Tesla Cybertruck levou quatro anos para chegar às ruas e pode sair de linha em 2027
Picape elétrica ficou muito abaixo das 250 mil unidades anuais projetadas por Elon Musk e perderá espaço na fábrica do Texas para o Cybercab
A Tesla Cybertruck passou quatro anos entre sua apresentação e a chegada às ruas, mas pode permanecer em produção por menos tempo que isso. Elon Musk anunciou que a fabricação da picape elétrica será encerrada na Gigafactory Texas por volta de meados de 2027 para abrir espaço para o Cybercab.
Se o cronograma for cumprido, serão aproximadamente três anos e meio entre as primeiras entregas, realizadas no fim de 2023, e a retirada da Cybertruck da linha de montagem. O modelo havia sido apresentado ainda em novembro de 2019.
Musk descreveu a decisão como o "fim de uma era". A Tesla, porém, não esclareceu se pretende transferir a Cybertruck para outra fábrica ou se o encerramento no Texas significará definitivamente o fim do modelo.
A segunda hipótese parece a mais provável. A unidade de Austin é a única fábrica conhecida da Tesla equipada para produzir os componentes específicos da Cybertruck, incluindo sua incomum carroceria de aço inoxidável.

250 mil por ano ficaram muito distantes
Quando as primeiras unidades começaram a ser entregues, Musk projetava que a Cybertruck poderia alcançar uma produção de cerca de 250 mil unidades por ano. A própria estrutura industrial montada pela Tesla antecipava uma expectativa bastante maior que o volume efetivamente alcançado.
No início de 2025, a fabricante declarava capacidade instalada superior a 125 mil Cybertrucks por ano no Texas.
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Nem mesmo no melhor momento a picape chegou perto disso. Estimativas da Kelley Blue Book apontam 38.965 unidades comercializadas nos Estados Unidos em 2024, primeiro ano completo no mercado.
Em 2025, o volume caiu quase pela metade, para 20.237 unidades. A retração continuou em 2026. A Tesla não divulga individualmente as entregas da Cybertruck, por isso os números por modelo são estimativas de mercado.

A diferença entre expectativa e realidade é ainda maior quando lembrada a recepção inicial da picape. Poucos dias depois da apresentação de 2019, Musk dizia que a Tesla havia recebido 250 mil reservas.
Era necessário depositar apenas US$ 100, com possibilidade de reembolso, portanto aquelas reservas nunca representaram 250 mil vendas garantidas.
Promessas mudaram pelo caminho
A Cybertruck apresentada em 2019 também era bastante diferente, em preço e autonomia, daquela que finalmente chegou aos consumidores.
A Tesla anunciou inicialmente uma versão de entrada por US$ 39.900 e prometeu até 500 milhas (805 km) de autonomia na configuração de maior alcance.
Quando as entregas começaram, em novembro de 2023, o preço básico anunciado já havia subido para US$ 60.990 e nenhuma versão alcançava as 500 milhas prometidas originalmente.

A Tesla continuou mexendo na linha e nos preços nos anos seguintes. Em fevereiro de 2026, chegou a oferecer uma Cybertruck de dois motores por US$ 59.990. O valor subiu posteriormente e, curiosamente, a fabricante voltou a aumentar os preços apenas um dia antes de Musk anunciar o encerramento da produção no Texas.
Atualmente, a configuração mais barata aparece por US$ 82.490, seguida por uma versão de US$ 92.490 e pela Cyberbeast de US$ 102.490.
Cybercab fica com o espaço
Musk não citou o baixo volume de vendas como motivo para abandonar a linha da Cybertruck. Segundo o executivo, a Tesla precisa do espaço na Gigafactory Texas para aumentar a produção do Cybercab.
O veículo elétrico de dois lugares foi desenvolvido especificamente para funcionar como robotáxi e não possui volante ou pedais. A Tesla começou a utilizá-lo em viagens pagas em Austin em setembro deste ano, embora a operação ainda esteja em escala limitada e sob escrutínio regulatório nos Estados Unidos.
A mudança também mostra como as prioridades da Tesla estão se afastando de alguns de seus automóveis tradicionais. Model S e Model X tiveram a produção encerrada neste ano, com parte do espaço industrial destinado ao robô humanoide Optimus.
Agora ocorre algo semelhante no Texas: a Cybertruck cede lugar a um produto ligado à estratégia de direção autônoma da empresa.
Até o engenheiro-chefe da picape, Wes Morrill, tratou o projeto como um capítulo encerrado ao comentar o anúncio. Segundo ele, a Cybertruck funcionou como uma plataforma de desenvolvimento tecnológico e parte do que foi aprendido com ela seguirá no Cybercab.

Cybertruck teve vida atribulada
A curta trajetória da picape contrasta com o tempo necessário para colocá-la nas ruas. Quando revelou a Cybertruck em novembro de 2019, a Tesla previa começar a produção no fim de 2021.
O cronograma escorregou primeiro para 2022 e depois para 2023. A primeira unidade de pré-produção saiu da fábrica texana em julho daquele ano, e as entregas começaram somente em 30 de novembro.
A Cybertruck também acumulou 11 recalls desde então nos Estados Unidos. Os problemas foram de correções feitas remotamente por software a defeitos que exigiram intervenção física, como uma cobertura do pedal do acelerador que poderia se soltar e ficar presa.

Seu formato também limitou a expansão internacional. A picape não chegou a ser comercializada regularmente na Europa, onde suas dimensões, peso e características da carroceria criaram dificuldades para atender às exigências locais.
Assim, um dos projetos mais ambiciosos da história recente da Tesla pode terminar com uma trajetória incomum: apresentado em 2019, atrasado até 2023 e retirado da fábrica que foi preparada especialmente para produzi-lo em 2027.
