Chevette SL de quase 50 anos é raro e parece 0 km; veja preço
Sedã clássico da GM tornou-se um fenômeno de vendas diante de Brasília, Corcel e outros
O Chevrolet Chevette foi lançado em 1973 e perdurou até 1993 com seu conceito original praticamente inalterado. Após 30 anos de seu fim, este clássico ainda é lembrado com muito carinho. Com Ford Corcel, Dodge 1800 e Volkswagen Brasilia como rivais, o sedã da GM traz mais modernidade.
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O motor 1.4 era um deles. O clássico estreou o comando de válvulas no cabeçote acionado por correia dentada, uma revolução para a época. Aliado a isso, a tração traseira combinada ao câmbio de quatro marchas fazia deste três volumes um carro firme e honesto.
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O exemplar do Chevette que você vê nas fotos é um dos poucos e raros exemplares que nunca sofreu nenhum tipo de intervenção. À venda por R$ 135 mil, o sedã nunca foi restaurado e mantém grande parte da pintura original. Outro motivo de orgulho para a Garagem Brasil Antigos é a baixíssima quilometragem. Acredite, ele só percorreu 28 mil km em pouco mais de 40 anos de existência.
“Nosso veículo permaneceu por 40 anos na mesma família, sempre tratado com extremo zelo e utilizado pouquíssimo, mantendo sua essência de fábrica”, esclarece Sizenando Braga Coutinho, proprietário da loja especializada em carros clássicos.

Imagem: Garagem Brasil Antigos
Ao abrir a porta, enche os olhos o capricho dos materiais empregados. Como se isso não fosse o bastante, o padrão monocromático do GM está presente nos mínimos detalhes. Desde o tabelier com plástico agradável ao toque até o revestimento incomparável dos bancos
. Nem mesmo detalhes como os botões das fivelas dos cintos e os pinos das travas das portas foram esquecidos. É tudo muito bem pensado, com muito carinho e respeito pelo potencial consumidor.
O painel da versão SL trazia imitação de madeira Jacarandá, uma prática muito comum de trazer mais sofisticação ao interior dos veículos dos anos 1970 e 1980. O cluster é simples, porém funcional. Traz à esquerda o velocímetro com escala até 180 km/h e odômetro total. Bem ao centro, um simpático relógio analógico. À direita, os ponteiros do nível de combustível e da indispensável temperatura da água do motor.
O conta-giros fica a cargo das versões mais esportivas, como na hatch S/R. Ainda na parte interna, o belo volante de quatro raios e os pedais eram deslocados levemente para a esquerda. O motivo era por conta do túnel central elevado, que abriga o eixo cardã.

Imagem: Garagem Brasil Antigos
De qualquer forma, o Chevette foi considerado um modelo confortável para os padrões do brasileiro. Em termos de espaço interno, trazia suas limitações diante dos concorrentes, sobretudo para os passageiros de trás. Em contrapartida, o veículo da Chevrolet reagia oferecendo o generoso porta-malas, com capacidade para 323 litros.
Se você tiver interesse, o Chevette 1.4 SL 1979 é um bom exemplar para entrar na sua coleção, tendo em vista o seu alto grau de originalidade.
A ORIGEM DO CHEVETTE

