Opala Diplomata de 45 anos está novo e vale o dobro de SUV 0 km
Sedã do primeiro ano de produção nunca foi restaurado e rodou pouco
O Chevrolet Opala Diplomata era tudo o que de mais luxuoso se podia comprar na década de 1980 e 1990, um pouco antes da chegada de seu sucessor Omega. Mesmo mais moderno, este não conseguiu obter tanto sucesso igual ao antecessor, que perdurou até 1992.O Diplomata das fotos é de 1980, ou seja, o primeiro ano de lançamento, e está com a mesma família de Caxias do Sul (RS) desde 0 km, que agora resolveu vendê-lo.
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“O nosso Diplomata na linda cor prata Diamantina pertenceu sempre à mesma família desde zero-quilômetro e tem só 35 mil km originais”, comenta Sizenando Braga Coutinho, da Garagem Brasil Antigos.
Segundo o empresário que está intermediando a venda, o sedã da GM nunca foi restaurado e ainda mantém até mesmo os pneus de época, o Pirelli Cinturato nas medidas 195/70R14.
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Aliás, estes pneus vinham montados de série nas belas rodas de alumínio que acrescentavam o charme da elegância e sofisticação, época em que os cromados prevaleciam por todos os detalhes da carroceria. O motor é o famoso 151S 2.5 de quatro cilindros, que trabalha em conjunto com a transmissão mecânica de quatro marchas para despejar 90 cv e 18 kgfm de torque. Nem é preciso falar que, no homenageado, o funcionamento é suave e preciso.
Ao entrar no Diplomata 1980, o que mais chama a atenção é o esmerado acabamento em veludo dos bancos e forrações de portas e painel completo com conta-giros, emoldurado pelos detalhes da imitação da madeira Jacarandá.
Com 4,74 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,38 m de altura e 2,66 m de entre-eixos, são suficientes para que cinco ocupantes desfrutem de todo o espaço muito bem aproveitado. O porta-malas de 430 litros perdia por pouco para o rival de luxo Alfa Romeo 2.300 Ti, com seus 436 l.
“Outro detalhe interessante do Diplomata é que ele já trazia diferenciais de conforto para a época, como ar-condicionado e direção hidráulica", revela Coutinho.
O exemplar da Garagem Brasil Antigos está sendo oferecido por R$ 250 mil, quantia suficiente para comprar duas unidades do Tracker 0 km. Mas ter na coleção um Opala Diplomata como este é, sem dúvida, um prazer que não tem preço!
1968: APRESENTAÇÃO OFICIAL DO OPALA

Imagem: Divulgação
Durante a abertura do VI Salão do Automóvel, realizado entre os dias 23 de novembro a 8 de dezembro de 1968, realizado no Palácio de Exposições do Anhembi, em São Paulo, o Opala, depois de dois anos de testes exaustivos, finalmente foi apresentado para os brasileiros. O carro realmente foi alvo da imprensa e de muitos curiosos. O Opala “dominava os olhares”, conforme noticiava a imprensa da época. Alcançou também o seu sucesso entre os convidados ilustres, especialmente o presidente Costa e Silva e o governador do Estado de São Paulo, Abreu Sodré.
O Opala tinha a mesma carroceria do Opel Rekord C (cuja marca de origem alemã era o braço direito da matriz General Motors Corporation), com algumas modificações nas partes dianteira e traseira, feitas ao gosto dos brasileiros pelos engenheiros da GM. Inicialmente, a linha 1969 foi oferecida ao público com apenas duas opções de acabamento: a Standard e de Luxo, ambas na opção de quatro portas e variações dos motores de 4 e 6 cilindros, ambas com quatro portas.
Eram conhecidos também como Opala 2500 e Opala 3800, respectivamente. A primeira versão vinha com motor de 153 pol³ (2.509 cm³) de 80 cv a 3.800 rpm. Já a outra recebia um de seis-em-linha, 230 pol³ (3.768 cm³) de 125 cv a 4.000 rpm. Para o projeto 676, os engenheiros da General Motors desenvolveram um sistema com tração traseira e suspensão independente nas quatro rodas com braços sobrepostos e posterior ao eixo, com molas helicoidais, construção esta que mais tarde seria conhecida como subchassi. Era o mesmo do Opel Rekord.
1970: OPALA SS

Imagem: Divulgação
A linha Opala ganhava mais um integrante com a chegada do almejado SS, em 1970. Além deste, a GM lançou o Opala Gran Luxo, que também recebia um motor de alta performance. Mas o SS foi o mais cobiçado na época. O motor 250 pol³ de 4,1 litros e 140 cv a 4.000 rpm era capaz de atingir a velocidade máxima de 170 km/h em apenas 12 segundos, graças à receita do aumento dos pistões para 89,7 mm, ante os 82,5 mm.
Por fora, o que mais chamava a atenção eram os adereços pretos e rodas esportivas de aro 14, calçando pneus 7,35 S. Além disso, o volante de madeira com três raios, com botão da buzina no centro, com a inscrição SS, contagiros no painel e relógio elétrico no console, câmbio de 4 marchas com alavanca no assoalho, rádio, desembaçador do para-brisa, diferencial com autobloqueante (batizado pela montadora de Tração Positiva), freios dianteiros a disco e estabilizador traseiro e bancos individuais faziam a diferença das demais opções. Opcionalmente, os proprietários podiam pedir rádio e ar-condicionado.
Em 1974, o carro recebe uma nova mudança em sua mecânica. O motor de quatro cilindros é chamado de 151 com 90 cv. Foi neste ano que a GM acumulava em seu currículo mais de 300 mil Opalas fabricados.
1975: REESTILIZAÇÃO E A CHEGADA DA CARAVAN

