JAC entra em segunda recuperação judicial; saiba o que acontece com a marca no Brasil

Com R$ 239,5 milhões em dívidas, marca chinesa fechou lojas e agora tenta vendas pela internet
JAC E-JS1

JAC E-JS1 | Imagem: Divulgação

O Grupo SHC, que representa a JAC Motors no país, pediu recuperação judicial pela segunda vez. O pedido foi feito na última terça-feira (6) e envolve R$ 239,5 milhões em dívidas, distribuídas entre 44 empresas do grupo, de acordo com o site da Exame. 

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Para quem não está familiarizado com o termo, a recuperação judicial é uma forma que permite a uma empresa em dificuldade renegociar suas dívidas com a supervisão da Justiça, ganhando fôlego para continuar operando em vez de simplesmente fechar as portas. Os credores votam um plano de pagamento e, se for aprovado, a empresa passa a cumpri-lo dentro de prazos definidos.

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No caso do Grupo SHC, comandado pelo empresário Sérgio Habib, essa alternativa não é novidade. A primeira recuperação teve pouco intervalo até essa, ela foi encerrada em maio de 2025, apenas 17 meses antes deste novo pedido.

Segundo a revista Exame, antes de recorrer à Justiça o grupo tentou acertar condições com os credores para deixar parte das dívidas fora do processo. Um único banco teria mais de R$ 100 milhões a receber, e mesmo assim não seria o maior credor da lista.

Há ainda um detalhe que complica a situação. Bancos e fundos que emprestaram dinheiro ao grupo e receberam veículos como garantia estão tendo dificuldade para localizar e retomar esses carros. Não está sendo simples recuperar o que foi dado como garantia.

Uma estreia que parecia promissora

JAC E-JS1
JAC E-JS1 chegou como carro elétrico compacto, mas acabou não tendo bom desempenho nas vendas no Brasil
Imagem: Divulgação

Voltando um pouco no tempo, a marca desembarcou no Brasil em março de 2011 fazendo barulho, abriu 50 concessionárias em um único dia. Trouxeram carros mais equipados e mais baratos que os da concorrência.

As vendas iniciais animaram tanto que Habib anunciou uma fábrica na Bahia, com investimento previsto de R$ 1 bilhão. O projeto, no entanto, nunca saiu do papel.

O motivo principal tem nome, Inovar-Auto. Esse programa do governo elevou os impostos sobre carros importados, o chamado “super IPI”, e a JAC dependia justamente da importação para abastecer suas lojas. Somado à crise do mercado brasileiro, o golpe foi pesado.

Primeira crise 

Concessionária da JAC Motors, que tem lojas em apenas 5 cidades do Brasil hoje em dia
Concessionária da JAC Motors: marca já havia pedido recuperação judicial em novembro de 2018
 Imagem: Divulgação

Em novembro de 2018, o Grupo SHC entrou com seu primeiro pedido de recuperação judicial. O tamanho da dívida naquele momento aparece de formas diferentes nos relatos da imprensa, fala-se em R$ 517,7 milhões.

Além disso, teve as perdas nas concessionárias da Citroën. Habib é engenheiro elétrico e filho de imigrantes franceses, foi ele quem trouxe a Citroën ao Brasil no início dos anos 1990. A parceria durou 28 anos e chegou ao fim justamente em 2018.

No auge, o Grupo SHC também representou marcas de luxo como Jaguar e Aston Martin, reuniu cerca de 100 lojas e faturava algo em torno de R$ 6 bilhões por ano. 

Na época, Habib apresentou a recuperação como uma forma de preservar a operação da JAC e o negócio de carros usados. O plano foi aprovado pelos credores e homologado pela Justiça em setembro de 2019. E veio uma nova fase, os carros elétricos.

Virada elétrica não decolou

JAC Hunter T9 EV
JAC Hunter T9 EV chegou a ter a chegada anunciada ao Brasil, mas nunca foi lançada no mercado brasileiro
Imagem: Divulgação

E a JAC foi mesmo pioneira nisso. A marca esteve entre as primeiras a oferecer elétricos mais acessíveis no país, como o hatch compacto E-JS1, derivado do antigo J2. O problema é que o mercado mudou rápido. Chegaram rivais chinesas mais baratas e mais modernas, e a competitividade da linha da JAC despencou. 

No primeiro semestre de 2026, o E-JS1 emplacou apenas 119 unidades. No mesmo período, o BYD Dolphin Mini somou 42.946. Em 2025, a JAC inteira vendeu só 988 automóveis e comerciais leves, uma queda de 51,1% em relação ao ano anterior.

O E-JS3, hatch elétrico que já estava homologado e foi preparado para encarar o Dolphin Mini e o Geely EX2, nem chegou a ser lançado. Há ainda o SUV JS8 Pro, previsto para novembro, e fica a pergunta: o lançamento está mantido? Até aqui, o Grupo SHC não divulgou novos detalhes, datas ou confirmações. Por enquanto, a chegada do JS8 Pro é uma incógnita.

Stephanie Gomes

Estudante do 2º ano de comunicação, Stephanie escolheu a profissão por acreditar no poder transformador do jornalismo.