SpaceFox: perua custa pouco e tem bom espaço, mas não escapa de reclamações; veja as principais
Modelo da Volkswagen derivado do Fox vinha importado da Argentina com poucos rivais no mercado brasileiro
Espaçosa, prática e com cara de carro de família, a Volkswagen SpaceFox conquistou muita gente que queria levar a turma e a bagagem sem partir para uma minivan. Lançada em 2006, ela nasceu da plataforma do Fox, mas ganhou 37,6 cm a mais de carroceria para abrir espaço para passageiros e porta-malas.
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Debaixo do capô, o motor 1.6 8V flex da família EA111, com 101 cv na gasolina e 103 cv no etanol. Com o tempo, a SpaceFox virou a herdeira da Parati na linha da marca e ficou à venda até o modelo 2019.
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Hoje, ela é figurinha carimbada nos classificados de usados. Os preços vão de R$ 25.858 (2006) a R$ 56.905 (2018). O valor médio do modelo até subiu 0,7% em 12 meses, sinal de que a procura segue firme. As versões com câmbio automatizado I-Motion costumam valer menos que as manuais. Uma Sportline 2013 I-Motion aparece por R$ 40.077, contra R$ 42.463 da Sportline manual do mesmo ano.
E não é à toa. A reportagem do Autoo foi atrás do que os donos da SpaceFox mais reclamam em sites de defesa do consumidor, como o Reclame Aqui, e reuniu os três problemas que mais aparecem. Para cada um, separamos três relatos e o que a Volkswagen respondeu.
Reclamações dos donos de Volkswagen Spacefox
- Câmbio automatizado I-Motion

VW SpaceFox tem o mesmo painel do Fox e conta com mostrador digital no painel entre os itens de série
Imagem: Divulgação
Se existe um vilão na história da SpaceFox, ele atende pelo nome de I-Motion. É um câmbio manual comum, com embreagem convencional (platô, disco e rolamento). A diferença é que quem pisa na embreagem e troca as marchas é um sistema eletro-hidráulico, desenvolvido pela VW, ele livra o motorista do pedal da esquerda, mas tem fama de dar trancos e de cobrar caro quando quebra.
Uma consumidora relatou que sua SpaceFox parou quatro vezes em um ano por problemas no câmbio. Segundo ela, cada conserto saiu, em média, por R$ 3 mil, e só o motor elétrico da bomba custava R$ 1.500. Com parcelas de R$ 1.228 para pagar, ela disse não ter mais como bancar um carro que, na avaliação dela, tinha defeito de fábrica.
O que diz a Volkswagen: em resposta publicada, a montadora afirmou que, em contato telefônico, foi informada de que o problema havia sido resolvido em uma oficina particular. Por isso, disse que não poderia se responsabilizar por reparos feitos fora da rede autorizada. A consumidora encerrou o caso como não resolvido e deu nota 1 ao atendimento.
Outra motorista contou que comprou uma SpaceFox I-Motion e o carro perdia velocidade sozinho, caindo de 60 km/h para 10 km/h. Em um dos episódios, na Marginal, a perua despencou de 100 km/h para 26 km/h, e um caminhão por pouco não conseguiu desviar. Meses depois, o carro parou de vez.
Ela relatou ainda que a central da Volks disse que ela não teria direito a guincho. A concessionária chegou a falar em mau uso e o orçamento final, com três peças, passava de R$ 11 mil, mais de um quinto do valor do carro.
A marca agradeceu as informações e afirmou que iria verificar o ocorrido e resolver a situação com máxima urgência.
Um dono de SpaceFox Sportline relatou que o câmbio superaqueceu justamente na viagem de aniversário do filho de 10 anos. Disse também que, mesmo ouvindo falar mal do câmbio, apostou que não aconteceria com ele. O carro foi parar na concessionária, e ele pediu conserto rápido e ressarcimento dos prejuízos.
A reclamação consta como não resolvida.
- Motor 1.6 EA111: lubrificação e partida

