Kombi Picape Branco Paina de quase 40 anos congela no tempo; veja preço da raridade
Utilitário possui todos os detalhes originais, incluindo os pneus vindos da fábrica da Volkswagen
A Volkswagen Kombi surgiu na Alemanha em 1950 e, em 1953, começaram a vir as primeiras unidades ao Brasil, montadas em CKD. Só em 1957 passou a ser nacional e, desde essa data até 2013, foram produzidas 1.551.140 unidades na fábrica de São Bernardo do Campo, SP.
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Entre as rivais, a Volkswagen Kombi disputava a preferência do consumidor brasileiro junto à Asia Towner, Asia Topic, Kia Besta, entre outros modelos.. No entanto, a "Velha Senhora", ainda que não trouxesse a modernidade das rivais, é até hoje muito desejada por conta de sua robustez e manutenção simples e barata.
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QUASE 0 KM

Imagem: Reprodução/Garagem Brasil
Este exemplar das fotos é um dos raros sobreviventes, pois é uma Kombi Pick-up 1987 com somente 6 mil km. Adquirido do primeiro dono por meio da extinta Ciampi de Juiz de Fora (MG), o utilitário tem todos os adesivos da loja e documentação guardada com todo zelo possível.
A cabine é surpreendentemente nova, com os bancos em vinil sem desgastes ou marcas do tempo. O painel em plástico não tem trincas ou qualquer avaria, provando ser um exemplar praticamente intocável. O cluster é caracterizado pelo clássico velocímetro centralizado, hodômetro, luzes espia e marcador de combustível.
Nos modelos a álcool originais, como o deste exemplar, a partida a frio exigia um reservatório extra (o popular ‘tanquinho’) acionado por um botão no painel para facilitar a ignição em dias frios.
O bom e velho motor boxer, de quatro cilindros, arrefecido a ar, o famoso 1.600 (52 cv) movido a álcool (hoje etanol), parece que acabou de sair da fábrica. Todos os componentes, tais como polia e abraçadeiras zincadas, borrachas da mangueira, estão em perfeita sintonia com a idade do carro da Volkswagen.

Imagem: Reprodução/Garagem Brasil
“A nossa Kombi Pick-up tem todas as características originais, hoje em dia, muito difícil de achar, ainda mais em se tratando de um veículo 100% pensado para o uso comercial”, comenta Sizenando Braga Coutinho, da Garagem Brasil Antigos, loja especializada em carros raros e clássicos.
Segundo o proprietário, a pintura da carroceria, para-choques e rodas é 100% original e os pneus Pirelli 185/80 R15 são os que vieram de fábrica, sem ressecamentos. Já o baú lateral nunca foi usado e encontra-se em perfeitas condições.
“Nós vendemos a nossa Kombi Pick-up 1987 por R$ 190 mil no final do ano passado a um colecionador e amigo nosso de longa data”, disse Braga.
A Volkswagen Kombi Pick-up 1987 que apresentamos neste artigo trata-se de um dos mais raros já vistos, pois é um autêntico barn-find (um termo utilizado para descrever um carro antigo que foi descoberto em um local inusitado, como um celeiro, galpão ou garagem abandonada).
O modelo Pick-up ou ‘Cabrita’ (popularmente conhecida como “Cabrita”, porque a traseira pulava como uma cabrita quando estava sem carga) das fotos tem ganhado cada vez mais a preferência entre os colecionadores, justamente por ser um modelo raro e difícil de achar nos dias de hoje.
KOMBI NO BRASIL

Imagem: Divulgação
O nome de batismo do Tipo 2, Kombi, vem de Kombinationsfahrzeug, que no idioma germânico significa veículo combinado ou combinação do espaço para carga e passeio, e foi assim que o público brasileiro conheceu um dos veículos mais populares da história da indústria automobilística. Por aqui, as primeiras unidades vieram importadas no ano de 1949.
Graças ao sucesso de vendas, quatro anos mais tarde, a matriz alemã resolveu instalar uma filial no Brasil em parceria com a Brasmotor, que também foi representante da americana Chrysler e proprietária da Brastemp na época. Nela, eram montados, distribuídos e vendidos modelos da Kombi e do Fusca.
Em 1956, o grupo GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) e a Volkswagen iniciaram a construção da fábrica na cidade paulista de São Bernardo do Campo. Em 1957, saíram as primeiras unidades da ‘Velha Senhora’ da VW, que já contava com 100% de índice de nacionalização. Praticamente idêntica à versão alemã, a nossa Kombi contava inicialmente com motor de 1.192 cm³ e 36 cv a 3.400 rpm, contando com a velocidade máxima de 100 km/h.
1975: CHEGA A KOMBI ‘CLIPPER’

Imagem: Divulgação
Até o ano de 1975, a Kombi contava com 3 milhões de unidades produzidas, encerrando esta linha de carroceria. Até esta data, a van teve diversas versões interessantes, tanto de carroceria quanto de acabamento. Entre algumas delas: Furgão, Pick-up, Standard, Luxo, Turismo e Especial.
As opções Luxo e Standard, além da Lotação, lançada em 1967, eram as versões mais populares. Curiosamente, foram lançadas com seis portas, sendo duas para cada fileira de bancos. Este modelo ficou popularmente conhecido como Corujinha devido à sua frente estilizada, que se assemelha ao animal. Hoje um raro modelo, disputado por colecionadores. A série Corujinha da Kombi foi até 1975, pois, no mesmo ano, a Volkswagen já introduziu a Kombi renovada.
Conhecida como Clipper, a ideia inicial era de a Volkswagen fazer a reestilização completa, deixando a Kombi nacional com a porta corrediça e as três janelas grandes de cada lado. Por conta de custos, a fábrica escolheu combinar a frente (com as portas dianteiras) e a traseira (apenas as lanternas) do modelo internacional com a carroceria do modelo nacional, de 12 janelas laterais.
Além disso, estreava também o motor boxer a ar 1.600 que deu um salto na potência, dos 52 cavalos para 58 cv, enquanto que o torque dos 9,1 kgfm (a 2.600 rpm) passou para 11,2 kgfm (nos mesmos 2.600 giros).
VERSÃO A DIESEL

Imagem: Divulgação
Em 1981, a Volkswagen iniciava as vendas da Kombi com motor de 1,5 litro movido a diesel, refrigerado a água e um exclusivo radiador dianteiro. Este motor era o mesmo que equipava o Passat de exportação e foi oferecido nas versões Pick-up, com cabine simples ou dupla, e o Furgão.
PORTAS CORREDIÇAS

Imagem: Divulgação
A mudança mais profunda só chegaria em 1997, quando o modelo finalmente recebia a porta corrediça e carroceria semelhante àquela conhecida no resto do mundo, embora o teto elevado em 11 cm seja único do modelo brasileiro. Em 2005, a VW marcava a chegada da Kombi Série Prata, edição limitada que marcava o último modelo refrigerado a ar. Em 2006, a Volkswagen iniciava a comercialização da veterana Kombi com nova motorização, desta vez refrigerada a água, a qual permaneceu até o fim de sua produção, em 2013.
Nos quatro cantos do mundo, são notórias a popularidade e a paixão de todos que, direta ou indiretamente, tiveram uma história com o automóvel.
