A cada vez mais acirrada competitividade dentro da indústria automotiva tem obrigado as montadoras a quebrar paradigmas. Ou alguém imaginava um utilitário da Porsche, uma Ferrari com tração integral ou um SUV da BMW com ares de cupê? A Land Rover, até então tradicionalíssima em sua concepção de carros, decidiu mudar o rumo de sua história. Durante o Salão do Automóvel de São Paulo, o chefe de design da marca inglesa, Gerry McGovern, revelou ao AUTOO que tradição – valor no qual muitas marcas se apoiam – está virando coisa do passado. “Hoje está tudo misturado. E nesse contexto, nossa missão é desenhar produtos desejáveis. O mundo está mudando, e quão relevante será a tradição?”, questionava o designer da empresa. A polêmica revelação vem justamente do “pai” do modelo mais revolucionário que a Land Rover já fez: Range Rover Evoque.

Apresentado no Salão de Paris na versão duas portas e no de Los Angeles na carroceria de quatro portas, o Evoque é a evolução do conceito LRX, revelado no Salão de Detroit de 2008.

Transgressor, o novo crossover da marca inglesa é um dos modelos mais esperados para 2011 – não só no Brasil, onde chega em novembro, mas também nos outros 160 países onde será comercializado. Metade do apelo do Evoque está no visual estonteante, diferente de tudo o que existe hoje e brilhante na tarefa de antecipar o futuro. A outra parcela vem de suas características dinâmicas: trata-se do Land Rover mais leve e compacto, o que se traduz em promessa dirigibilidade diferenciada. Promessa que deverá ser confirmada, a julgar pelos modelos na qual a Land Rover se apoiou para conceber o EvoqueBMW X1, Mini Cooper e Audi TT foram as principais referências para a marca.

Pure, Dynamic e Prestige

Ainda que mantenha o DNA da Land Rover e o luxo da estirpe Range Rover, o Evoque mira claramente no público jovem. Essa nova pretensão é percebida não só pelo desenho externo, como também pelo ambiente da cabine. Serão três versões de acabamento: Pure, com “um elegante e clean habitáculo em cores neutras”, segundo a marca; Dynamic, caracterizada por rodas aro 20 e diferenciações estéticas nos para-choques, soleira, grade dianteira e escapamentos, além de teto e spoiler pintados de em outra cor, bancos esportivos e com detalhes em “cores vibrantes”; e por fim a Prestige, topo de linha, que não economiza em materiais de alta qualidade.

Motores

Produzido na fábrica da Land Rover em Halewood, na Inglaterra (onde a marca também faz o Freelander 2), o Evoque será equipado com dois motores a diesel e um a gasolina. O 2.2 litros turbodiesel gera 150 cv ou 190 cv, dependendo da versão. Com o menos potente deles, é possível atingir 21,26 km/l de consumo e emitir 145 g/km de CO2, segundo a marca. Já o novo 2.0 Si4, também sobrealimentado e com injeção direta de gasolina, chega aos 240 cv. Este será o bloco que equipará as unidades importadas para o Brasil, acoplado a uma transmissão automática de seis marchas.

Seu preço estimado para o Brasil deve ficar entre R$ 200.000 e R$ 220.000. Confirmando-se o preço e considerando sua proposta, o Evoque concorrerá, entre outros, com BMW X1, Audi Q5 e Volvo XC60 – embora a Land Rover do Brasil afirme que, por ser único, o crossover não tem rivais.

Tendo ou não concorrentes, a missão do Evoque é atrair novos clientes, como explica Phil Popham, diretor da Land Rover: “o Evoque atrairá um novo grupo de consumidores que nunca antes consideravam comprar um Range Rover”.

Rodrigo Mora

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