Volkswagen SpaceFox tem no porta-malas de 430 litros de capacidade um dos pontos positivos
Imagem: Divulgação
O motor 1.6 EA111 é simples de manter, mas aparece com frequência nas queixas. O relato mais comum é de luz do óleo acendendo e de desgaste no cabeçote e no comando de válvulas, peça que controla a abertura das válvulas do motor. Esse desgaste leva a retíficas caras.
Um consumidor que comprou uma SpaceFox de segunda mão contou que sempre foi fã da marca, mas que o carro virou a maior decepção da vida dele. Segundo o relato, mesmo com todos os cuidados, o motor acumulava borra de óleo e precisou de retífica, além de deixá-lo na mão na estrada. Ele afirma que Gol, Saveiro, Voyage, Fox e SpaceFox com esse motor viraram “uma mina de dinheiro” para retificadoras.
A montadora respondeu que seus carros são vendidos com três anos de garantia total. Nesse período, se compromete a reparar sem custo falhas de produto, material ou montagem, desde que o plano de manutenções tenha sido cumprido. O consumidor avaliou o caso como não resolvido, deu nota 1 e falou em descaso.
Uma dona de SpaceFox relatou que seu carro passou a falhar na partida. De manhã ele ligava normalmente. Depois de rodar e ficar estacionado, só voltava a funcionar após cerca de 30 minutos de espera. O motor de arranque foi trocado por uma peça original, e o defeito voltou mesmo assim.
O caso terminou marcado como resolvido pela própria consumidora, que afirmou que a plataforma de reclamação ajudou na solução.
Ainda sobre o motor EA111 que equioa a SpaceFox, um dono em um dos relatos mais recentes, publicado no início de 2026 diz que precisa refazer a parte mecânica a cada dois anos, com gasto na casa de R$ 17 mil. Segundo ele, o motor sempre apresenta falha de lubrificação no comando de válvulas.
A marca respondeu que o carro foi comprado em 2014, com garantia até 2017. Após esse prazo, citando o artigo 26 do Código de Defesa do Consumidor, afirmou que não há obrigação de reparo gratuito por parte do fabricante.
- Recall de airbag, falta de peça e documento travado

Volkswagen SpaceFox foi incluída no recall do airbag, mas a rede não está conseguindo atender a todos, dizem os donos
Imagem: Divulgação
A família Fox entrou em várias campanhas ligadas ao gerador de gás do airbag, a pecinha que infla a bolsa numa batida. Em julho de 2026, a VW convocou as SpaceFox ano-modelo 2016 a 2018 para inspecionar e, se preciso, trocar o gerador do airbag do passageiro. A peça pode se romper e lançar fragmentos metálicos na cabine. O serviço é gratuito e leva até duas horas.
O problema, segundo os donos, está no caminho até a oficina, concessionária sem peça, fila de espera e, no fim, pendência no documento do carro.
Um dono de SpaceFox foi notificado do recall do gerador de gás do airbag. Ele relatou que ligava havia cerca de três semanas para a concessionária e ouvia sempre a mesma resposta, não havia peça nem previsão de chegada. Ele lembrou que o próprio aviso do recall fala em risco de ferimentos graves ou fatais.
A marca informou que conversou com o cliente por telefone e que a campanha havia começado em 12 de junho. Disse ainda que, após a reclamação, identificou que a autorizada tinha a peça, e o recall foi agendado para 8 de agosto. O consumidor confirmou que só conseguiu marcar a troca depois de reclamar e encerrou o caso como resolvido.
Uma proprietária de SpaceFox contou em setembro de 2026 que não conseguia emitir o CRLV 2026, mesmo com IPVA e licenciamento pagos. O motivo era que o sistema seguia apontando um recall pendente que, segundo ela, já tinha sido feito no início do ano na concessionária. A revenda disse ter feito sua parte e mandou que ela tratasse com a fábrica, mas o 0800 não atendia.
A montadora confirmou que o recall foi realizado em 06/03/2026 e afirmou que, após cada atendimento, envia as informações ao sistema do Governo Federal. Disse ainda que a baixa já havia sido processada corretamente pelos órgãos competentes. O caso consta como resolvido.
Outro dono recebeu a carta da Senatran sobre o recall. Ao procurar as concessionárias, foi colocado numa lista de espera com mais de 60 nomes, sem previsão, por falta de peça.
A marca respondeu que o atendimento foi agendado. Afirmou também que garante a oferta de peças, citando o artigo 32 do Código de Defesa do Consumidor, e que a baixa no sistema da Senatran leva até 30 dias após o serviço. O consumidor resumiu que a empresa só se mexeu depois da reclamação no site.
