Lotus começa a emplacar carros no Brasil com modelos de até R$ 1,2 milhão
Icônica marca britânica ligada à Fórmula 1 e hoje controlada pela chinesa Geely iniciou operação de baixo volume no país
A Lotus começou efetivamente a colocar seus carros nas ruas brasileiras. Depois de anunciar sua chegada oficial ao país neste ano, a fabricante teve 17 veículos emplacados em outubro, sendo 11 unidades do SUV elétrico Eletre e seis do sedã esportivo Emeya.
O primeiro registro da nova operação havia ocorrido em setembro, com uma unidade do Emira, esportivo de dois lugares e motor central produzido em Hethel, na Inglaterra. Com isso, a Lotus soma 18 carros emplacados nos dois primeiros meses em que apareceu nas estatísticas brasileiras.
É pouco diante do mercado como um todo, mas está de acordo com a proposta da marca. A operação brasileira foi montada para trabalhar com volumes pequenos e a expectativa divulgada pela empresa é comercializar entre 100 e 150 carros por ano. Cerca de 70% das vendas devem ocorrer sob encomenda.
A Lotus é representada no país pela LTS Brasil, ligada ao grupo Bamaq, que também atua com concessionárias de marcas como Porsche, Mercedes-Benz e GWM. A importadora responde pela distribuição, vendas, pós-venda, peças e garantia dos carros da marca.
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Lotus custa a partir de R$ 795 mil
Embora o site da Lotus ainda não apresente uma estrutura brasileira completa com preços, a tabela da marca foi divulgada no lançamento comercial realizado em agosto. São três modelos e cinco versões, com valores entre R$ 795 mil e R$ 1,23 milhão.
O mais barato é justamente o Eletre, um SUV elétrico produzido em Wuhan, na China. O Eletre 600 Sport SE custa R$ 795 mil e entrega 612 cv, enquanto o Eletre 900, de 918 cv, foi anunciado por R$ 995 mil.
Também fabricado na China, o Emeya é um modelo elétrico de quatro portas com proposta de gran turismo. A versão 900, com 918 cv, custa R$ 975 mil. A previsão inicial da operação brasileira era importar apenas 12 unidades do modelo durante o primeiro ano.
Já o Emira representa a Lotus mais próxima daquela que construiu a fama da fabricante. O esportivo de motor central e tração traseira é produzido na Inglaterra e tem duas configurações anunciadas no Brasil. O Turbo SE, equipado com motor 2.0 turbo de origem AMG, entrega 406 cv e custa R$ 1,03 milhão. O V6 SE usa um 3.5 V6 com compressor mecânico, também com 406 cv, combinado a um câmbio manual de seis marchas. Seu preço é de R$ 1,23 milhão.

Marca que fez história na Fórmula 1
Fundada por Colin Chapman, a Lotus se tornou uma das marcas britânicas mais associadas aos carros esportivos e ao automobilismo. Na Fórmula 1, conquistou sete títulos mundiais de construtores e teve nomes como Jim Clark, Graham Hill, Jochen Rindt, Mario Andretti, Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna entre seus pilotos.
A ligação com o Brasil é especialmente forte. Fittipaldi conquistou seu primeiro título mundial em 1972 pilotando pela Lotus, enquanto Senna obteve pela equipe sua primeira vitória na Fórmula 1, no GP de Portugal de 1985.
Mas a Lotus que agora chega oficialmente ao mercado brasileiro é bastante diferente daquela fabricante inglesa conhecida por esportivos pequenos, leves e relativamente simples.

Após a morte de Chapman, em 1982, a empresa atravessou dificuldades e passou por diversos proprietários. A General Motors comprou a Lotus em 1986 e a vendeu em 1993. Depois de outra mudança de controle, a fabricante acabou nas mãos da malaia Proton em 1996.
Em 2017 ocorreu a transformação que ajuda a explicar sua gama atual. A chinesa Geely assumiu o controle da Lotus e passou a financiar uma expansão que levou a marca para segmentos nos quais nunca havia atuado, incluindo SUVs e grandes modelos elétricos.
A Geely é também a controladora da Volvo Cars, comprada da Ford em 2010. Lotus e Volvo são operações separadas, mas fazem parte do mesmo conglomerado chinês.
Essa mudança fica particularmente visível nos primeiros emplacamentos brasileiros. O Emira registrado em setembro ainda segue a receita histórica da Lotus e sai da fábrica inglesa de Hethel. Já o volume que apareceu em outubro veio exclusivamente do Eletre e do Emeya, modelos elétricos maiores e produzidos na China.

Operação brasileira ainda é pequena
A chegada oficial da Lotus ao Brasil havia sido anunciada em abril, quando a empresa confirmou a LTS Brasil como sua representante exclusiva. Na ocasião, ainda não havia definição pública de modelos e preços, mas a importadora prometia trazer ao país a linha da fabricante e seus futuros lançamentos.
A estrutura começou a tomar forma nos meses seguintes. Em agosto, representantes da operação afirmaram que cerca de 30 carros já importados estavam vendidos e reforçaram que a intenção não era buscar grandes volumes.
A marca começou sua presença física com São Paulo e Porto Feliz e tem planos de ampliar gradualmente a rede para outras cidades. Para 2027, a programação também inclui a chegada do Eletre X, versão híbrida plug-in do SUV que será vendida ao lado das configurações totalmente elétricas.

