Marca chinesa mais famosa, Chery estreia no Brasil

Crossover Tiggo é o primeiro modelo a ser vendido, mas até o final do ano teremos mais outros três veículos

Chery Tiggo | Imagem: Chery

A propaganda da Chery que irá ao ar em breve nas TVs diz que “se os chineses inventaram a pólvora e outras conquistas do ser humano, só podem fazer algo bom em matéria de carros”. O slogan é parecido com isso e mostra a determinação da mais populosa nação do mundo em produzir automóveis, coisa que passaram a fazer há apenas 15 anos.

Embora estejam no Brasil há alguns anos, os chineses até aqui nunca haviam entrado com a força que planeja a Chery. A montadora é a mais internacional das chinesas e a 3ª marca do país mais conhecida no mundo, depois da Lenovo e da Haier, esta última vendendo eletrodomésticos.

Por isso os planos para o nosso país são ambiciosos: vender 10 mil carros em 2010, lançar seis modelos nesse período e, em breve, fabricar um carro nacional. O Tiggo, crossover compacto, é a ponta do iceberg dessa estratégia e foi mostrado hoje à imprensa, em São Paulo.

Pacote completo

Desconhecida e ciente da má fama de alguns carros chineses, a Chery investiu em muito conteúdo e garantias para tranqüilizar o consumidor brasileiro. O resultado é o que Tiggo parece até um carro japonês nesse sentido – tem garantia de três anos, serviço nacional de assistência em caso de pane e muitos equipamentos de série, entre eles ar, direção, trio elétrico, rádio com MP3 e conexão para iPod, rodas de liga leve, airbags frontais e até freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD. O único opcional é o revestimento de couro nos bancos.

Disponível este ano apenas na versão manual com motor 2.0 de 135 cv e tração dianteira, o Tiggo custa R$ 49 900. Para se ter uma ideia, o EcoSport, da Ford, custa a partir de R$ 50 690 e só traz de série direção hidráulica, além de motor flex, novidade que a Chery promete para 2010.

A esperança dos chineses é emplacar cerca de 600 unidades por mês a partir do dia 29 quando o Tiggo começa a ser vendido oficialmente. Apesar da origem oriental, o crossover é montado no Uruguai, numa fábrica que já foi usada para produzir carros da Peugeot e da Citroën.

Aspecto do passado

Dos quatro modelos que a Chery lançará no Brasil este ano (o compacto QQ, o monovolume Face, o médio A3, que mudará de nome em breve, e o próprio Tiggo), o jipinho é o que tem design mais antigo. Ele é do tempo em que a montadora ainda aprendia a fazer carros e foi praticamente copiado do RAV4, da Toyota – basta reparar na traseira e no console central.

Se facilitou o trabalho ao copiar um modelo consagrado, a iniciativa acabou dando ao Tiggo um aspecto de veículo ultrapassado, uma percepção que se tem em modelos coreanos mais antigos também.

Ao entrar no Tiggo, a sensação é mista: há itens como aquecedores dos bancos, mas forrações e plásticos dignos de carros populares. Uma coisa é certa: embora seja melhor que outros chineses, como o paupérrimo M100, da Effa, falta refinamento ao Tiggo.

A montadora não se preocupa em não deixar parafusos à mostra ou etiquetas em partes como os cintos de segurança. A montagem do carro também varia demais e não se pode dizer que os exemplares são de pré-série – o Tiggo já é montado há alguns meses no Uruguai. Havia exemplares em que os bancos deslizantes – ponto positivo, aliás – não saíam do lugar e outros em que a trava da porta traseira só funcionava com muito esforço.

Como bom oriental, o Tiggo tem apenas ajuste de altura no volante e vidro one-touch apenas do motorista. A iluminação do painel é azul, mas o visual é bem sem graça. Por falar nisso, os botões são de uma simplicidade que assusta. A chave do carro é do tipo “canivete”, mas a peça tem dentes como um modelo comum.

A arquitetura dos instrumentos e comandos é tradicional, ou seja, você se encontra rapidamente, tudo é absolutamente intuitivo. A posição de dirigir é natural, embora exista o ajuste de altura no banco, do tipo roldana, como no Honda Fit.

O motor tem um funcionamento um tanto áspero, mas oferece boas respostas para um 2.0 16V com rotação ideal muito alta, acima dos 4 300 giros. O câmbio manual tem engates suaves e a suspensão suportou bem algumas passagens mais duras do caminho.

A rigidez da carroceria nos surpreendeu: em valetas e lombadas, o Tiggo não emitiu um som de torção. A direção hidráulica não é um primor – em baixas velocidades se torna muito pesada e ao contrário revela alguma folga.

Razão muito acima da emoção

Certamente o Tiggo não chamará a atenção nas ruas até por se parecer com outro modelo já conhecido. Também não causará emoção aos proprietários – sua concepção é bem “socialista light”, em outras palavras, ele faz a parte dele sem surpresas.

É um pouco grosseiro? Sim, mas dá para reclamar dos chineses se os carros nacionais esbanjam plásticos de má qualidade e cobram o olho da cara por eles? A diferença é que japoneses, coreanos e, agora, chineses, têm evoluído conforme os anseios do consumidor.

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