O atual Salão de Pequim é um fiel retrato do mercado automotivo chinês. Lá, novidades importantes de grandes montadoras disputam espaço com bizarrices de montadoras locais, formando um contraste feliz por um lado, triste por outro. Ao mesmo tempo que a BMW apresenta o Gran Coupe – rival de Porsche Panamera, Mercedes CLS e Audi A7 e, portanto, representante de um mercado em ascensão –, a Huatai mostra o B35, cópia descarada e infeliz do Porsche Cayenne, com pitadas de Hyundai Santa Fe.

Outro exemplo na mostra chinesa é o BYD S6, praticamente um Lexus RX 350 distorcido. Este, inclusive, pode vir para o Brasil, já que a CAOA (importadora de Hyundai e Subaru) demonstra claro interessa na marca chinesa. Mas há coisas estranhas também fora do Salão. Recentemente, a desconhecida Zotye mostrou os modelos Lang Jun e Lang Jie. O primeiro é (acredite) uma cópia do Fiat Siena, mas com frente de Golf Geração VI. O segundo, mais moderado na alucinação, é o Palio chinês.

Voltando ao Salão, o vice-presidente da também chinesa Chery, Zhou Biren, disse durante a mostra que os carros japoneses levaram 15 anos para evoluir, enquanto os coreanos demoraram 10 e o chineses levarão cinco. Mas, ao ver o que a China tem produzido (ou copiado?), fica claro que serão necessários muito mais do que cinco anos. Séculos, talvez.

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Rodrigo Mora

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