Vendas de carros eletrificados mais que dobram em um ano; confira os que estão puxando a fila

Com mais modelos, infraestrutura de recarga e custos menores de uso, elétricos e híbridos registram o melhor desempenho
Veículo elétrico

Veículo elétrico | Imagem: Divulgação

Se você sente que está vendo cada vez mais carros elétricos e híbridos circulando por aí, pode confiar no que os olhos estão dizendo. O Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com um recorde, de cada 100 veículos leves vendidos no país,16 já saem de fábrica com algum tipo de motorização eletrificada. E o mês de junho foi ainda melhor, com 18 a cada 100 carros emplacados entrando nessa categoria.

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Há um ano, em junho de 2025, esse percentual era de apenas 8%. Ou seja, a fatia de mercado dos eletrificados mais que dobrou em doze meses, um sinal de que o consumidor brasileiro está mudando de ideia (e de carro) de forma mais rápida que muita gente esperava.

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Como foram os números 

No acumulado de janeiro a junho, foram 215.023 unidades eletrificadas emplacadas, alta de 125% frente ao mesmo período de 2025, quando o total somou 95.493 veículos. Só em junho, o mercado bateu novo recorde mensal, com 47.579 emplacamentos, crescimento de 206,5% sobre junho do ano passado.

Para se ter uma ideia, o mercado automotivo como um todo cresceu 20% no semestre. Os eletrificados, por sua vez, avançaram seis vezes mais rápido que a média geral do setor.

  • Junho/25: 7,7%
  • Julho/25: 8,3%
  • Agosto/25: 9,4%
  • Setembro/25: 9,2%
  • Outubro/25: 8,6%
  • Novembro/25: 9,3%
  • Dezembro/25: 12,7%
  • Janeiro/26: 14,6%
  • Fevereiro/26: 14,1%
  • Março/26: 13,7%
  • Abril/26: 16,2%
  • Maio/26: 17%
  • Junho/26: 18,3%

Quem está puxando essa fila

BYD Dolphin Mini
BYD Dolphin Mini lidera vendas de modelos elétricos no Brasil, já com produção em Camaçari (BA)
Imagem: Divulgação

Entre as tecnologias, os plug-in (aqueles que carregam direto na tomada) dominam a preferência. Em junho, representaram 83% de todas as vendas de eletrificados, um total de 39.344 unidades. Os híbridos que não recarregam externamente (HEV e HEV Flex) ficaram com os 17% restantes, equivalentes a 8.235 carros.

Dentro do universo plug-in, os 100% elétricos (BEV) seguem na liderança há cinco meses seguidos, respondendo por 54% das vendas dessa categoria em junho, com 21.138 unidades. Os híbridos plug-in (PHEV) vieram logo atrás, com 46% e 18.206 unidades.

Fechando o mês, os híbridos convencionais (HEV) emplacaram 4.507 carros, um crescimento e tanto de 227% sobre junho de 2025.

Já os híbridos flex (HEV Flex), que rodam com etanol ou gasolina e ainda contam com motor elétrico, tiveram uma leve queda de 4,7% na comparação com maio, somando 3.728 unidades, mas ainda assim mantiveram um bom crescimento de 323% frente a junho do ano passado.

No acumulado do semestre, ficou assim:

  • BEV: 90.626 unidades (42,2%)
  • PHEV: 76.400 unidades (35,5%)
  • HEV Flex: 24.078 unidades (11,2%)
  • HEV: 23.919 unidades (11,1%)

Oferta de modelos cresceu

Geely EX2
Geely EX2 também tem conseguido bons números de vendas no Brasil e passará a ser montado no Paraná 
Imagem: Divulgação

Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), vários fatores estão se combinando ao mesmo tempo para dar essa guinada no mercado.

Um deles é a oferta de modelos, que cresceu 19% em um ano, de 274 opções no primeiro semestre de 2025 para 350 no mesmo período de 2026. Os elétricos puros lideram, com 192 modelos disponíveis atualmente contra 152 do ano passado, um crescimento de 26%.

Os PHEV cresceram de 101 para 106 modelos, os híbridos convencionais foram de 37 para 44, e os híbridos flex, que ainda são nicho, saltaram de 4 para 8 opções.