Imagem: Divulgação
A linha 1975 recebia uma nova frente e traseira, de estilo mais atualizado, capô com vincos acentuados, setas localizadas agora nas extremidades dos para-lamas dianteiros, nova grade e lanternas redondas duplas, de estilo semelhante às do Corvette.
A versão Station Wagon do Opala também estreava a linha 1975. Denominada de Caravan, a perua só tinha a opção de três portas, além dos motores de 4 e 6 cilindros do sedã e do cupê.
Um ano após, a GM do Brasil lançava o Cupê 250S, um verdadeiro esportivo que satisfazia grande parte dos clientes exigentes e de personalidade forte. Motor de 6 cilindros alimentado por um carburador de corpo duplo e comando de válvulas trabalhado passava a contar com 153 cv. O tempo de aceleração de 0 a 100 baixava para 10 s.
Dois anos depois, a perua Caravan ganhava a versão SS, contando com o mesmo motor de 6 cilindros da versão cupê. Fora isso, apenas alguns detalhes fizeram as diferenças da linha.
1980: DIPLOMATA E REESTILIZAÇÃO NO OPALA

Imagem: Divulgação
Em 1980, é lançado o Diplomata com motor 250 S do Opala 4.1/S, topo de linha, que ganhava um novo desenho, um melhor acabamento, além de outros equipamentos de série com direção servo-assistida e ar-condicionado. Junto à estreia da sofisticada Diplomata, a linha era marcada com uma reestilização de todos os modelos da família Opala.
Na perua Caravan, a grande modificação era notada pelas lanternas de formato trapezoidal. A frente recebia faróis retangulares, grade mais atual e limpa, além de um capô mais acentuado. Os para-choques, por sua vez, tornavam-se maiores e ganhavam uma faixa de borracha, sendo que, na versão SS, estes eram pintados na cor da carroceria.
No ano de 1983, o câmbio de cinco marchas era disponibilizado para o carro da GM, porém a grande mudança viria em 1985, quando o Opala perdia o estilo “comportado”, passando a ter mais personalidade. Por dentro, novos grafismos no painel de instrumentos e botões de acionamento dos retrovisores e vidros.
1988: MUDANÇAS NA LINHA DE FRENTE

Imagem: Divulgação
Em 1988, o Opala ganhava novas atualizações com novos faróis em formato trapezoidal, acompanhando o desenho da grade, que agora ficava menor, volante de três raios com regulagem em altura de sete posições, aviso sonoro dos faróis ligados, vidros e luzes com temporizador, itens de série nos Diplomata e opcionais nas versões mais simples. As versões eram agora: Opala e Caravan SL, Comodoro SL/E e Diplomata SE, além do Opala L, restrito a frotas de órgãos públicos.
Neste ano, o motor 250S de seis cilindros a gasolina era disponibilizado apenas sob encomenda, sendo substituído por um modelo alemão, além do câmbio automático de quatro marchas e bloqueio do conversor de torque. Ainda em 1988, o modelo cupê era descontinuado da linha de produção.
Em 1990, último ano com esta carroceria, a linha recebia o mesmo motor de 4,1 litros, porém com potência e menores emissões, graças aos pistões de mais leveza que usavam bielas mais compridas, as mesmas dos 4 cilindros, resultando em forças laterais menores, agindo sobre os pistões. Conseqüentemente, carburador e coletores de admissão passavam por mudanças para adequar a nova “receita” de preparação. Assim, a potência alterava-se de 135 cv para 141 cv nos motores a álcool e de 118 cv para 121 cv para os a gasolina.
1991: ÚLTIMO SUSPIRO DO OPALA

Imagem: Divulgação
O Opala estreava a linha 1991 com uma “roupagem nova”, com para-choques envolventes e janelas sem quebra-vento, rodas de aro 15, pneus calçando pneus 195/65. No conjunto mecânico, freios a disco nas quatro rodas e direção hidráulica Servotroni, de controle eletrônico, faziam parte da nova edição.
Com um milhão de unidades acumuladas em seus 23 anos de existência, o mito Opala se despedia da sua linha de montagem em São José dos Campos em 1992, mais precisamente no dia 16 de abril de 1992, sendo que o último deles foi um Opala Diplomata com transmissão automática e uma Caravan ambulância.
Para encerrar a linhagem, a GM lançou a série especial Collector ou colecionador, com apenas 200 unidades fabricadas, segundo estimativas. Junto da novidade, o comprador recebia uma fita de vídeo com a trajetória do veículo, mais um certificado e uma chave banhada a ouro.
Ao longo de seus 23 anos e 5 meses de produção contínua, passou por diversos aprimoramentos mecânicos e modificações estéticas, mas sempre mantendo a mesma robustez, valentia e, principalmente, o charme de suas linhas, as quais praticamente foram intocadas. Essa era a receita de um nome mágico, tal como o seu projeto, que, durante sua produção, conseguiu a marca de nada menos do que um milhão de unidades fabricadas entre 1968 e 1992, tornando-se um líder de vendas no segmento.
