embora o motorista deva respeitar o fato de que o controle de estabilidade fica anulado temporariamente. Neste caso, nada de abuso em curvas.

BMW M135 xDrive
BMW M135 xDrive pode acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 4,9 segundos, conforme dados da fabricante
Imagem: Divulgação

Outro fator atraente é o seu interior. Além do acabamento de nível superior, chamam atenção empunhadura do volante, posição de dirigir, duas telas curvas de 10,25 pol. (instrumentos) e 10,7 pol. (multimídia com os espelhamentos de praxe, sem fio), além de botões físicos onde sempre deveriam ficar.

Anfavea comemora 70 anos e aposta em avanço contínuo

Linha de montagem
Total a ser desembolsado na indústria até 2032 deve superar R$ 100 bilhões, estimativa que inclui fabricantes chineses
Imagem: Divulgação

Uma programação intensa em Brasília que começou com sessão solene no plenário do Senado Federal e terminou em evento no Teatro Naciona,l marcou as sete décadas de fundação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. A entidade é formada por 27 empresas fabricantes de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, além de máquinas autopropulsadas agrícolas e rodoviárias no Brasil. Trata-se de atividade manufatureira de grande peso (cerca de 20% do Produto Interno Industrial), representada por 53 fábricas em nove estados e 38 municípios.

A indústria automobilística brasileira responde por 1,3 milhão de empregos (cerca de 110.000 nos fabricantes), além de produtores de autopeças (270.000), de concessionárias (300.000) e outros setores. 

Milhares de pessoas dependem direta ou indiretamente da indústria automobilística. Desde uma rede pulverizada de fornecedores de todos os níveis, inclusive acessórios, serviços, logística e até frentistas nos postos de combustível. Uma lista bastante ampla e diversificada.
Igor Calvet, presidente da Anfavea, ressaltou: “Setenta anos depois da criação da Anfavea, seguimos movidos pela mesma ideia que nos trouxe até aqui: acreditar no Brasil.

Nos próximos meses terei a honra e a responsabilidade de anunciar, a marca de 100 milhões de veículos produzidos em solo brasileiro. Um marco que dá a dimensão do legado que construímos e da missão que renovamos a cada novo ciclo de investimentos”.

O total a ser desembolsado até 2032 deve superar R$ 100 bilhões, estimativa que inclui fabricantes chineses não filiados à entidade. Se estes vão se associar algum dia à Anfavea, ainda se desconhece. Contudo, a maior marca da China, acaba de solicitar entrada na Associação dos Fabricantes Europeus de Automóvel (Acea, em francês). Esta se limitou a informar que estuda o assunto.

Teste: Koleos, o híbrido que a Renault precisava

Renault Koleos full hybrid E-Tech
Renault Koleos full hybrid E-Tech:  SUV híbrido é o primeiro do gênero da marca francesa no mercado brasileiro 
Imagem: Divulgação

Primeiro híbrido da marca francesa tem mais de uma nacionalidade. A colaboração inclui a chinesa (e sócia) Geely com o Monjaro e a fabricação na Coreia do Sul. Estilo do Koleos é um dos seus pontos altos, embora diferente de outros Renault. O SUV médio-grande destaca-se pela grade audaciosa, rodas de 20 pol. e uma traseira mais discreta com lanternas interligadas.

Dimensões (mm): comprimento, 4.778; entre-eixos, 2.820; largura, 1.880 (2.063 com espelhos); altura, 1.686. Volumes (L): porta-malas, 431; tanque, 55. Massa: 1.804 kg. Híbrido pleno. Motor 4-cilindros 1,5 L, gasolina: potência 144 cv; torque 23,4 m·kgf.  Motor elétrico: potência, 136 cv; torque, 32.6 m·kgf. Potência combinada: 245 cv; Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 13,1/12,1; Alcance (km, cidade/estrada): 721/666; Tração dianteira. Câmbio automático DHT, três marchas. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 8,3.

