Brasilia Bege Jangada de quase 50 anos tem um mar de itens novos; veja preço da raridade
Sem restauração e com só 1.500 km, clássico está como saiu da linha de montagem da Volkswagen
A Volkswagen Brasilia chegou em 1973 como opção mais espaçosa ao Fusca. Apesar de manter muitas características do besouro, a ‘perua’ tinha o chassi exclusivo, ganhando espaço interno. Entre seus rivais, estavam o Chevrolet Chevette e o Dodge 1800 (depois nomeado de Polara), lançados no mesmo ano.
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A reportagem de AUTOO encontrou uma Volkswagen Brasilia 1978 com a interessante combinação da cor Bege Jangada com o interior marrom claro monocromático, que deu um charme especial ao clássico, que hoje ostenta apenas, acredite,1.500 km rodados originais.
O hatch convertido em ‘perua’ da Volks, em quase meio século de história, nunca foi restaurado e está à venda por meio da loja Salvajoli Veículos Clássicos e Especiais. Segundo o dono, as rodas são datadas com o ano do carro e a pintura é toda original, sem nenhum retoque sequer.
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RARO EXEMPLAR

Imagem: Reprodução/Salvajoli Veículos Antigos
“Pegamos este lindo exemplar de um colecionador que preferiu se manter no anonimato, mas o que posso revelar é que ele é um fã incondicional de veículos da marca Volkswagen”, revela Evandro Salvajoli.
O acabamento interno é um colírio para os olhos e traz o cobiçado acabamento marrom monocromático, incluindo a forração de teto. Detalhes como o volante, bancos com plásticos também marrons e a manopla ainda fosca revelam a quilometragem real deste importante clássico da Volkswagen.
O motor traseiro é do tipo boxer e é tão novo que ainda mantém com orgulho algumas etiquetas de papel, conforme as fotos denunciam. Trata-se do aclamado boxer 1600 a ar, movido a gasolina e alimentado com a contribuição de dois carburadores que permitiam gerar suficientes 65 cv de potência.
Por todo este zelo e carinho dedicados ao longo de quase 50 anos, esta Volkswagen Brasilia 1978 está anunciada por R$ 250 mil, uma preciosidade que custa o equivalente a dois SUVs T-Cross zero-quilômetro.
LANÇAMENTO DA BRASILIA

Imagem: Divulgação
A Volkswagen Brasilia - — no feminino, pois a marca a classificou como perua para pagar menos impostos — foi lançada em 1973 como um projeto desenvolvido pelos designers brasileiros José Vicente Martins e Márcio Piancastelli. Na mira do Chevrolet Chevette e Dodge 1800 (depois nomeado de Polara), lançados no mesmo ano, o hatch ‘convertido’ em perua dispunha da mesma confiabilidade mecânica do Fusca. No entanto, o chassi era exclusivo e, apesar dos 17 cm a menos, a Brasilia trouxe a vantagem do melhor aproveitamento de espaço interno.
Inicialmente, o hatch da Volks chegou equipado com o consagrado motor 1.6 boxer alimentado com a ajuda de um carburador (60 cv) e, a partir de 1974, com dois carburadores (65 cv). Nesta configuração, refrigerada a ar, a tração fica bem ancorada na traseira, um padrão da VW que só seria quebrado no Brasil com o Passat no ano seguinte.
O clássico da Volkswagen chegou a ser equipado também com um motor 1.3 a álcool (hoje nomeado de etanol), a partir de 1980, com dupla carburação e apenas 49 cv. Tendo como consequências o alto consumo e o baixo desempenho, acabou se tornando um fracasso de vendas. O VW Gol chegou a usá-lo em seu lançamento em 1980, e este insucesso foi estendido a ele também.
Em 1982, a Brasilia se despedia do mercado, acumulando muitas histórias e fãs não só no Brasil, mas também nos países nos quais ela foi exportada. Foram mais de um milhão de unidades produzidas, sendo que, deste montante, mais de 133.200 exemplares foram destinados a clientes das Filipinas, Nigéria, Venezuela, Bolívia, Chile e Portugal.
O sucesso deste modelo icônico da Volkswagen poderia ter ido além, não fosse a decisão de tirá-lo de linha. A decisão, inclusive, gerou polêmica, considerando que o Fusca, outro modelo cotado para ser descontinuado, era um projeto mais antigo. A introdução do hatch compacto Gol foi uma das razões.
