Até 2013, colocar um sedã da Hyundai na garagem era algo que apenas quem tinha uma conta corrente gorda poderia fazer. Para quem não tinha esse poder de compra e sonhava com um Azera ou Sonata na vaga, nasceu o HB20S, um modelo compacto baseado no hatch HB20 que foi apresentado no Salão de São Paulo de 2012.

Como o hatch, o HB20S passou pela reestilização no fim de 2015 para continuar com armas em mãos na briga pelos compradores. A receita foi a mesma, com novos parachoques dianteiros e traseiros e lanternas e faróis novos, dependendo da versão. No caso do sedã, o “sorriso metálico” da grade é completo, enquanto o hatch só possui as bordas cromadas.

Nosso por 1 mês e 2 mil km

A unidade que você confere nas fotos é o HB20S Comfort Style, topo de linha com o motor 1.0 12V flex de três cilindros e 75/80 cv de potência, com preço de R$ 49.975. Sua vida não foi fácil durante 1 mês e mais de 2 mil quilômetros rodados na cidade e estrada, carregado e vazio. Ele foi o escolhido para aquelas tarefas de fim de ano, como ir ao mercado, viajar, tomar diversas pancadas de chuva e procurar vaga no shopping na véspera de Natal (sim, esqueci um dos presentes).

Algumas vagas ao lado aqui no condomínio, o HB20S do meu vizinho parecia mais velho que o "meu" HB20S reestilizado. Apesar de apenas retoques, as mudanças da versão 2016 caíram bem no sedã, mesmo sem os faróis com projetores e LEDs, exclusividade da topo Premium. Por dentro, partes em plástico bem encaixado, sem rebarba, painel em preto e cinza e bancos com tecidos superiores ao HB20S anterior. O tropeço ficou na falta de dois pedaços de tecido, nas portas traseiras, que ficaram apenas com o forro plástico. É estranho e chega a parecer um erro de montagem. 

Olá, prazer. A noite é nossa

O primeiro contato com o HB20S que passou por esse teste foi positivo. Banco do motorista com ajuste de altura e o volante com altura e profundidade foram boas surpresas para achar a melhor posição de dirigir, o que resulta em menos cansaço depois de horas ali sentado. Nas portas, botões dos vidros elétricos (todos com funções de um toque para subida e descida) foram outra surpresa em um mundo onde isso é cada vez mais raro ainda mais nesta faixa de preço. Aqui também poderia estar a regulagem dos espelhos elétricos, mas ele se esconde no lado esquerdo do painel.

Falando na lista de equipamentos, ele tem o que dá para dizer o básico para a sobrevivência urbana, como o ar-condicionado, direção hidráulica, conjunto elétrico, fixação de cadeira infantil Isofix, computador de bordo com aviso de revisão e som com Bluetooth. Se deu ao luxo de ter a chave canivete com abertura do porta-malas, setas integradas nos espelhos e rodas de 15”, mas em um sedã com uma visão traseira restrita o sensor de estacionamento seria muito bom para quem já pagou quase R$ 50 mil.

Na primeira noite já começamos nosso breve relacionamento com um ponto de dúvida que continuou durante todo o tempo. Andar no 1.0 de três cilindros do HB20S exige mais paciência que, por exemplo, os mesmos motores do Ford Ka+ e Nissan Versa. A faixa de torque, a força do carro, aparece apenas perto dos 4.500 rpm, que exige acelerar mais e usar mais o câmbio. Ao menos este tem engates bons, bem precisos, como os tão elogiados engates da Volkswagen. O problema ficou no consumo, que a Hyundai e o Inmetro divulgam como 8,5 km/l em circuito urbano com etanol, e “no mundo real” com trechos de trânsito e ar-condicionado ligado, ficou na faixa dos 7,5 km/l, justamente pela necessidade de mais peso no acelerador e manter giros mais altos. 

 
 
Hyundai HB20S 2016 1.0 Hyundai HB20S 2016 1.0
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Espaço tem, mas balança

Com uma ou duas pessoas a bordo, o HB20S se comporta bem. Mesmo que não divulgado, fica claro que alguns elementos da suspensão do HB20S – e do HB20 hatch – foram modificados, colocando fim nas batidas secas que enchiam a paciência nas antigas versões. Confortável, ele foi elogiado também pelo espaço interno, principalmente no banco traseiro e no porta-malas de 450 litros, importante para quem procura o carro para a família. Qual o maior desafio para um sedã 1.0? Lógico que enfrentar os carros mais potentes na estrada, e a situação piora quando está carregado. E lá vamos nós, três adultos e o porta-malas carregado com peso próximo de 4 malas e tanque cheio de etanol.

Lembra que eu falei sobre a força em rotações mais altas? Na estrada ela é útil para manter o HB20S nos 120 km/h até aparecer uma subida, que irá exigir uma marcha pra baixo e os números de consumo diminuindo no computador de bordo. Mesmo assim, dos 9,4 km/l divulgados, chegamos aos 10,5 km/l!  Mas duas coisas que percebemos na cidade ficou clara na estrada: quando a traseira tem qualquer peso, a ação dos amortecedores traseiros é prejudicada e a traseira balança mais, mas não chega ao fim de curso. Não prejudica a estabilidade, mas vai enjoar quem tem estômago mais frágil. Outro ponto é a direção hidráulica, que não tem mudança no peso conforme velocidade, deixando uma falsa sensação de instabilidade principalmente em uso rodoviário.

E então? Qual é?

No fim deste relacionamento, o HB20S, como tudo, mostrou suas qualidades e defeitos. Ele é bonito, bem acabado, espaçoso e confortável mas contra tem um motor que precisaria se atualizar, ainda mais depois que a concorrência também descobriu a mágica dos tricilíndricos, com a partida a frio sem tanquinho e mais força em rotações mais baixas que iria colaborar no consumo, que não é ruim, mas tem como ser melhor. Se for usar o sedã carregado ou na estrada na maior parte do tempo, coloque mais um pouco na parcela e abrace o 1.6, com até 128 cv, de R$ 54.625 com câmbio manual de 6 marchas. Ou um Azera usado e todas as suas despesas de carro já rodado. 

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Redação

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