Venda de carros e comerciais leves pode crescer 15% em 2021, estima Fenabrave

Entidades como a Fenabrave e Fenauto apresentam números consolidados de 2020
Perspectivas sinalizam recuperação do mercado em 2021

Perspectivas sinalizam recuperação do mercado em 2021 | Imagem: Reprodução internet

Apesar do susto inicial, até que 2020 terminou de forma um pouco mais animadora para o setor automotivo. Ao longo desta semana, as principais entidades do segmento estão liberando os números consolidados do mercado em 2020 e traçando as estimativas para este ano.

Segundo a Fenabrave, que congrega os concessionários de carros, motos, caminhões e demais veículos, a expectativa é que o mercado cresça 16,6% em 2021 considerando todos os segmentos da indústria veicular. Isolando os automóveis e comerciais leves, a previsão da Fenabrave é um ganho de 15,8% sobre o volume registrado em 2020.

Esperamos poder recuperar aos poucos o mercado, mas ainda há incertezas e fatos que podem repercutir nas nossas projeções”, analisa Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave. A entidade estima um crescimento do PIB brasileiro da ordem de 3,5% em 2021. 

No acumulado de 2020, o mercado brasileiro somou 3.162.851 unidades comercializadas contra 4.036.046 registradas em 2019, portanto uma queda de 21,6%. A Fenabrave tinha uma perspectiva de retração de 35,8% do mercado em 2020, contudo a previsão foi revisada algumas vezes até chegar, em outubro do ano passado, a uma estimativa de baixa de 25,3% para o mercado como um todo. A boa notícia é que ao menos o ano acabou sendo um pouco melhor do que o esperado pelos concessionários.  

Os principais fatores que influenciaram nessa melhora, principalmente a partir do segundo semestre, foram a manutenção da taxa de juros em um patamar baixo e o Auxílio Emergencial, oferecido pelo Governo Federal, que colaboraram para o aquecimento do comércio e para a baixa inadimplência”, pondera o presidente da Fenabrave. “O mercado só não foi melhor em função da crise enfrentada pelas montadoras, que tiveram problemas com falta de peças e componentes, além das regras para manter o distanciamento social nas unidades fabris”, completa. 

As vendas de automóveis e comerciais leves cresceram 8,6% em dezembro de 2020, totalizando 232.814 unidades licenciadas, contra as 214.260 unidades emplacadas em novembro do ano passado. Já com relação a dezembro de 2019, quando foram comercializadas 251.775 unidades, houve queda de 7,5%. No acumulado de 2020, foram emplacadas 1.950.889 unidades contra 2.658.692 no ano anterior, redução de 26,6%. 

Apesar de o último trimestre de 2020 ter sido positivo e ter demonstrado uma forte reação dos dois segmentos, essa recuperação não foi suficiente para superar os resultados do último trimestre de 2019. Isso se deve, entre outros fatores, à falta de disponibilidade de automóveis e comerciais leves no mercado, causada pelo reflexo da pandemia, que retraiu a produção na indústria. Vale ressaltar que a oferta de crédito para os segmentos continua abundante e a demanda permanece aquecida”, analisa Alarico Assumpção Júnior. 

Carros usados 

No segmento de carros usados e seminovos, o impacto da pandemia ao longo de 2020 foi sentido de uma forma bem menos impactante em relação aos carros novos. 

De acordo com a Fenauto, Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores, o total acumulado do ano para esse setor do comércio ficou negativo em 12,1%, um resultado bem inferior às estimativas iniciais feitas no começo da pandemia, que previam perdas maiores. 

Fazendo um balanço geral, considerando todas as dificuldades causadas pela pandemia, como o isolamento social, fechamento do comércio e paralisação dos Detrans, ficou provado que nosso setor reagiu rápido e satisfatoriamente. Embora o resultado anual não tenha ficado dentro das expectativas do começo de 2020, o desempenho do segmento, a nosso ver, foi muito satisfatório. Esperamos continuar com esses dados positivos nos próximos meses em função dos novos hábitos e comportamentos dos consumidores”, revela Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto. 

De acordo com o relatório recente da entidade, o volume de negociações em dezembro de 2020 foi 13,1% maior que o registrado em novembro, com 1.597.052 veículos comercializados, um total 23,6% maior do que o mesmo mês de 2019. 

Ainda segundo a Fenauto, em dezembro de 2020 o volume de transferências diárias alcançou pico de 72.593 unidades, números vistos em períodos de pré-pandemia no país.

Fernando Calmon analisa a intervenção do Estado em questões econômicas e viárias
Mais carros poderiam ter chegado às ruas no fim de 2020 se não fosse por problemas de abastecimento das indústrias
Imagem: Reprodução internet