Bayon, híbridos e picapes: como será a nova Hyundai no Brasil
Marca sul-coreana reage à invasão chinesa enquanto revê a estratégia que sustentou sua operação no país desde 2012
A Hyundai prepara uma das maiores mudanças em sua linha brasileira desde a inauguração da fábrica de Piracicaba (SP), em 2012. A fabricante começou o movimento com o i20, já testa o SUV Bayon no país e deve reposicionar o Creta, enquanto projetos híbridos e picapes aparecem no horizonte por meio da parceria com a General Motors.
A nova estratégia reduz a dependência da família HB20, desenvolvida especialmente para o Brasil e responsável por sustentar a operação local por mais de uma década. O hatch continuará em produção, segundo a Hyundai, mas já disputa praticamente o mesmo espaço do i20, um projeto global mais moderno e equipado.
Os planos começam a ser colocados em prática em um cenário em que fabricantes chinesas ampliam sua presença no país com SUVs, elétricos e híbridos em diferentes faixas de preço. A Hyundai, que durante anos concentrou seus maiores volumes em HB20 e Creta, pretende cercar o consumidor com mais modelos e carrocerias.

i20 ocupa o espaço do HB20
Apesar de a Hyundai apresentar o i20 como um produto situado entre hatches e SUVs, suas proporções e arquitetura o aproximam mais de um hatch compacto com visual aventureiro - se muito. É uma estratégia semelhante à adotada por outras marcas para disputar espaço com Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Chevrolet Sonic, Renault Kardian e Jeep Avenger.
O problema está dentro da própria concessionária. O HB20 Comfort 1.0 custa R$ 96.140, enquanto o i20 equivalente parte de R$ 99.990. Nas versões Limited aspiradas, os preços são de R$ 100.290 e R$ 104.990, respectivamente.
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A sobreposição continua nas configurações turbo automáticas. O HB20 Limited custa R$ 122.690 e o i20 Limited, R$ 125.990. Já o HB20 Platinum, de R$ 132.490, fica apenas R$ 2.500 abaixo do i20 Platinum.
O i20 ainda oferece configurações X Line e Ultimate, esta última tabelada em R$ 139.990. Dependendo da versão, o modelo global traz painel e central multimídia com telas de 12,3 polegadas, assistências de condução, freio de estacionamento eletrônico e atualizações remotas.
Por pouca diferença, o consumidor encontra um projeto mais recente e com maior conteúdo tecnológico. A tendência é que o HB20 perca gradualmente suas versões turbo e seja mantido nas configurações aspiradas, atendendo frotistas e compradores mais sensíveis ao preço.

Vendas de setembro exigem cautela
Os emplacamentos de setembro poderiam sugerir uma reação do HB20. O hatch chegou a 5.609 unidades na parcial até o dia 24, acima das 5.309 registradas em agosto.
O resultado, porém, foi fortemente concentrado em Minas Gerais, onde apareceram 3.308 emplacamentos. O estado respondeu sozinho por 59% do volume nacional do modelo, uma distribuição compatível com grandes operações de venda direta.
Sem Minas Gerais, o HB20 caiu de 2.436 unidades em agosto para 2.301 em setembro. O desempenho mensal, portanto, não altera a tendência de perda de espaço nas versões mais valorizadas da linha.
O i20 seguiu o caminho oposto. Depois de estrear com 676 unidades em junho chegou a 2.668 em julho e 3.042 em agosto. Neste mês, o modelo aparecia com apenas 1.041 emplacamentos. O número pode significar um ritmo menor de produção ou atraso na consolidação dos dados da Fenabrave.

HB20S deve abrir espaço na fábrica
A Hyundai afirma que a produção e as vendas do HB20 continuam normalmente. A situação do HB20S, no entanto, é diferente.
O presidente da Hyundai Motor Brasil, Airton Cousseau, confirmou à revista Quatro Rodas que o sedã deixará de ser produzido, embora a fabricante ainda não tenha divulgado um cronograma oficial. O HB20S continua sendo oferecido em quatro versões, com preços entre R$ 105.290 e R$ 138.890.
Sua retirada liberaria capacidade em Piracicaba para produtos com maior margem e participação crescente no mercado. Em vez de manter uma carroceria sedã derivada do HB20, a Hyundai pretende ampliar sua cobertura entre crossovers e SUVs compactos.
Bayon ficará entre i20 e Creta
O próximo passo deverá ser o Bayon, SUV derivado da mesma família global do i20. A Hyundai confirmou o nome do projeto na Índia, mas ainda não anunciou oficialmente sua fabricação ou comercialização no Brasil.
Mesmo assim, há sinais consistentes de sua chegada. Protótipos camuflados já foram fotografados em rodovias de São Paulo e a tendência é que ele seja fabricado a partir de 2027.

O Bayon deverá ficar acima do i20 e abaixo do Creta, equipado inicialmente com o motor 1.0 turbo flex de 115 cv e câmbio automático de seis marchas. Não deverá contar com uma configuração aspirada, preservando alguma distância em relação às versões mais baratas do hatch.
Hoje, apenas R$ 16.600 separam o i20 Ultimate, de R$ 139.990, do Creta Comfort, que parte de R$ 156.590. Para acomodar o novo SUV, a Hyundai terá de criar espaço por meio do reposicionamento dos demais modelos.
O cenário mais provável inclui o HB20 concentrado próximo de R$ 100 mil, o i20 ocupando a faixa até R$ 140 mil e o Bayon avançando sobre o intervalo atualmente atendido pelas versões mais baratas do Creta.
Creta deve crescer e ganhar sistema híbrido
A próxima geração do Creta será outra peça dessa reorganização. Protótipos já circulam no exterior com dimensões maiores e uma proposta mais refinada, aproximando o SUV de modelos médios.
O novo Creta é cotado para estrear no primeiro semestre de 2028 e poderá inaugurar no Brasil um sistema híbrido pleno da Hyundai.
O aumento de porte e a eletrificação permitiriam elevar os preços do Creta e abrir mais espaço para o Bayon. A linha atual começa em R$ 156.590 e ultrapassa R$ 200 mil nas configurações Ultimate e N Line.
Até essa mudança, a eletrificação da Hyundai continuará concentrada no Kona híbrido importado, que parte de R$ 219.990, e no Ioniq 5 elétrico, de R$ 409.990. Nenhum dos dois atua nos segmentos de maior volume do mercado brasileiro.

Parceria com GM inclui duas picapes
A Hyundai também prepara sua entrada em segmentos nos quais hoje não possui representantes no Brasil. A fabricante firmou uma parceria com a General Motors para desenvolver quatro veículos destinados à América Central e à América do Sul.
O programa prevê um automóvel compacto, um SUV compacto, uma picape compacta e uma picape média. Todos poderão ser oferecidos com motores a combustão ou sistemas híbridos, com os primeiros lançamentos programados para 2028.
A Hyundai liderará o desenvolvimento dos produtos compactos, enquanto a GM ficará responsável pela arquitetura da picape média. Apesar do compartilhamento de plataformas, cada fabricante terá desenho externo e interior próprios.
Ainda não há confirmação sobre quais desses veículos serão vendidos ou produzidos no Brasil. A picape compacta permitiria à Hyundai disputar espaço com Fiat Toro, Chevrolet Montana, Renault Niagara e futuras concorrentes chinesas, enquanto o projeto médio poderia colocá-la num segmento dominado por Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10.
GM e Hyundai estimam que os quatro veículos destinados aos mercados latino-americanos poderão alcançar uma produção combinada de pelo menos 800 mil unidades anuais quando o programa estiver em plena escala.
