Ford dá prévia da F-150 Raptor e novo Mustang GT Performance no Brasil
Picape de 450 cv chega no começo de 2027, enquanto esportivo V8 estreia ainda neste ano; dupla aparece pela primeira vez no Festival Interlagos
A Ford aproveitou o Festival Interlagos 2026 para confirmar dois novos integrantes de sua linha no Brasil. O Mustang GT Performance 2026 começa a ser vendido ainda neste ano e a F-150 Raptor desembarca no início de 2027, como uma alternativa mais radical dentro da família da picape grande.
Os dois aparecem pela primeira vez para o público brasileiro no evento, que começa nesta quinta-feira (27) e segue até domingo (30), no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A Ford ainda não divulgou os preços.
A F-150 Raptor talvez seja a novidade mais significativa. O Brasil já recebe a Ranger Raptor, mas agora a preparação voltada ao uso fora de estrada chega à picape de maior porte.

A versão confirmada pela Ford usa o motor 3.5 V6 EcoBoost biturbo. Nos Estados Unidos, o conjunto entrega 450 hp (456 cv) e 510 lb-ft, equivalentes a cerca de 70,5 kgfm de torque, associado ao câmbio automático de dez marchas. A fabricante ainda não publicou a ficha técnica brasileira, portanto esses números podem sofrer alguma adequação até o lançamento.
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A Raptor também se distancia bastante das F-150 convencionais na suspensão. Ela usa amortecedores FOX desenvolvidos para trabalhar em alta velocidade sobre pisos irregulares, além de alterações de chassi, pneus e outros componentes voltados ao off-road.
Nos Estados Unidos existe ainda a F-150 Raptor R, equipada com um V8 5.2 supercharged de 720 hp. Não é essa, porém, a versão anunciada para o mercado brasileiro.

Mustang GT ganha nova opção
A outra estreia será mais próxima. O Mustang GT Performance 2026 chega ainda em 2026 para dividir espaço com o Dark Horse, atualmente a versão mais extrema do esportivo oferecida oficialmente pela Ford no país.
O GT Performance usa o conhecido Coyote 5.0 V8 aspirado de 492 cv, câmbio automático de dez marchas e tração traseira. O conjunto não representa uma novidade mecânica: a versão anterior do GT Performance vendida no Brasil já entregava os mesmos 492 cv e contava com suspensão adaptativa MagneRide e freios Brembo.
As diferenças do modelo 2026 anunciadas até agora estão principalmente na aparência. Rodas, emblemas, teto, retrovisores e aerofólio recebem acabamento escurecido, e a paleta passa a contar com a cor Cinza Avalanche.
A Ford também levou a Interlagos o Mustang Dark Horse SC, mas sem anunciar sua venda no Brasil. Apresentada neste ano nos Estados Unidos, essa versão usa um V8 5.2 supercharged de 795 cv e componentes derivados dos Mustang GT3 e GTD, entre eles freios de carbono-cerâmica e rodas de fibra de carbono.

Ford mudou de tamanho e de negócio no Brasil
As novidades mostram também como a operação brasileira da Ford mudou desde 2021. Naquele ano, a fabricante encerrou a produção de automóveis no país e fechou suas fábricas, passando a abastecer o mercado brasileiro exclusivamente com veículos importados.
A decisão reduziu drasticamente o tamanho da Ford por aqui. A empresa, que durante décadas disputou as primeiras posições do mercado brasileiro e produziu modelos de grande volume, passou a trabalhar com uma linha menor e concentrada em segmentos de preços mais elevados.
A recuperação ocorreu principalmente com picapes e SUVs. Segundo a Ford, suas vendas cresceram mais de 21% no primeiro semestre de 2026. A Ranger tornou-se seu principal produto e chegou à liderança entre as picapes médias em julho, com participação superior a 25% no segmento.
A F-150 ocupa uma faixa muito menor em volume, mas de preços elevados. Hoje a picape é vendida nas configurações Lariat, Lariat Black e Tremor. A Raptor vai ocupar o topo dessa família e provavelmente também será a F-150 mais cara oferecida no país.

É um negócio bastante diferente daquele da antiga Ford brasileira, que dependia de modelos de grande volume como Ka, Fiesta e EcoSport. A participação atual está longe dos patamares históricos da marca, mas o preço médio dos produtos também mudou radicalmente. Ranger, Bronco Sport, Territory, Maverick, F-150 e Mustang colocam a empresa em faixas nas quais cada unidade vendida representa um valor muito maior.
A Ford não divulga sua margem por modelo ou pelo mercado brasileiro, portanto não é possível afirmar quanto essa estratégia rende por veículo. Mas a composição atual da gama deixa clara a preferência por produtos de maior valor em vez da busca pelo volume que caracterizou sua operação industrial no passado.
No Festival Interlagos, essa Ford aparece de maneira particularmente evidente: as duas próximas novidades anunciadas para o Brasil são um Mustang V8 e a versão Raptor da F-150.
