Marcas chinesas já têm quase 1 em cada 4 carros vendidos no Brasil

Participação saltou de cerca de 14% para 23% ao longo de 2026, enquanto fabricantes tradicionais também recorrem cada vez mais a projetos desenvolvidos na China
GWM Ora 5 2027

GWM Ora 5 2027 | Imagem: Divulgação

As marcas chinesas já respondem por quase um em cada quatro carros emplacados no Brasil. Levantamento do AUTOO mostra que elas concentraram 22,8% dos registros em outubro, uma mudança significativa em relação ao começo de 2026, quando essa participação estava na faixa de 14%.

Foram cerca de 58 mil automóveis e comerciais leves de marcas chinesas em outubro, dentro de um mercado de aproximadamente 254 mil unidades contabilizadas pelo AUTOO. Em janeiro, eram 22,7 mil entre pouco menos de 163 mil veículos.

Mais importante que a comparação entre esses dois meses é a mudança de patamar ocorrida durante o ano. A participação das chinesas ficou em 13,9% em janeiro, 13,3% em fevereiro e 14,8% em março. Subiu para 17,3% em abril, chegou a 19,8% em junho e ultrapassou 22% em julho.

Desde então, não voltou aos níveis do primeiro semestre. Foram 22,9% em julho, 23,4% em agosto, 21,8% em setembro e novamente 22,8% em outubro. Nos quatro meses mais recentes, portanto, as marcas chinesas responderam em média por cerca de 23% dos emplacamentos.

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A conta considera marcas de origem chinesa, como BYD, GWM, CAOA Chery, Geely, Omoda, Jaecoo, GAC, Changan, Leapmotor e Jetour, além de operações menores.

BYD Song Pro
BYD Song Pro Imagem: Divulgação

Segunda onda ganhou escala

Parte importante dessa mudança vem da BYD. A marca começou 2026 com 9.801 emplacamentos em janeiro e registrou 24.114 em outubro. No acumulado dos dez primeiros meses, já são mais de 193 mil veículos.

Mas a expansão chinesa deixou de depender apenas da BYD, da GWM e da CAOA Chery, as três marcas que inicialmente ganharam maior escala no país.

A Geely, que havia registrado apenas 1.337 carros em janeiro, chegou a superar 7.500 unidades mensais durante o terceiro trimestre. GAC, Omoda, Jaecoo, Leapmotor, Changan e Jetour também passaram a contribuir com volumes que, somados, ajudam a explicar por que a participação chinesa continuou crescendo mesmo quando algumas das marcas maiores oscilaram.

Carros chineses já beiram um em cada quatro emplacamentos no Brasil
Carros chineses já beiram um em cada quatro emplacamentos no Brasil Imagem: AUTOO

Em outubro, por exemplo, a GWM teve 10.781 emplacamentos, seu recorde, enquanto a CAOA Chery registrou 5.754. Omoda e Jaecoo, consideradas separadamente no levantamento do AUTOO, somaram 5.856 unidades. GAC teve 2.107, CAOA Changan 1.924, Leapmotor 1.549 e Jetour 1.137.

O resultado é uma transformação bastante rápida. Considerando os dados compilados, as chinesas tiveram cerca de 14% do mercado no primeiro trimestre. Entre abril e junho, a participação média subiu para aproximadamente 18,5%. De julho a outubro, chegou a 22,7%.

China já vai além das marcas chinesas

Mesmo assim, esses números não mostram toda a influência que a indústria automobilística chinesa passou a exercer no Brasil.

A conta considera a origem das marcas e, portanto, deixa de fora veículos chineses comercializados por fabricantes tradicionais. A Ford, por exemplo, importa da China o Territory e prepara a chegada da Transit City, produzida a partir de sua parceria com a JMC.

A Chevrolet foi ainda mais longe. A GM passou a montar no Ceará modelos derivados de veículos desenvolvidos na China pela SAIC-GM-Wuling, joint venture da qual participa. É o caso do Spark EUV e do Captiva EV, além da versão híbrida plug-in do Captiva.

Geely EX5
Geely EX5 Imagem: Divulgação

Há ainda outra mudança importante: depender de importações deixou de ser a única estratégia das fabricantes chinesas. A CAOA Chery já produz veículos no Brasil há anos, enquanto BYD e GWM passaram a contar com estruturas industriais próprias no país. Outras operações avançam por meio de associações com fabricantes estabelecidos.

Isso torna cada vez menos clara a antiga divisão entre carros de marcas tradicionais produzidos no Brasil e veículos chineses importados. A China passou a aparecer como origem da marca, do projeto, da fabricação ou de mais de um desses elementos ao mesmo tempo.

Diferenças aparecem conforme metodologia

O levantamento não pretende estabelecer uma medida única para a participação chinesa. Diferenças de classificação, consolidação de marcas e atualização das bases produzem pequenas variações entre as fontes.

Dados publicados a partir dos números da Fenabrave, por exemplo, apontaram participação de 23,45% para as marcas chinesas em agosto e 21,86% em setembro, muito próximos dos 23,4% e 21,8% encontrados na base do AUTOO.

O que não muda com essas diferenças é a dimensão do avanço. Em 2025, as marcas chinesas ainda circulavam em torno de 8% a 12% do mercado durante a maior parte do ano. Em setembro daquele ano, por exemplo, representavam pouco mais de 10% dos emplacamentos. Um ano depois, a participação estava acima de 20%.

Ricardo Meier

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