Outro ponto que ajudou é a infraestrutura de recarga, que vem se espalhando pelo país. Em junho de 2026, o Brasil já contava com 25.429 eletropostos públicos e semipúblicos, um avanço de 21% em relação à contagem de fevereiro, quando eram 21.061.

Os carregadores rápidos, os famosos DC, já representam 34% desse total e ajudam bastante a reduzir aquele receio antigo de "ficar na mão" com a bateria descarregada.

Some a isso o início da produção nacional de alguns modelos eletrificados e a familiaridade cada vez maior do brasileiro com essas tecnologias, e temos a receita por trás desse "boom".

O bolso também pesa a favor do elétrico

Modelos eletrificados estão se tornando cada vez mais comuns hoje em dia
Modelos eletrificados estão se tornando cada vez mais comuns hoje em dia
Imagem: Divulgação

Além da infraestrutura e da variedade de modelos, tem um fator que passa despercebido, mas pesa bastante na decisão de compra, o custo total. Vários estados brasileiros já concedem isenção de IPVA para veículos elétricos, entre eles Rio Grande do Sul, Ceará, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Norte, o que reduz um custo que pesa todo ano no nosso bolso.

Além do programa federal Mover, que criou uma tabela de IPI diferenciada por eficiência energética e por fonte de propulsão, favorecendo veículos elétricos e híbridos em relação aos modelos puramente a combustão.

Tudo isso muda na diferença de preço entre um carro eletrificado e um equivalente a gasolina, por isso motoristas de aplicativo e profissionais de classe média, e não só o público de alta renda, estão aderindo modelos elétricos.

Sem falar da conta de manutenção mais barata (motores elétricos têm bem menos peças móveis que um motor a combustão) e ao custo de "abastecer" na tomada, geralmente mais em conta que encher o tanque.

O que diz o setor 

Ricardo Bastos, presidente da ABVE, resume bem o momento. Segundo ele, a entidade vem trabalhando nos últimos anos para estabelecer leis de direito à recarga em vários estados, começando por São Paulo, além de aprovar normas de segurança para instalação de pontos de recarga em prédios residenciais e investir numa rede confiável de eletropostos.

Para Bastos, ainda falta um ambiente mais regulatório no país, mas as medidas já em vigor foram suficientes para conquistar a confiança do consumidor brasileiro. Ele destaca que hoje o interesse pelo elétrico não vem só de quem tem alto poder aquisitivo, profissionais de classe média já enxergam vantagem nesse tipo de tecnologia.

E os micro-híbridos, ficam de fora?

Jeep Renegade 2027
Jeep Renegade 2027passou a ter duas versões híbridas leves com sistema de 48 Volts
Imagem: Divulgação

Vale um parênteses aqui. Os micro-híbridos (MHEV), aqueles sistemas mais simples que ajudam o motor a combustão sem oferecer tração elétrica de fato, somaram 29.938 unidades no semestre, alta de 10% sobre 2025. Só que, desde janeiro do ano passado, a ABVE não considera mais essa tecnologia como "eletrificada" nas suas estatísticas oficiais, justamente porque ela não tem tração elétrica nem baterias mais robustas. Por isso os números de MHEV ficam à parte da conta principal.

Dentro desse segmento, os MHEV 48V lideram com 15.039 unidades (50,2% do total), crescimento de 107,3% ante 2025. Já os MHEV 12V somaram 14.899 unidades (49,8%), mas tiveram queda de 25% na comparação anual.

Onde o Brasil mais compra elétrico

Na divisão por região, o Sudeste segue na frente, respondendo por 44,7% de todas as vendas de eletrificados no semestre, com 96.159 unidades. Na sequência vêm Nordeste (18,8%), Sul (18%), Centro-Oeste (14,2%) e Norte (4,4%).

Entre os estados, São Paulo lidera com folga, ficando com 28,7% das vendas nacionais. Distrito Federal aparece em segundo, com 8,4%, seguido por Minas Gerais (7,6%), Paraná (6,8%) e Rio de Janeiro (6%).

Já no ranking de cidades, a capital paulista também é a campeã, com 10,5% do total nacional. Brasília vem logo atrás, com 8,4%, seguida por Belo Horizonte (4,6%), Rio de Janeiro (3,3%) e Curitiba (3%).

Stephanie Gomes

Estudante do 2º ano de comunicação, Stephanie escolheu a profissão por acreditar no poder transformador do jornalismo.