Ram Rampage com novo motor 2.2 turbodiesel é melhor que a versão a gasolina?

Picape intermediária fica mais eficiente com o novo propulsor de 200 cv de potência
Ram Rampage

Ram Rampage | Imagem: Guilherme Silva

A Ram Rampage mal completou um ano e meio de mercado e já foi obrigada a trocar o antigo motor 2.0 turbodiesel, herdado de outros modelos da Stellantis, pelo novo 2.2 turbodiesel que promete entregar maior eficiência aos tradicionais consumidores de picapes movidas a óleo e atender às cada vez mais rigorosas leis de emissões.

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O novo propulsor é uma evolução do antecessor que, além da capacidade cúbica aumentada de 2,0 para 2,2 litros, recebeu um turbocompressor de geometria variável e injeção direta atualizada, entre outras melhorias, para passar a entregar 200 cv de potência e 45,9 kgfm de torque ante os respectivos 170 cv e 38,8 kgfm do antigo 2.0 turbodiesel.

Para aproveitar essa força extra, o diferencial da picape foi alongado a ponto de exigir uma revisão completa do câmbio automático de nove marchas. A transmissão fornecida pela ZF teve o suporte que o conecta ao motor substituído, enquanto as pontas de eixo traseiras e o eixo cardã ganharam novos componentes.

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Novo motor fez bem à picape

Ram Rampage
Ram Rampage vem bem equipada e com seletor giratório do câmbio no console central
Imagem: Guilherme Silva

Na prática, essas mudanças se revelam quando o motorista assume a direção e acelera o 2.2 turbodiesel. A Stellantis informa que a Rampage ficou um segundo mais rápida na aceleração de 0 a 100 km/h (9,9 segundos), mas o ganho de desempenho é mais notável nas retomadas e no uso fora do asfalto.

Na estrada, basta “cutucar” o acelerador para a picape ganhar força nas ultrapassagens ou voltar a embalar. O câmbio automático, por sua vez, harmoniza bem com o novo motor e aproveita os quase 46 kgfm de torque pleno já a 1.500 rpm, evitando reduções de marcha desnecessárias. Com isso, a condução também ficou mais confortável, uma vez que o motorista não precisa mais abusar tanto do acelerador para fazer a Rampage ganhar velocidade.

Apesar do ganho de performance, o consumo não foi penalizado. De acordo com o Inmetro, a Rampage 2.2 turbodiesel obteve médias de 10,6 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada. No uso real, fizemos 9 km/l nos exaustivos congestionamentos da cidade de São Paulo, mas atingimos ótimos 15,9 km/l em rodovia.

O motor mais torcudo também fez a diferença no fora-de-estrada leve ao qual submetemos a picape, pois a força extra foi essencial para superar subidas de cascalho e erosões com o mínimo de aceleração.

O sistema de tração integral sob demanda, por sua vez, atua apenas quando detecta a perda de aderência em alguma das rodas para transmitir a força do motor ao eixo traseiro – no asfalto, a Rampage roda quase sempre com tração dianteira. A única maneira de manter as quatro rodas tracionando o tempo todo é acionando a reduzida que, na verdade, é a primeira marcha, visto que a picape não possui uma caixa redutora.

A dirigibilidade segue elogiável, graças às suspensões independentes nas quatro rodas, que conferem um comportamento digno de SUV. Para conter os 1.951 kg em ordem de marcha, a Rampage dispõe de freios a disco nas quatro rodas, que na versão Rebel, são de 17 polegadas e calçadas em pneus Pirelli Scorpion ATR de uso misto, antes disponíveis somente na Rebel 2.0 turbo a gasolina de 272 cv (R$ 268.990).

Independentemente da versão, a Ram Rampage possui caçamba com volume de 980 litros, mas a capacidade de carga varia de acordo com a motorização: 1.051 kg com o 2.2 turbodiesel ou 750 kg quando equipada com o 2.0 turbo a gasolina.

Ram Rampage
Ram Rampage vai bem em piso de cascalho, mas funciona na maior parte do tempo com tração dianteira
Imagem: Guilherme Silva

De resto, a Rampage segue sendo uma Fiat Toro mais refinada. Mesmo na versão testada, a intermediária Rebel 2.2 turbodiesel (parte de R$ 265.990), a picape tem acabamento interno mais caprichado que o da “prima” com a qual divide a plataforma e uma série de componentes mecânicos. 

material emborrachado nas portas dianteiras e sobre o painel, ornamentado por uma faixa horizontal que imita couro. A Rampage ainda conta com quadro de instrumentos digital de 10,3 polegadas e central multimídia flutuante de 12,3”, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

Carregador de celular por indução, ar-condicionado digital de duas zonas e um pacote de assistências de condução, como controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, sensor de ponto cego, assistente de permanência em faixa, sete airbags, faróis e lanternas em LED com acendimento automático, entre outros itens, fazem parte da lista de equipamentos de série da Rampage Rebel. 

Os únicos opcionais são o sistema de som Harman / Kardon, as luzes internas em LED e o banco do passageiro com regulagem elétrica, vendidos no pacote opcional Elite (R$ 6 mil).

Veredicto

Ram Rampage
Ram Rampage pode levar 980 litros na caçamba e vem com lanternas de LED entre os destaques
Imagem: Guilherme Silva

São apenas R$ 3 mil que separam a Rampage Rebel 2.2 turbodiesel da variante equipada com o apimentado motor Hurricane 2.0 turbo a gasolina. O fator de escolha vai depender muito do tipo de uso da picape, uma vez que a versão a diesel compensa o desempenho inferior com autonomia e capacidade de carga bem maiores.

Guilherme Silva

Jornalista do setor automotivo desde 2009