Seu interior, com certeza é o que mais surpreende. Há três telas, incluindo uma que apenas o acompanhante pode assistir. Além de projeção de dados no para-brisa, tem a maioria dos comandos por teclas ou botões.  Bom espaço para os ocupantes do banco traseiro (inclui regulagem dos encostos), o que pode ter sido determinante para diminuir o volume do porta-malas menor que o de concorrentes diretos. 

Entre os itens de série destacam-se teto solar panorâmico elétrico, câmera 360° e sistema autônomo de estacionamento. Chamam atenção os 29 recursos de segurança passiva e ativa, que incluem sempre úteis alertas de ponto cego, além do airbag entre os bancos dianteiros.
No uso urbano, o Koleos sobressa ipelo silêncio de marcha e por respostas imediatas ao acelerador.

Em geral híbridos plenos costumam ser mais econômicos em cidade do que em estrada e isso se manteve, de acordo com dados do Inmetro. No entanto, durante o teste o gasto de combustível nos dois parâmetros usuais foi um pouco maior do que o esperado, contrabalançado pelas retomadas sempre vigorosas.

Enquanto o desempenho impressiona com quatro modos de condução, em especial na opção Sport, o sistema de manutenção na faixa de rodagem, particularmente mente útil em estradas, é mais intrusivo do que o desejável, embora dê a opção de desligá-lo.

Apesar do calendário curto, abril mostrou bom resultado

Vendas seguem em ritmo forte em 2024 bem acima das previsões
Vendas seguem em ritmo forte em 2026 com destaque para os modelos eletrificados e de marcas chinesas
Imagem: Divulgação

Quem olha apenas a superfície dos números de abril pode ter a falsa impressão de que o mercado brasileiro de veículos leves perdeu fôlego. O total de 236.712 emplacamentos representa um recuo de 8,2% frente a março. 

No entanto, abril teve apenas 20 dias úteis, dois a menos que o mês anterior. Quando o foco é a média diária, o cenário muda: foram 11.836 unidades/dia, um recorde para o ano e o melhor desempenho desde o final de 2024.

Para Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, se abril tivesse os mesmos dias úteis de março, o resultado superaria qualquer expectativa. Na comparação interanual houve um salto relevante de 20% sobre abril de 2025. Quanto ao acumulado do primeiro quadrimestre, a alta de 16,4% para 832.000 unidades já coloca 2026 acima dos níveis pré-pandemia de 2019, o que consolida uma recuperação consistente.

Fenômeno que merece atenção é a “invasão” chinesa, que não dá sinais de trégua. De acordo com a consultoria Bright, as 40.927 unidades vendidas em abril, significaram 17,3% de participação de mercado, ante 14,7% em março. O resultado refletiu o desempenho dos modelos híbridos e elétricos somados.

Entre estes, Dolphin Mini, liderou entre os elétricos; Song Pro dominou os híbridos plugáveis; Omoda 5, os híbridos plenos; Fastback, os semi-hibridos e C10 entre elétricos de alcance estendido (participação simbólica de 1%).

O balanço geral aponta que as cinco maiores marcas tradicionais (Fiat, VW, GM, Hyundai e Toyota, nesta ordem) cresceram 13% no acumulado deste ano, um pouco abaixo dos 16,4% do mercado total. Mas isso ainda pode mudar de acordo com os investimentos já anunciados para os próximo anos.

Outras observações, da K.Lume, quase 60% das vendas foram à vista e 40% financiadas. Estas enfrentam juros ainda juros muito altos, reflexo da inflação que ameaça romper os 4,5% ao ano, acima da tolerância de 3%, eu acrescento. O segmento de automóveis mais caros retraiu-se 17%. Balanço geral de vendas em 2027 poderá ficar acima do previsto no começo deste ano tanto pela Anfavea quanto pela Fenabrave

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