Opala SS4 Amarelo Caju de 52 anos e 'cara preta' tem preço que assusta; saiba quanto vale

Lançado em 1974, o clássico da GM chegou junto com o impacto mundial da crise do petróleo
Chevrolet Opala SS4

Chevrolet Opala SS4 | Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

Lançado em 1968, o Opala foi o primeiro carro de passeio da história da Chevrolet no Brasil e, tão logo, tornou-se o mais novo sonho de consumo do brasileiro. Sua produção foi encerrada em 1992, acumulando em seus 23 anos de trajetória e um milhão de unidades produzidas, tornando-se um dos clássicos mais idolatrados.

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Com tantas variações, um dos Opalas mais valorizados talvez seja o famoso ‘cara preta’, apelido dado por conta da pintura preta fosca aplicada originalmente no capô e nas saias do clássico SS4. O visual arrebatador foi inspirado no rali herdado das pistas e marcou a linha 1974, igual a deste magnífico exemplar Amarelo Caju.

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Raridade

Chevrolet Opala SS4
Chevrolet Opala SS4 com raros detalhes originais, entre os quais o emblema "SS4" e a traseira pintada de preto fosco
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

Este SS4 1974 também teve um papel importante na trajetória do Opala no Brasil, pois foi o primeiro ano em que a GM ofereceu a versão esportiva SS com motor de 4 cilindros (daí o nome SS4). Vale lembrar que, até 1973, os esportivos SS só saíam de fábrica com motores de 6 cilindros (SS6). 

Dessa forma, entrava em cena o motor 151-S de 4 cilindros em linha, com 2.5 litros (2.474 cm³) de cilindrada, gerando 98 cv de potência máxima a 4.800 rpm e um torque de 19,8 kgfm a 2.600 rpm.

Foi uma época decisiva diante do encarecimento drástico dos combustíveis, por causa da crise do petróleo mundial. Diante disso, usando de truque a aparência esportiva dos SS6 de seis cilindros (4.1L) para um motor de quatro cilindros (2.5L), o cupê ainda encanta pela sua singularidade. 

Simbolizando a adaptação da indústria nacional frente aos desafios econômicos da época, hoje o Opala SS4 é um item altamente colecionável e valorizado. A prova é de que essa unidade Amarelo Caju foi arrematada por nada mais do que R$ 240 mil, valor suficiente para comprar um Jeep Compass Série S T270 com opcionais.

Chevrolet Opala SS4
Chevrolet Opala SS4 tem volante de três raios, contagiros e bancos revestidos de couro nesta versão esportiva
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

Segundo Alex Fabiano, da GG World Premium Classic Cars, o SS4 foi totalmente restaurado e conta com pneus diagonais de época, respeitando todos os padrões de fábrica. O tom da carroceria, contrastando com o preto fosco, é um charme à parte e, como dito antes, remete às provas de rali. A técnica neutralizava o reflexo do sol e, desse modo, impedia de cegar o motorista.

Os bancos foram revestidos com o mesmo material padronizado da época, ou seja, courvin, que acompanha os painéis de porta e laterais, combinando com o mesmo acabamento interno da versão esportiva. 

O painel é completo e traz todo o aparato necessário, a exemplo do conta-giros, ao lado do velocímetro. Bem ao centro, indicador do nível de combustível e de temperatura do motor, além das luzes espia (óleo, bateria, farol alto e setas), reforçam a instrumentação farta da época. 

“Trata-se de um espetacular e raro Opala SS4, ano 1974, o famoso ‘Cara Preta’, em raríssimo estado de conservação e restaurado em altíssimo nível, que foi para a coleção de um colecionador com alto nível de exigência”, revelou GG. 

1968: APRESENTAÇÃO OFICIAL DO OPALA

Chevrolet Opala
Chevrolet Opala no lançamento realizado no Rio de Janeiro, da primeira versão produzida no Brasil
Imagem: Divulgação

Durante a abertura do VI Salão do Automóvel, realizado entre os dias 23 de novembro e 8 de dezembro de 1968, no Palácio de Exposições do Anhembi, em São Paulo, o Opala, depois de dois anos de testes exaustivos, finalmente foi apresentado para os brasileiros. O carro realmente foi alvo da imprensa e de muitos curiosos. O Opala “dominava os olhares”, conforme noticiava a imprensa da época. Alcançou também o seu sucesso entre os convidados ilustres, especialmente o presidente Costa e Silva e o governador do Estado de São Paulo, Abreu Sodré.

