Homem que transformou a VW em uma gigante global, Ferdinand Piëch morre aos 82 anos

Neto de Ferdinand Porsche, alemão sofreu um ataque cardíaco fulminante
Acima o Prof. Dr. Ferdinand Piëch (1937-2019)

Acima o Prof. Dr. Ferdinand Piëch (1937-2019) | Imagem: Divulgação

A semana começou mais triste no setor automotivo global. O mundo perdeu no último domingo um de seus expoentes na criação de novos automóveis e também na gestão de empresas da área. Ferdinand Piëch, que era neto de Ferdinand Porsche e ocupou vários cargos de liderança dentro do grupo Volkswagen, morreu no último domingo (25) em um hospital de Rosenheim, na Alemanha. Somente nesta terça-feira (27) a Volkswagen pronunciou-se oficialmente. O jornal Bild foi o primeiro a relatar a notícia, acrescentando que Piëch estava acompanhado de sua esposa, Ursula. O ex-executivo estava com 82 anos. 

O engenheiro iniciou sua carreira em 1972 na Audi, assumindo o posto de CEO da companhia em 1988. Em 1993, Piëch assumiu o mesmo cargo dentro da Volkswagen. Na época, a empresa registrava elevadas perdas financeiras, problemas de qualidade e elevados custos administrativos. Coube ao neto de Porsche substituir quase todo o corpo diretivo da companhia, renegociar contratos de trabalho com os empregados e rever a gama de produtos da marca. Piëch assumiu, em 2002, a posição de presidente do conselho administrativo da fabricante. Em 2015, por alguns conflitos com o CEO da companhia à época, ele se afastou de seus cargos dentro do Grupo Volkswagen.

Durante a administração de Piëch, a Volkswagen tornou-se uma potência no segmento automotivo global, transformando-se em um dos principais conglomerados do setor. Além das várias marcas que hoje estão sob o chapéu do grupo, um grande feito de Piëch foi a aquisição, em 2012, da Porsche. Com a jogada, Piëch virou a mesa em relação ao primo Wolfgang Porsche, que, quatro anos antes, tentou adquirir o Grupo Volkswagen e quase levou a Porsche a um colapso financeiro.

Atualmente as famílias Piëch e Porsche detém o controle acionário do grupo Volkswagen por meio da holding da família, a Porsche SE.

Entre os grandes feitos que entraram para o legado de Piëch está a concepção das plataformas modulares tão em voga hoje em dia e que o engenheiro vislumbrou esse conceito nas décadas de 1980 e 1990 para obter ganhos em escala. O projeto do Bugatti Veyron, do Volkswagen XL1, do Audi Quattro, entre tantos outros modelos emblemáticos contaram com a competência de Piëch dando suporte aos respectivos desenvolvimentos.

Ferdinand Piëch era ousado, um empreendedor consistente e tecnicamente brilhante. Como jovem engenheiro, ele fez da Porsche uma marca de destaque em competições com veículos lendários, como o 917 e a vitória em Le Mans. Desde 1972, ele levou a Audi ao próximo nível tecnológico com inovações como o sistema de tração integral quattro e o motor TDI, transformando a fabricante em uma marca premium como CEO. Liderando o Grupo Volkswagen, Ferdinand Piëch avançou a internacionalização do conglomerado com a integração da Bentley, Lamborghini e Bugatti no Grupo, e levou nossas marcas de volume à competitividade internacional por meio de uma estratégia de plataforma consistente. Ele integrou a Scania e a MAN ao Grupo, estabelecendo as bases para um fornecedor de veículos comerciais globalmente competitivo. Tecnologicamente, ele e suas equipes de desenvolvimento ultrapassaram repetidamente os limites do possível: do primeiro carro com consumo 100 km/l ao Bugatti Veyron com 1.001 hp. Acima de tudo, Ferdinand Piëch trouxe qualidade e perfeição até o último detalhe na indústria automotiva, ancorando-a profundamente no DNA da Volkswagen. Observo com gratidão e grande respeito o trabalho de sua vida”, resume o atual CEO do Grupo Volkswagen, Herbert Diess, em comunicado emitido pela sede da empresa.

 

Ferdinand Piëch (direita) com seu primo, Alexander, e o avô Ferdinand Porsche
Ferdinand Piëch (direita) com seu primo, Alexander, e o avô Ferdinand Porsche
Imagem: Divulgação

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