Análise: Tracker com motor 1.0 turbo é suficiente? Preciso partir para a opção 1.2?

Confira nossa avaliação do SUV compacto com o motor presente também em sua opção PcD
Chevrolet Tracker 2021

Chevrolet Tracker 2021 | Imagem: César Tizo

O Chevrolet Tracker está crescendo na preferência do público e os excelentes números de emplacamento em setembro são uma excelente prova disso. O modelo não só liderou as vendas entre os SUVs compactos, como também foi o utilitário esportivo mais comercializado no país, ficando logo a frente do Jeep Compass. Mas a Chevrolet já planeja formas de atrair um número ainda maior de clientes para o modelo. 

Em uma decisão estratégica, a fabricante vai expandir para mais versões a presença do motor 1.0 turbo, que agora chegará aos catálogos LTZ e Premier. É uma saída interessante, uma vez que automóveis com motores até 1 litro enquadram-se em uma alíquota menor do IPI, o que pode abrir margem para a Chevrolet entregar um preço ainda mais competitivo para o SUV. Contudo, em uma época de desconfiança dos investidores em relação à saúde fiscal do país aliada ao dólar instável, a decisão da Chevrolet parece mais uma saída para manter controlados os valores do Tracker LTZ e Premier, evitando uma disparada por conta da valorização da moeda norte-americana. 

Mas é fato que, se olharmos para modelos como o VW T-Cross, o maior rival do Tracker hoje em dia em termos de modernidade de projeto, o motor 1.0 sobrealimentado responde pela maior parte das vendas. Logo, é natural que as montadoras foquem sua estratégia nesse propulsor. 

Na medida em que o público vai conhecendo as vantagens do downsizing e a elevada eficiência que motores concebidos seguindo esse preceito são capazes de entregar, qualquer dúvida ou restrição em escolher um automóvel com essa tecnologia acaba sendo facilmente superada. 

Mas e no caso específico da nova geração do Tracker? O motor 1.0 turbo dá conta do recado? 

Para tanto o Autoo avaliou uma unidade do modelo em seu catálogo R8U destinado aos clientes PcD, que toma como base o propulsor em questão associado ao câmbio automático de 6 marchas. É a mesma mecânica, portanto, que será aplicada nas demais versões do SUV. Vale a pena dizer que o Tracker destinado aos clientes PcD passará a contar com o catálogo R8C quando os pedidos forem reabertos, o qual só perderá as rodas de liga leve aro 16” em relação ao modelo que você confere nas fotos. 

Já tivemos a oportunidade de avaliar o Tracker Premier com motor 1.2 turbo e, de uma objetiva, a perda em termos de desempenho está longe de ser algo muito relevante. 

Motor que apresenta bom fôlego no Chevrolet Onix Plus, o 1.0 turbo aplicado no Tracker cumpre muito bem sua função de deslocar o SUV na cidade e é capaz de manter velocidades de cruzeiro mais elevadas na estrada sem problema algum. 

 

Importante mencionar que os dois motores oferecidos na linha Tracker compartilham exatamente o mesmo projeto, variando apenas o deslocamento. Com isso, temos no 1.0 exatos 116 cv e 16,8 kgfm de torque, números que sobem para 133 cv e 21,4 kgfm no caso do 1.2. 

Claro que, como nos sinalizam os números, as acelerações e retomadas são feitas de forma mais intensa no Tracker 1.2, que é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 9,4 segundos contra 10,9 segundos do Tracker 1.0 turbo. 

Temos uma discreta vantagem para o Tracker 1.0 turbo no consumo, que pode alcançar até 11,9 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada com gasolina, valores que ficam em 11,2 e 13,5 km/l, respectivamente, no caso do motor mais potente. 

Como os conjuntos de suspensão, freio e direção são praticamente os mesmos independente da motorização, o comportamento dinâmico do SUV é o mesmo independente do motor escolhido, com ótimo conforto e estabilidade direcional. 

Para quem não abre mão de um desempenho superior, a Chevrolet seguirá oferecendo o motor 1.2 turbo apenas para o Tracker Premier, que também vai preservar o teto solar panorâmico como um diferencial para quem optar pelo propulsor mais forte. É o caminho que a Vokswagen também adotou para o T-Cross, deixando o motor 1.4 TSI restrito ao catálogo topo de linha Highline. 

Apesar de não contar com a injeção direta como o 1.0 TSI da VW, o que, por um lado, reduz os custos de manutenção, o motor 1.0 turbo aplicado no Tracker e na linha Onix oferece respostas plenamente satisfatórias ao volante. Com isso, a decisão da Chevrolet em aumentar a exposição desse propulsor a mais versões mostra-se correta, sobretudo pensando no custo-benefício. 

No Tracker LTZ, por exemplo, encontramos recursos como o alerta de pontos cegos, um diferencial sobre muitos concorrentes diretos. Já na opção Premier, a lista de assistente de condução é ainda mais robusta, com destaque para o assistente de estacionamento. Nos resta saber, em breve, quais serão os preços praticados pela marca para as versões agora com motor 1.0 turbo. 

Trazendo um bom conjunto dinâmico, cabine ampla e espaçosa para cinco passageiros, alto nível de segurança e recursos avançados para quem deseja mais tecnologia a bordo, o Tracker conta com uma receita que vai ao encontro dos atuais desejos dos clientes do segmento, uma das razões que explica grande parte do seu sucesso comercial. 

Chevrolet Tracker 2021

Chevrolet Tracker 2021

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