Em disputa de irmãos, hatches médios perdem de sedãs
Mudanças no gosto do consumidor têm feito até líderes de suas categorias perdem espaço para versões de três volumes
Desde que o Focus está no mercado, há quase duas décadas, a Ford tenta emplacar a versão sedã como uma opção à altura dos concorrentes japoneses Corolla e Civic. Nunca conseguiu, por melhor que fosse o modelo, mas algo mudou nos últimos meses.
Sempre em segundo plano em relação ao irmão hatch, líder do seu segmento entre 2014 e 2016, o Focus Sedan, recentemente rebatizado como ‘Fastback’ (na tentativa de relançá-lo no mercado), enfim o superou. Em 2017, o Focus de três volumes acumula 1,7 mil emplacamentos contra apenas 1,3 mil do “dois volumes”. E isso não é um caso isolado. Os sedãs médios que disputam o interesse dos clientes com versões hatches da mesma marca geralmente perdiam a disputa, com exceção da Chevrolet, onde tanto o sedã Vectra quanto o Cruze sempre dominaram na comparação com o Vectra GT e o Cruze Sport6.
Na Volkswagen, por exemplo, Golf e Jetta, embora tenham parentesco, são de gerações diferentes, com vantagem do hatch médio, que está na 7ª edição. Mas nem isso fez dele favorito: desde 2011, foram três vitórias para cada modelo e em 2017 o Golf leva uma pequena vantagem (53% contra 47%) em relação ao Jetta.
Já i30 e Elantra, que têm uma relação parecida com a da Volks (não são versões sedã ou hatch de ou de outro), a virada foi mais significativa. Se em 2012 o i30 dominava 71% das vendas em relação ao Elantra, hoje o sedã da Hyundai responde por 96% dos emplacamentos. É verdade que o volume caiu demais e o hatch está próximo de uma troca de gerações, mas ele nunca mais foi sombra do fenômeno de vendas do começo da década.
Até mesmo numa marca onde o coadjuvante estava mais do que ‘conformado’ a situação se equilibrou. A Peugeot vende hoje praticamente o mesmo de 308 (hatch) e 408 (sedã), com leve vantagem para o primeiro. Há cinco anos, o 308 respondia por 60% das vendas, para se ter uma ideia.

Até entre os modelos de luxo a disputa pende para os sedãs. Na Mercedes-Benz, o hatch Classe A até leva vantagem em relação ao sedã/cupê CLA, mas por uma diferença pequena (56% contra 44% em 2017). Já na Audi, o A3 Sedan dá uma lavada no hatch: 93% contra 7% este ano. Claro que essa goleada se explica porque o sedã é produzido no Brasil, mas faz tempo que o A3 perdeu o apelo de vendas de antes, quando foi fabricado por aqui.
Na soma desses modelos, hoje há uma preferência clara pelos sedãs (65%) contra uma divisão meio a meio em 2012. É uma diferença que tende a aumentar à medida que os hatchbacks perdem espaço para o utilitários esportivos, estes sim os grandes ‘vilões’ do desaparecimento dos clientes interessados nos primeiros. Já os sedãs sofrem menos esse assédio por oferecer uma experiência dificilmente compartilhada pelos SUVs. Ao menos por enquanto.
