Obituário dos carros: quem se foi em 2012

Com renovação de quase toda a linha, Chevrolet foi a marca que mais teve modelos aposentados

Chevrolet Meriva | Imagem: GM

Apesar de algumas crises, do preço alto dos carros brasileiros (por mais que alguns especialistas e os fabricantes tentem explicar o inexplicável) e dos altos e baixos causados por medidas como cotas de importação, aumento e redução de impostos e um novo regime automotivo, o mercado deve terminar 2012 em alta. Mais uma vez, o recorde de vendas do ano anterior será batido, porém, este ano será marcado por uma ampla renovação no portfólio de algumas marcas.

Nomes conhecidos de automóveis saíram de cena enquanto outros permaneceram, mas em modelos completamente mudados. Sinal que nosso mercado está mais competitivo e desejado pelos fabricantes, seja os tradicionais americanos ou os novatos chineses.

Vejam a seguir quais os principais modelos que deram adeus ao mercado de carros novos.

Os nomes falecidos

Pense numa minivan feita pela Chevrolet. Meriva? Zafira? Nem uma nem outra. Os dois veículos deixaram de ser fabricados em 2012 para dar lugar à Spin, um projeto de linhas mais robustas e opção de cinco e sete lugares. A Zafira, apesar dos 11 anos de carreira, ainda vendia bem já que a concorrência também não se renovou. Já a Meriva, um projeto feito no Brasil e que estreou aqui antes da Europa, tinha um papel secundário em seu segmento. Como são produtos da Opel, continuam a existir lá, mas a nova estratégia da GM é ter produtos desenvolvidos para cada região e elas eram muito caras para o bolso do brasileiro.

Outros dois veículos cujos nomes estão associados à GM há tempos também tiveram sua aposentaria, afinal. O Corsa, que estreou por aqui em 1994 e ganhou 2ª geração em 2002, parou de ser produzido na virada do semestre. É verdade que o Classic, antigo Corsa Sedan, ainda está em produção, mas o nome original já não é mais usado. Referência em matéria de sedã de luxo, o Omega substituiu o Opala no início dos anos 90 e manteve-se no mercado na versão australiana, adaptada para o Brasil. A GM, no entanto, reconheceu que o carro não será mais importado, como informou o blog Notícias Automotivas nesta semana.

A Peugeot e a Volvo também deixaram de produzir e vender dois hatches este ano, mas a razão é que seus sucessores naturais mudaram de nome. O 307 deu lugar ao 308 depois de uma década de boas vendas. Já o C30, um hatch exótico de duas portas, sai de cena para a chegada em 2013 do V40, que segue linhas mais ortodoxas.

De carreira discreta, o Tiida Sedan também não é mais importado do México. O sedã foi vítima de uma conjunção de fatores, entre eles o limite de cotas de importação desse país e o lançamento do Versa, um veículo mais moderno e barato – e que o substituiu nos EUA.

Caso único é o fim da perua Mégane GT. Depois que a Renault deixou de produzir o sedá devido a chegada do Fluence, a versão familiar seguiu à venda, mas com preços mais baixos. O sucesso foi imediato e o modelo chegou a emplacar mais que no início da sua carreira. Mesmo assim, a montadora francesa decidiu encerrrar sua produção para abrir espaço para outros produtos como o Duster.

Corpo novo, nome antigo

A força de alguns nomes, no entanto, motivou seus fabricantes a batizar projetos completamente novos com a mesma denominação dos veículos que se aposentaram. É o caso da picapes média S10 e Ranger. A Ford, na verdade, manteve o nome em todos os mercados onde ela existia, já a GM resolveu preservar a marca no Brasil apenas – em outros mercados, a picape chama-se Colorado.

A Ford, aliás, renovou dois produtos de sucesso depois de um bom tempo. O sedã Fusion mudou de para-choque a para-choque, deixando para trás o estilo exagerado e a tocada macia para ganhar um visual refinado e uma dirigibilidade mais afinada com o gosto europeu. Tanto assim que por lá ele é o novo Mondeo, modelo que também foi vendido aqui até a chegada do Fusion. Já o EcoSport demorou uma década para mudar de geração. A espera valeu a pena já que o novo é incomparavelmente mais moderno – até câmbio de dupla embreagem oferece.

Veja também: os veículos que se aposentaram no ano passado

Mudança de geração e patamar

As japonesas Honda e Toyota também entraram na onda da troca de guarda. A primeira mudou o crossover CR-V e a segunda, o sedã Camry. O aumento nos impostos e o limite de importação, no entanto, mataram qualquer possibilidade de vendas maiores para os dois – o Honda, inclusive, só voltará a ser vendido em abril, quando será aberta uma nova cota para a marca.

As marcas alemãs de luxo alteraram alguns de seus modelos mais “populares”. A Mercedes-Benz lançou a nova geração do Classe B, que continua a ser um monovolume mas de linhas mais esportivas e parte técnica mais evoluída. Já a BMW mexeu em dois dos seus best-sellers, o Série 1 e o Série 3. Além de terem crescido, os dois ganharam motores mais avançados e itens de série mais condizentes com a imagem de premiuns.

O modelo mais vendido da Citroën no Brasil foi outro que evoluiu. O C3 ganhou nova geração depois de nove anos no mercado. A versão anterior, contudo, ainda está à venda até o fim dos estoques.

Nem sempre a evolução significa uma vantagem para o consumidor. É o caso do Azera, sedã de luxo da Hyundai que vendeu muito assim que chegou ao Brasil. Com preço bem abaixo da concorrência, foi acusado até de dumping, quando a empresa vende mesmo tendo prejuízo. O fato é que muita gente levou para casa um modelo muito acima da média. A nova geração, por outro lado, recolocou as coisas em seu devido lugar. De um patamar de R$ 80 mil o novo Azera passou a ser vendido acima de R$ 100 mil e suas vendas rarearam. Está aí um “falecido” que deixou muita gente com saudade.

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