Fiat completa 50 anos no Brasil e prepara chegada do novo Argo

Primeiro modelo da marca italiana no país foi o 147, que também ficou marcado como o pioneiro movido a etanol
Fiat Argo 2027

Fiat Argo 2027 | Imagem: Projeções/ Kleber Silva

A Fiat completa 50 anos no Brasil hoje, no dia 9 de julho de 2026. A história da marca no país começou com o 147, que foi o primeiro modelo a sair da linha de montagem do Polo Automotivo de Betim (MG).De olho no futuro, a fabricante também prepara a chegada do novo Argo que vai ditar a nova linguagem de design da marca no mercado brasileiro, ditada pelo Grande Panda europeu. 

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Lançado em 1976, o 147 trouxe soluções inéditas para a época, como o motor transversal, pneus radiais e uma proposta revolucionária de aproveitamento interno: compacto por fora e espaçoso por dentro.

Poucos anos depois, o mesmo modelo voltaria a fazer história ao se tornar o primeiro automóvel movido exclusivamente a álcool produzido em série no país, em 1978.  Além disso, a família do 147 também ganhou outras variações como sedãs, peruas, furgões e picapes, inaugurando segmentos que antes não existiam no Brasil.

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Primeiro movido a etanol

Fiat 147 de 1976, o primeiro carro do segmento com pneus radiais e para-brisa laminado
Fiat 147 de 1976, o primeiro carro do segmento com pneus radiais e para-brisa laminado
Imagem: Divulgação

Nos anos 1980, a Fiat novamente apresentou ao mercado um carro que se transformaria em um fenômeno. Inspirado no modelo italiano 127, o Fiat 147 foi apresentado ao público no Salão do Automóvel de São Paulo de 1976 e se tornou o primeiro carro fabricado no Brasil pela montadora italiana.

Tendo o Chevrolet Chevette e Volkswagen Brasilia como seus principais rivais, o hatch da Fiat trazia várias inovações. Uma delas foi o motor transversal, cuja disposição permitiu um melhor aproveitamento de espaço interno. Junto a isso, ajudava a localização do estepe fixado junto ao motor, o que liberava mais

Não custa reforçar que era um hatch de linhas bem restritas, com seus 3.620 mm de comprimento, 1.540 mm de largura, 1.359 mm de altura e 2.225 mm de distância entre-eixos.

Outra primazia do compacto da Fiat veio da suspensão independente nas quatro rodas. Tal conceito trouxe estabilidade e dirigibilidade ímpares diante da concorrência. A prova disso foi numa propaganda da Fiat, na qual ela submeteu o pequeno 147 a uma prova de subida e descida da grande escadaria da Igreja da Penha, o Rio de Janeiro, que concluiu o desafio sem apresentar defeitos.

As primeiras unidades - básica e L - vieram equipadas com motor Fiasa (Fiat Automóveis S.A) de 1.048,8 cm³ - batizado de 1050 - que resultou em 55 cavalos de potência. Essa unidade, inclusive, é conhecida por ser compartilhada com o popular Fiat Mille, em 1990, porém reduzida para 994,4 cm³ e 48,5 cv.

A primeira picape derivada de carro de passeio foi a 147 Pick-up de 1978
A primeira picape derivada de carro de passeio foi a 147 Pick-up de 1978
Imagem: Divulgação

Em 1978, o Fiat 147 ganhou a versão esportiva Rallye, com nova motorização de 1.297 cm³ (1.300). Por conta da adição do carburador Weber de corpo duplo, a Rallye despejava 72 cv de potência e 10,8 kgfm de torque a 4 mil rpm, sempre com a ajuda do mesmo câmbio de quatro marchas. 

No mesmo ano, viria ainda a 1300 GLS, versão distinguida das outras pelo acabamento mais caprichado, volante diferenciado, bancos com apoios de cabeça, painel de instrumentos mais completo, entre outros itens.

O ano de 1979 pode ser considerado como a ‘pedra fundamental’ para os carros flex de hoje, pois foi nessa época que estreou a opção a álcool, sendo o primeiro carro do mundo a funcionar com esse combustível.

Era o 1.3 adaptado para o combustível vegetal, o qual rendeu 62 cavalos brutos contra 61 cv do motor a gasolina. O torque ficou em 11,5 kgfm ante os 10,8 kgfm do líquido derivado do petróleo. Por causa do odor característico exalado pelo escapamento, esta configuração foi apelidada de ‘cachacinha’.

O Fiat 147 foi produzido de 1976 a 1987 e atingiu a marca de 536.591 unidades vendidas no Brasil.

Novo Argo vem aí

Fiat Argo 2027
Fiat Argo 2027 vai ditar a nova linguagem de design da marca no mercado brasileiro a partir do último quadrimestre de 2026
Imagem: Projeções/ Kleber Silva

Para deixar marcado o ano em que completa meio século no Brasil, a Fiat vai lançar a nova geração do Argo que será baseado no Grande Panda europeu. O lançameno está sendo esperado para entre setembro e outubro. 

A base do desenho é o mesmo do Grande Panda europeu com os faróis de LED pixelados, estilo que vai ser adotado em outros modelos da Fiat, como o Fastback e a picape Strada, que passará a ser vendida na Europa também.

Ainda na traseira, as lanternas terão o mesmo formato do hatch europeu. Nas laterais, mais uma vez, a Fiat do Brasil vai tirar a inscrição do nome do modelo nas portas, em alto relevo, por uma questão de custo, uma vez que o novo Argo vai ter que ter preço competitivo por aqui.

Fiat Argo 2027
Fiat Argo 2027 conta com o mesmo estilo do Grande Panda europeu, mas com alguns detalhes simplicados para reduzir custos
Imagem: Projeções/ Kleber Silva

Novo Argo terá mais espaço que a geraçao anterior, com a qual vai conviver por um tempo, como opção mais em conta. Terá dimensões semelhantes às do Fiat Grande Panda vendido na Europa. O hatch europeu tem 3,99 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,58 m de altura e 2,54 m de entre-eixos.

Os detalhes diferentes do novo Argo serão adotados para reduzir custos e manter o preço competitivo no mercado brasileiro. Um deles ficará por conta do sistema híbrido de 12V que vai funcionar com motor flex 1.0 a combustão, provavelmente turbo ou aspirado, dependendo da versão. Na Europa, a marca utiliza um sistema de 48V.

 

Carlos Guimarães

Jornalista há mais de 20 anos, já acelerou várias novidades, mas não dispensa seu clássico no final de semana