O Opala tinha a mesma carroceria do Opel Rekord C, tendo algumas modificações nas partes dianteira e traseira, feitas ao gosto dos brasileiros pelos engenheiros da GM. Inicialmente, a linha 1969 foi oferecida ao público com apenas duas opções de acabamento: a Standard e a de Luxo, ambas com quatro portas e disponíveis com variações dos motores de 4 (2500) e 6 cilindros (3800).

A primeira versão trazia o motor de 153 pol³ (2.509 cm³) de 80 cv a 3.800 rpm. Já a outra recebia um de seis em linha, 230 pol³ (3.768 cm³) de 125 cv a 4.000 rpm. Para o projeto 676, os engenheiros da General Motors desenvolveram um sistema de tração traseira e suspensão independente nas quatro rodas, dotadas de braços sobrepostos e posteriores ao eixo, com molas helicoidais. Era o mesmo do Opel Rekord.

1970: OPALA SS

Chevrolet Opala SS
Chevrolet Opala SS: versão esportiva também pode vir com motor 250S, de seis cilindros e carburação dupla
Imagem: Divulgação

A linha Opala ganhava mais um integrante com a chegada do almejado SS, em 1970. Além deste, a GM lançou o Opala Gran Luxo, que também recebia um motor de alta performance. Mas o SS foi o mais cobiçado na época. O motor 250 pol³ de 4,1 litros e 140 cv a 4.000 rpm era capaz de atingir a velocidade máxima de 170 km/h em apenas 12 segundos, graças à receita do aumento dos pistões para 89,7 mm, ante os 82,5 mm.

Por fora, o que mais chamava a atenção eram os adereços pretos e rodas esportivas de aro 14, calçando pneus 7,35 S. Além disso, o volante de madeira com três raios, com botão da buzina no centro, com a inscrição SS, contagiros no painel e relógio elétrico no console, câmbio de 4 marchas com alavanca no assoalho, rádio, desembaçador do para-brisa, diferencial com autobloqueante (batizado pela montadora de Tração Positiva), freios dianteiros a disco e estabilizador traseiro e bancos individuais faziam a diferença das demais opções.  Opcionalmente, os proprietários podiam pedir rádio e ar-condicionado.

Em 1974, o carro recebe uma nova mudança em sua mecânica. O motor de quatro cilindros é chamado de 151, com 90 cv. Foi neste ano que a GM acumulava em seu currículo mais de 300 mil Opalas fabricados.

1975: REESTILIZAÇÃO E A CHEGADA DA CARAVAN

Chevrolet Caravan
Chevrolet Caravan apareceu na linha 1975 como a perua espaçosa e confortável da linha GM da época
Imagem: Divulgação

A linha 1975 recebia uma nova frente e traseira, de estilo mais atualizado, capô com vincos acentuados, setas localizadas agora nas extremidades dos para-lamas dianteiros, nova grade e lanternas redondas duplas, de estilo semelhante às do Corvette.

A versão Station Wagon do Opala também estreava a linha 1975. Denominada de Caravan, a perua só tinha a opção de três portas, além dos motores de 4 e 6 cilindros do sedã e do cupê.

Um ano após, a GM do Brasil lançava o Cupê 250S, um verdadeiro esportivo que satisfazia grande parte dos clientes exigentes e de personalidade forte. Motor de 6 cilindros, alimentado por um carburador de corpo duplo e comando de válvulas trabalhado, passava a contar com 153 cv. O tempo de aceleração de 0 a 100 baixava para 10 s.

Dois anos depois, a perua Caravan ganhava a versão SS, contando com o mesmo motor de 6 cilindros da versão cupê. Fora isso, apenas alguns detalhes fizeram as diferenças da linha. 

