Pela primeira vez, SUVs superam vendas de hatches e sedãs no Brasil

Híbridos e elétricos também registraram recorde nas vendas
Toyota Corolla Cross 2022

Toyota Corolla Cross 2022 | Imagem: Divulgação

A Anfavea realizou nesta quarta-feira (8) sua coletiva de imprensa para comentar a situação da produção e vendas do mercado automotivo brasileiro do ponto de vista dos fabricantes.

Uma constatação interessante da entidade é que, no mês passado, SUVs venderam mais do que a soma de hatches e sedãs no Brasil pela primeira vez na história.

Infelizmente, contudo, os números do mês anterior não se mostraram animadores. Segundo análise da Anfavea, “foram 172,8 mil unidades vendidas, no pior agosto desde 2005. A queda foi de 1,5% sobre julho e de 5,8% em relação a agosto de 2020”. 

Outra informação relevante apresentada pela Anfavea foi um recorde na participação de híbridos e elétricos nas vendas consolidadas do mês passado, com 3.873 emplacamentos, alcançando 2,4% do mercado. 

Outros destaques positivos são a reação das exportações e a manutenção do nível de emprego ao longo da pandemia. Após recuo em julho, as exportações reagiram em agosto, com alta de 23,9% sobre o mês anterior. Ao todo foram 29,4 mil veículos embarcados, 5,5% a mais que em agosto do ano passado”, detalha a Anfavea em comunicado. 

Em termos de produção de veículos, também foi registrado o pior resultado para um mês de agosto desde 2003, com queda de 21,9% na comparação com o mesmo mês de 2020, quando ainda não havia falta de componentes eletrônicos. 

Segundo a Anfavea, foram registradas paralisações totais ou parciais de 11 fábricas ao longo do mês de agosto por conta da crise dos semicondutores. O esforço logístico das montadoras permitiu que a produção de 164 mil unidades superasse em 0,3% o volume de julho. 

Outro ponto preocupante são os baixos estoques, que atingiu menos de duas semanas de vendas na virada do mês, o pior nível em mais de 20 anos, aponta a associação que reúne as fabricantes. 

"Essa situação dos semicondutores traz uma enorme imprevisibilidade para o desempenho da indústria no restante do ano. Num cenário normal, estaríamos produzindo num ritmo acelerado nesta época do ano, quando as vendas geralmente ficam mais aquecidas. No ano passado, tínhamos boa produção no segundo semestre, mas uma demanda imprevisível em função da pandemia. Neste ano, temos a volta da demanda, mas infelizmente uma quebra considerável na produção", analisa Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. 

Por fim, a Anfavea destaca que o segmento de caminhões é outro que colhe bons resultados, mesmo em meio à carência de certos insumos. A produção de 15 mil unidades cresceu 1,1% sobre julho, enquanto as vendas de 13 mil unidades representaram alta de 8,1% sobre o mês anterior.

Momento político

Sobre as manifestações realizadas no último dia 7 de setembro, o presidente da Anfavea destacou que os eventos recentes geram “preocupação”. 

Moraes citou como principais problemas no momento os altos índices de desemprego e os fortes aumentos da inflação e do custo de energia, além da preocupação com o aumento da situação de pessoas morando nas ruas em situação de vulnerabilidade. 

A retomada do crescimento é uma preocupação grande do nosso setor. Nós estamos fazendo nossa parte como indústria automotiva, apesar das dificuldades envolvendo semicondutores e logística. Mas estamos mantendo empregos, estamos tentando manter a produção, atender a demanda e aumentar as exportações. Nos preocupa muito o atual momento do país do ponto de vista político e institucional. Não nos cabe aqui discutir como isso vai ser resolvido”, declarou o executivo. 

Esperamos que, do ponto de vista jurídico, o Supremo encontre a solução do que está certo ou do que não está certo. Do ponto de vista político, esperamos que o Congresso tenha a decisão mais sábia possível ouvindo a sociedade. O que nos preocupa, realmente, é a economia. É a recuperação do setor, da indústria de transformação, e voltar a crescer para gerar emprego e renda para o país”, conclui o presidente da Anfavea.

Vista aérea da fábrica de Porto Real (RJ)
Demanda em alta, porém fábricas sofrem com a falta de insumos 
Imagem: Divulgação
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