Anfavea reage à pressão de marcas chinesas e pede manutenção de tarifas sobre carros elétricos
Entidade cobra que governo mantenha cronograma de aumento do imposto de importação e rejeite novos incentivos para veículos montados a partir de kits importados
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou uma carta aberta na sexta-feira, 19, defendendo a manutenção do cronograma de recomposição das tarifas de importação para veículos elétricos e híbridos e o fim definitivo dos benefícios concedidos para a importação de kits desmontados usados na montagem de veículos no Brasil.
O posicionamento ocorre em meio à discussão que será retomada pelo governo federal nos próximos dias. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) poderá analisar pedidos para adiar a cobrança integral do imposto de importação sobre veículos eletrificados e também a eventual retomada de cotas que permitiam a entrada de kits CKD e SKD com tributação reduzida.
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Embora a Anfavea não cite empresas nominalmente, a manifestação ocorre em meio à pressão exercida por fabricantes chinesas, especialmente a BYD, que defende uma transição mais longa para as novas regras. A montadora inaugurou sua fábrica em Camaçari (BA) e pretende ampliar a produção local de veículos eletrificados.
Na carta, a entidade afirma que as regras atuais foram resultado de negociações realizadas entre governo e indústria nos últimos anos e que eventuais mudanças podem afetar decisões de investimento já tomadas pelas fabricantes instaladas no país.
Veja também: Anfavea e sindicatos pressionam governo contra renovação de incentivo a kits importados
Segundo a associação, mais de R$ 140 bilhões em investimentos foram anunciados pelas montadoras até 2033, com foco em eletrificação, desenvolvimento de produtos, engenharia e expansão da cadeia de fornecedores.
O principal ponto de divergência envolve os kits CKD e SKD, siglas usadas para veículos importados desmontados ou semidesmontados. Nesses casos, grande parte dos componentes chega pronta do exterior e a montagem final é realizada no Brasil.

Para a Anfavea, esse modelo pode ser utilizado durante a fase inicial de implantação de uma fábrica, mas não deveria se tornar uma solução permanente para produção em grande escala. A entidade argumenta que a nacionalização gradual de componentes é necessária para ampliar a geração de empregos e fortalecer a indústria de autopeças.
11 novas marcas no país
A associação também demonstra preocupação com o aumento dos estoques de veículos importados. Segundo a carta, o volume chegou ao equivalente a 150 dias de vendas em maio, movimento que atribui ao aumento das importações antes da elevação das tarifas.
"A recomposição tarifária em curso, após um longo período de redução, não prejudica o nível de abertura comercial necessário para estimular a entrada de novos competidores, como comprova o ingresso massivo de novas marcas no país. Somente no primeiro trimestre deste ano, onze novas marcas chegaram ao mercado brasileiro", diz a carta.

Do outro lado da discussão, fabricantes chinesas argumentam que a produção local ainda está em fase de estruturação e que uma transição mais gradual ajudaria a consolidar investimentos recentes. Empresas como BYD e GWM anunciaram fábricas no Brasil e defendem mecanismos que facilitem a nacionalização progressiva de seus veículos.
O debate ganhou importância à medida que as marcas chinesas ampliaram sua presença no mercado brasileiro. Atualmente, a BYD já ocupa a quinta posição entre as fabricantes mais vendidas do país, enquanto outras empresas como GWM, Geely, Omoda, Jaecoo e GAC seguem expandindo suas operações.
A decisão sobre a manutenção ou alteração das regras deverá passar pela Camex e envolver diferentes áreas do governo, incluindo os ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Casa Civil.