Imagem: Divulgação
Originado do Opel Kadett, o Chevette da Chevrolet foi um sucesso de vendas no seu segmento e deixou muitas saudades durante a sua produção, ganhando diversas opções de configurações como Hatch, Sedan, Perua – batizada de Marajó e picape – Chevy 500, esta última fabricada até 1995.
O Chevette Sedan, porém, foi comercializado de 1973 a 1993, acumulando nestes vinte anos de sucesso muitas vitórias e conquistas. Entre seus concorrentes estavam a VW Brasília, Chrysler Dodge 1800 e Ford Corcel.
Inicialmente o sedã da GM também receberia diversas versões de acabamento, como a Standard e SL, apresentadas à imprensa no dia 24 de abril de 1973. Logo depois viriam as demais opções, entre elas: L, SE, SL/E, DL e Júnior e as séries limitadas GPII, fabricadas em homenagem ao Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 logo depois de ter acumulado mais de 150.000 unidades produzidas do sedã da GM, em 1975.
Em 1979 foi a vez da edição Jeans, que era diferenciada das outras versões pelas exclusivas padronagens dos tecidos totalmente na cor azul, além de um adesivo lateral frontal. A cor da lataria era prata, que contrastava com o azul dos adereços.
Além desta, a General Motors fez a série Ouro Preto, lançada um ano depois da Jeans. Como o próprio nome propunha, esse Chevette era disponibilizado somente na cor dourada com faixas pretas. Foi nesta série que a General Motors inaugurou a ignição eletrônica nas versões a álcool e, a partir de 1982, seria opcional nos modelos movidos a gasolina.
Entre os itens de série disponibilizados no Chevette Ouro Preto estavam rodas de alumínio e emblemas na cor dourada, além de outros acessórios exclusivos que o deixavam com uma aparência ainda mais atraente e esportiva.
Quanto aos motores, estava o motor 1.6 (1.599 cm³) de 76 cv a partir das 5.800 rpm e com um torque máximo bruto de 10,8 kgfm a 3.800 rpm. Fora este motor, o Chevette contava com os motores 1.4 e 1.6/S. Esta última era alimentada por um carburador de corpo duplo cuja potência máxima crescia em apenas 1 cv nos seus 5.200 rpm.
A opção 1.4 trazia um comando de válvulas acionado por correia dentada, até então um sistema pouco convencional em relação aos outros carros. O propulsor de exatos 1.398 cm³ atingia os 68 cv de potência a partir das 5.800 rpm, alimentado por um carburador de corpo simples. Seu torque bruto ficava entre 10,3 kgfm a 3.000 rpm.
Pequeno por fora e espaçoso por dentro – levando em consideração o entre-eixos de 2,39 metros, o Chevette logo encantava seus proprietários com a sua durabilidade, eficiência e rapidez no trânsito, graças ao seu peso de apenas 920 kg. A versão sedã media 4,12 metros de comprimento, 1,57 m de largura e 1,32 m de altura.
Somente em 1978, quatro anos após o seu lançamento, a General Motors dava ao Chevette uma nova aparência. Frente mais atual com grade bipartida, inspirada nos veículos da Pontiac. Na traseira não houve muitas mudanças nem nas laterais da linha Chevette 1978, mas já apresentava novo fôlego para encarar a forte concorrência.
Um ano depois, o Chevette ganhava a configuração de quatro portas, um mercado difícil naquela época, em que somente os taxistas o consideravam um bom negócio, ao contrário dos dias de hoje. Porém, mesmo com esta novidade, o sedã possuía o mesmo espaço, mas ajudava no transporte de passageiros com a adoção de mais duas portas extras.
No ano de 1980, as lanternas traseiras ficaram maiores e ganharam uma faixa preta, tornando o conjunto mais harmonioso. Os para-choques receberam apliques de borracha que acompanhavam a mesma linha dos frisos das portas.
Foi neste ano que a marca atingiu o seu auge com uma produção de 500.000 unidades fabricadas. Com o crescimento nas vendas, em 1981, a General Motors ampliou sua linha de produtos com uma versão Hatch e uma perua denominada Marajó, além das versões esportivas S/R para o Hatch, e introduziu pequenos detalhes, como faróis quadrados para todas as versões, que substituíram os redondos da linha anterior.
CHEVETTE GANHA ATUALIZAÇÕES NA LINHA 1983

Imagem: Divulgação
Porém foi em 1983 que a linha Chevette recebeu uma nova reestilização em toda a sua linha, mudança esta que duraria até o final de sua produção com a versão L de 1993. Novamente faróis e lanternas ficaram mais atuais, tornando-os maiores e de desenho mais limpo, assim como a grade do radiador.
As rodas de aço permaneciam inalteradas para a versão SL. No conjunto mecânico, o motor ganhava a opção a álcool de 1,6 litro e, opcionalmente, o câmbio de cinco marchas.
No ano seguinte, chegou ao mercado a versão picape, batizada de Chevy 500 — citada anteriormente — em razão dos concorrentes Ford Pampa,VW Saveiro, e Fiat Fiorino. A vantagem do modelo estava na tração traseira, que permitia transportar cargas pesadas com uma eficiência incomparável.
Curiosamente, a General Motors lançava para o Chevette uma versão automática de três velocidades, que duraria até o ano de 1990, porém sem o sucesso esperado. Em 1987, novas mudanças, porém sem relevância, mas o que realmente ficou registrado na memória da empresa foi a chegada da versão SE, que continha um acabamento mais primoroso e mimos como luzes de controle do consumo de combustível. A versão de quatro portas saía da linha de produção.
Para 1988, a versão SE passava a ser chamada de SL/E como forma de unificar o padrão de toda a gama Chevrolet, como o Monza e o Opala. Um ano após, a Marajó dava lugar à perua Kadett Ipanema como uma forma de renovar a linha e, em 1991, a linha Chevette não contava mais com a versão SL e SL/E, tornando apenas DL a única opção para aquele ano.
Com a era dos populares equipados com motor 1.0, a Fiat já tinha o seu produto, o Uno Mille, lançado em 1990, e a GM lançava o Chevette dois anos após o concorrente com o mesmo propósito, em busca de levar ao consumidor o sonho de ter um carro 0 km na garagem, com uma opção mais barata.
Denominada de Júnior, carro popular da GM, perdia o acabamento de tecido nas portas, tornando-o o mais simples possível. Para reduzir o seu peso, o Chevette Júnior recebia vidros mais finos como uma estratégia de diminuir o seu peso. O carrinho não surpreendeu muito devido à sua potência relativamente baixa, de econômicos 50 cv.
CHEVETTE É APOSENTADO E GM LANÇA O CORSA

Imagem: Divulgação
Em 1993, já com o projeto ultrapassado, a firma lançava a versão L, com propulsor 1.6 (81 cv na versão a álcool e 73 cv na gasolina), e a Júnior perdia o mercado como forma de voltar atrás na filosofia do carro popular. No dia 12 de novembro do mesmo ano, o Chevette deu lugar ao Corsa — um projeto mais promissor — com um total de 1,6 milhão de unidades comercializadas.
