Vazam planos de cortes em fábricas da Volkswagen; veja quais e quando

Cronograma prevê fim da produção em unidades históricas do grupo, todas na Alemanha
Fábrica da Volkswagen em Hanover, na Alemanha

Fábrica da Volkswagen em Hanover, na Alemanha | Imagem: Divulgação

A Volkswagen está passando por mais uma tempestade. Um documento confidencial preparado para o conselho de supervisão do grupo, com nada menos que 147 páginas, vazou pelo site alemão WirtshaftsWoche e expôs um plano de reestruturação que a própria fabricante classifica como “sem precedentes na história econômica”.

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O material tem até um nome burocrático e nada animador: “Relatório sobre a Decisão Conceitual do Conselho de Supervisão em setembro de 2026”. Ou seja, o documento foi feito para preparar justamente a reunião do conselho que acontece neste mês, quando as medidas devem ser formalmente discutidas.

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E o tom do relatório não deixa muita margem para dúvida sobre o quão sério seria a situação. Segundo o texto, “os modelos de negócio e as estruturas existentes não são mais suficientes” para garantir a competitividade e a rentabilidade do grupo.

Os cortes discutidos vão além de quatro fábricas alemãs, todas na Alemanha, começando em 2031 e terminando em 2034. conforme a agência Reuters.  De acordo com que o a imprensa alemã apurou até agora a Volkswagen estuda eliminar até 100 mil postos de trabalho ao redor do mundo como parte dessa reestruturação.

O documento traz datas específicas para o fim da produção em quatro unidades do grupo. A diretoria da Volkswagen já teria aprovado por unanimidade essa parte do plano, com nome de “conceito para a transformação integral do Grupo Volkswagen”. 

Agora, a decisão segue para o conselho de supervisão, que é quem efetivamente vai bater o martelo.

Quais fábricas estão na lista

Fábrica da Audi em Neckasulm, na Alemanha
Fábrica da Audi em Neckasulm, na Alemanha poderá ser fechada em 2034, de acordo com o plano que vazou
Imagem: Divulgação

Emden e Zwickau seriam as primeiras a parar, já em 2031. Depois viria Hannover, em 2032, e por último a fábrica da Audi em Neckarsulm, em 2034. Juntas, essas quatro unidades somam cerca de 40 mil trabalhadores.

Emden é uma fábrica histórica, aberta em 1964, e hoje produz o ID.4, o ID.7 e o ID.7 Tourer, empregando mais de 7.700 pessoas. Zwickau, com cerca de 8 mil funcionários, é ainda mais movimentada: de lá saem o Audi Q4 e-tron, o Cupra Born e os Volkswagen ID.3, ID.4 e ID.5, além de carrocerias para modelos de peso como o Bentley Bentayga e o Lamborghini Urus.

Já Hannover é o coração da produção de comerciais do grupo, casa do ID. Buzz. E Neckarsulm, com seus 15.500 funcionários, é uma das maiores empregadoras da região de Heilbronn-Franken, produzindo hoje os Audi A5, A6, A8 e e-tron GT.

Para onde iria a produção

Fábrica da Volkswagen em  Zwickau, na Alemanha
Fábrica da Volkswagen em Zwickau, na Alemanha, também está na lista das que deverão ser fechadas
Imagem: Divulgação

Segundo o documento, os sucessores dos modelos atuais não desapareceriam, mas mudariam de endereço. A ideia seria transferir a produção do futuro ID.4 (que deve virar um “ID. Tiguan”) para Mlada Boleslav, na República Tcheca. 

O sucessor do Q4 e-tron iria para Bratislava, na Eslováquia. A futura van elétrica de Hannover seria fabricada em Poznań, na Polônia. E o próximo A8 sairia de Leipzig.

As datas escolhidas não são aleatórias. Em dezembro de 2024, depois de semanas de negociações tensas e greves, a Volkswagen fechou um acordo com o sindicato IG Metall que proíbe demissões por motivos operacionais até o final de 2030. O novo calendário de fechamentos começa exatamente no ano seguinte, o que não passou despercebido por ninguém.

Essa não é, aliás, a primeira vez que essas quatro fábricas aparecem no radar. No início deste ano, o CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, já havia soltado um alerta em um memorando interno, dizendo que a empresa “ainda não consegue confirmar casos de uso competitivos” para Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm ao longo da década de 2030. 

A declaração foi suficiente para provocar protestos na fábrica de Neckarsulm ainda durante o verão europeu. Mesmo assim, em uma visita a Emden no fim de agosto, Blume teria dito que o fechamento de fábricas seria “apenas a última opção” e que a montadora ainda buscaria alternativas para os sites afetados.

O pano de fundo da crise

Fábrica da Volkswagen em Emden, na Alemanha
Fábrica da Volkswagen em Emden, na Alemanha, onde é fabricado o modelo ID.7 
Imagem: Divulgação

Com tudo isso já sabemos que a  Volkswagen não está passando por um momento fácil. Segundo o próprio relatório, os custos gerais do grupo na Alemanha estariam mais de 30% acima dos praticados por concorrentes comparáveis. 

Além da pressão cada vez maior das montadoras chinesas na Europa, que vêm oferecendo carros elétricos mais baratos e ganhando espaço rapidamente, e fica mais fácil entender por que a Volkswagen está disposta a considerar medidas tão drásticas.

O documento seria uma base de discussão para o conselho de supervisão, não uma sentença final. Mas a simples existência de um plano tão detalhado, com datas e destinos específicos para cada linha de produção, já é motivo suficiente para deixar sindicatos e trabalhadores em pé de guerra.

Stephanie Gomes

Estudante do 2º ano de comunicação, Stephanie escolheu a profissão por acreditar no poder transformador do jornalismo.