Jeep confirma retorno do Renegade à Europa um ano após encerrar sua produção
SUV terá uma nova geração no mercado europeu até 2030, enquanto no Brasil o sucessor do modelo atual é esperado para 2028
A Jeep confirmou nesta terça-feira (13), durante o Salão de Paris, que o Renegade voltará ao mercado europeu com uma segunda geração até 2030. O anúncio chama a atenção porque, há apenas um ano, a fabricante havia encerrado a produção do SUV na Itália sem planos anunciados para um sucessor.
O retorno foi confirmado por Xavier Peugeot, responsável pela Jeep na Europa, durante a apresentação do planejamento da marca para os próximos quatro anos. A fabricante pretende ampliar sua linha europeia para até seis modelos, mas não mostrou como será o novo Renegade, nem divulgou informações sobre suas dimensões, motores ou plataforma.
Na verdade, a apresentação foi bastante econômica em novidades visuais. A Jeep se limitou a divulgar imagens ilustrativas de sua estratégia, sem revelar protótipos ou antecipar o desenho dos futuros veículos. Quem esperava conhecer a aparência da próxima geração do Renegade terá de aguardar.
A decisão também chama a atenção pelo papel que o Renegade desempenhou na expansão da Jeep fora dos Estados Unidos. Lançado em 2014, o SUV ajudou a transformar uma marca tradicionalmente associada a veículos maiores e com vocação fora de estrada em uma opção mais acessível para consumidores interessados em utilitários esportivos compactos.
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Na Europa, foram mais de 610 mil unidades vendidas desde sua estreia, segundo a própria Jeep. O Renegade também foi um dos primeiros produtos da então Fiat Chrysler Automobiles (FCA) desenvolvidos para atender diferentes mercados, com produção tanto na Itália quanto no Brasil.

Europa havia deixado Renegade para trás
Apesar do sucesso inicial, o Renegade acabou perdendo espaço na estratégia europeia da Jeep. O modelo permaneceu baseado no projeto apresentado em 2014, enquanto outros SUVs da marca receberam plataformas e tecnologias mais recentes.
O primeiro movimento importante ocorreu com a chegada do Avenger, em 2022. Menor que o Renegade, o novo SUV assumiu a função de modelo de entrada da Jeep na Europa e passou a disputar uma faixa de mercado na qual o veterano já encontrava dificuldades.
O Avenger teve uma recepção comercial bastante positiva. Segundo a fabricante, o modelo acumula quase 300 mil unidades vendidas desde o lançamento.
Mais recentemente, foi a vez de o Compass ganhar uma geração inteiramente nova, baseada na plataforma STLA Medium da Stellantis. Embora o Compass original seja anterior ao Renegade, ele recebeu um projeto atualizado enquanto o SUV menor continuava praticamente com a mesma arquitetura.

A situação chegou ao ponto de a Jeep encerrar a produção europeia do Renegade em 2025. A última unidade deixou a fábrica de Melfi, na Itália, que passou a concentrar sua operação em veículos mais recentes da Stellantis, incluindo o novo Compass.
Na ocasião, a informação divulgada pela fabricante à imprensa europeia era de que não havia um sucessor previsto. O próprio AUTOO noticiou o encerramento da produção e a decisão de deixar o Avenger ocupar o espaço do Renegade no continente.
Agora, a Jeep volta atrás nessa estratégia e confirma que os dois SUVs terão lugar em sua linha europeia. A empresa, porém, ainda não explicou como pretende diferenciá-los comercialmente.
Brasil seguiu outro caminho
Enquanto o Renegade desaparecia das fábricas europeias, sua trajetória no Brasil continuava. O SUV permanece em produção em Goiana, Pernambuco, onde começou a ser fabricado em 2015 e teve papel fundamental na consolidação da Jeep no país.
Antes do Renegade, a marca norte-americana tinha uma presença relativamente limitada no mercado brasileiro, concentrada em modelos importados e mais caros. O SUV compacto mudou essa situação ao oferecer um Jeep produzido localmente, com preços e versões capazes de alcançar um público muito maior.
Seu sucesso também ajudou a estabelecer a operação industrial da marca em Pernambuco, que posteriormente passou a fabricar Compass e Commander.

Mesmo com o envelhecimento do projeto, a Stellantis optou por manter o Renegade brasileiro em linha. O modelo recebeu atualizações de equipamentos, motorização e acabamento ao longo dos anos, chegando à linha 2027 com versões híbridas leves de 48 volts.
Mas a permanência do SUV atual não significa que ele continuará indefinidamente em produção. A Stellantis já incluiu uma nova geração do Renegade em seu planejamento para a América do Sul.
Conforme o AUTOO publicou em junho, a expectativa é de que o sucessor brasileiro seja lançado em 2028, depois da chegada do novo Compass nacional.
A plataforma STLA One é apontada como a provável base do projeto, embora a fabricante ainda não tenha confirmado oficialmente essa informação.
Assim, o Renegade acabou seguindo dois caminhos diferentes. Na Europa, saiu de produção e agora teve seu retorno anunciado para até 2030. No Brasil, permaneceu nas concessionárias e já tem uma substituição prevista no planejamento regional, com expectativa de chegada antes da versão europeia.

Jeep promete seis modelos na Europa
O retorno do Renegade faz parte de um plano mais amplo para aumentar a presença da Jeep no mercado europeu. A marca pretende oferecer até seis modelos até 2030, distribuídos entre os segmentos de SUVs compactos, médios e maiores.
Além do Avenger e do Compass, a fabricante confirmou que o Recon fará parte de seu retorno ao segmento D, acompanhado por outro modelo previsto para 2028.
A Jeep também pretende oferecer diferentes tipos de motorização, sem concentrar sua estratégia exclusivamente nos veículos elétricos. Segundo a empresa, todos os modelos de sua futura linha europeia terão ao menos uma versão com tração nas quatro rodas.
Para depois de 2030, a marca estuda ainda um veículo compacto eletrificado inspirado no Willys, modelo que deu origem à sua identidade histórica. Nesse caso, porém, não existe um lançamento confirmado.
Quanto ao Renegade, a apresentação em Paris deixou mais perguntas do que respostas. A Jeep confirmou que o nome continuará na Europa, mas não mostrou sequer um estudo de design do sucessor, tampouco esclareceu se os modelos europeu e brasileiro compartilharão integralmente o mesmo projeto.