1980: DIPLOMATA E REESTILIZAÇÃO NO OPALA

Chevrolet Opala Diplomata
Chevrolet Opala Diplomata de 1980 logo se tornou um dos carros preferidos de altos executivos e empresários
Imagem: Divulgação

Em 1980, é lançado o Diplomata com motor 250 S do Opala 4.1/S, topo de linha, que ganhava um novo desenho, um melhor acabamento, além de outros equipamentos de série com direção servo-assistida e ar-condicionado.  Junto à estreia da sofisticada Diplomata, a linha era marcada com uma reestilização de todos os modelos da família Opala. Na perua Caravan, a grande modificação era notada pelas lanternas de formato trapezoidal. À frente recebia faróis retangulares, grade mais atual e limpa, além de um capô mais acentuado. Os para-choques, por sua vez, tornavam-se maiores e ganhavam uma faixa de borracha, sendo que, na versão SS, estes eram pintados na cor da carroceria.

No ano de 1983, o câmbio de cinco marchas era disponibilizado para o carro da GM, porém a grande mudança viria em 1985, quando o Opala perdia o estilo “comportado”, passando a ter mais personalidade. Por dentro, novos grafismos no painel de instrumentos e botões de acionamento dos retrovisores e vidros.

1988: MUDANÇAS NA LINHA DE FRENTE

Chevrolet Opala
Chevrolet Opala ganhou mudanças visuais na linha de 1988, quando também recebeu novos equipamentos
Imagem: Divulgação

Em 1988, o Opala ganhou novas atualizações com faróis em formato trapezoidal, acompanhando o desenho da grade. Além disso, recebeu volante de três raios com regulagem em altura de sete posições, aviso sonoro dos faróis ligados, vidros e luzes com temporizador, itens de série nos Diplomata e opcionais nas versões mais simples. As versões eram agora: Opala e Caravan SL, Comodoro SL/E e Diplomata SE, além do Opala L, restrito a frotas de órgãos públicos.

Neste ano, o motor 250S de seis cilindros a gasolina era disponibilizado apenas sob encomenda, sendo substituído por um modelo alemão, além do câmbio automático de quatro marchas e bloqueio do conversor de torque. Ainda em 1988, o modelo cupê era descontinuado da linha de produção.

Em 1990, último ano com esta carroceria, a linha recebia o mesmo motor de 4,1 litros, mas com menores emissões,. A explicação vinha dos pistões mais leves que usavam bielas mais compridas, as mesmas dos 4 cilindros, resultando em forças laterais menores, agindo sobre os pistões. Consequentemente, carburador e coletores de admissão passavam por mudanças para adequar a nova “receita” de preparação. Assim, a potência alterava-se de 135 cv para 141 cv nos motores a álcool e de 118 cv para 121 cv para os a gasolina.

1991: REESTILIZAÇÃO E O ÚLTIMO SUSPIRO DO OPALA

Chevrolet Diplomata
Chevrolet Diplomata da última leva produzida em São Caetano do Sul (SP), com direção Servotronic 
Imagem: Divulgação

O Opala estreava a linha 1991 com uma “roupagem nova”, com para-choques envolventes e janelas sem quebra-vento, rodas de aro 15, pneus calçando pneus 195/65. No conjunto mecânico, freios a disco nas quatro rodas e direção hidráulica Servotronic, de controle eletrônico, faziam parte da nova edição.

Com um milhão de unidades acumuladas em seus 23 anos de existência, o mito Opala se despedia da sua linha de montagem em São José dos Campos em 1992, mais precisamente no dia 16 de abril de 1992, sendo que o último deles foi um Opala Diplomata com transmissão automática e uma Caravan ambulância. Para encerrar a linhagem, a GM lançou a série especial Collector ou colecionador, com apenas 200 unidades fabricadas, segundo estimativas. Junto da novidade, o comprador recebia uma fita de vídeo com a trajetória do veículo, mais um certificado e uma chave banhada a ouro.

Ao longo de seus 23 anos e 5 meses de produção contínua, passou por diversos aprimoramentos mecânicos e modificações estéticas, mas sempre mantendo a mesma robustez, valentia e, principalmente, o charme de suas linhas, as quais praticamente foram intocadas. Essa era a receita de um nome mágico, tal como o seu projeto, que, durante sua produção, conseguiu a marca de nada menos do que um milhão de unidades fabricadas entre 1968 e 1992, tornando-se um líder de vendas no segmento.

 

 

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.